<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087</id><updated>2012-01-27T21:35:59.682-03:00</updated><category term='Poesia'/><category term='Prosa'/><title type='text'>Sketches from my sweetheart, the drunk.</title><subtitle type='html'>Mentiras sinceras e outras ficções.</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>64</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-2351800711460389638</id><published>2011-11-10T01:53:00.000-03:00</published><updated>2011-11-10T01:53:39.073-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Querido diário</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Nina chegou em casa aquele dia como costumava desde que casou com o Chico, coisa de quatro anos passados. O viralata já lhe esperava por trás da porta, as orelhas de pé, o rabo sacudindo, a alegria em forma de vida. Chico zapeava pelos canais da tevê por assinatura sem se fixar em nada, gastando tempo, calado, sem camisa - era verão e o apartamento era pequeno.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher havia passado o dia batendo perna atrás de um novo emprego. Sorrindo forçado, se esforçando para não desmanchar o penteado, não amassar a roupa, não parecer que precisava de um dinheiro para as contas e o empréstimo e a sexta-feira com os amigos. Foi um dia difícil, em suma. Mesmo assim, tentou deixar o dia no corredor e entrar em casa sorrindo, como gostava tanto de fazer que virou o hábito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o viralata no colo, se sentou ao lado de Chico. Beijo rápido. Conversam brevidades. Não, ninguém me ligou de volta. Sim, levanto cedo amanhã. Olha, você precisa fazer essa barba pra festa no sábado. Deixa que eu faço a janta hoje porque você precisa descansar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico se levantou e foi para a cozinha, meio preguiçoso, mas ainda um cavalheiro. Nina desligou a tevê, pôs uma música no lugar e foi pro banho. Demorou-se ali, de olhos fechados e pensamento longe, numa viagem de final de ano com Chico, então seu novo namorado, que estava aprendendo violão e tinha cabelos compridos. Era a primeira viagem deles e foram passar os últimos dias do ano numa praia. Chico lhe sorria o tempo todo nas memórias, mas isso ela era capaz de deduzir que era consequência de serem memórias boas. Ela se impressionava mesmo com o sorriso per si, que, fazia tempos, não era mais aquele que ela lembrava, pelo qual se apaixonou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A janta estava pronta quando ela saiu do banho, se enxugou e colocou o pijama. Não vestiu qualquer pijama, vestiu uma camisola-fatal, verde-escuro, que lhe deixava gostosa, mulher, segura - era até meio ridículo que fosse um pijama. Chico sorria diante da mesa posta, ainda que fosse um ligeiro miojo-com-atum-em-lata, ele havia feito um molho baseado em azeite, cebolinha e mostarda picante para enfeitar. Comeram, pouco falaram. Chico parecia meio absorto em si, Nina tentava encontrar algo naquele rosto que ela pudesse decifrar, mas tentava sem muito método.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A louça ficou na pia e os dois foram para o quarto. Nina procurou o beijo e o alcançou, agora com mais gosto. O corpo de Chico compreendeu rapidamente a mensagem e foram para a cama, o viralata assistindo a tudo meio bobo, meio excluído. Chico costumava demorar mais, demorar melhor para comer Nina. Ela gostava da demora como da urgência, mas sobretudo de perder a noção das coisas terrenas e insignificantes e desmanchar-se diante daquele homem. Nina sentia uma espécie de aflição agora, como se fosse uma mulher sem orifícios diante de um homem morrendo em vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chico fechou os olhos e cerrou os dentes. Um último suspiro. Ela decidiu que no dia seguinte entraria em casa sem o sorriso. Talvez ele recuperasse o dele para manter as coisas funcionando.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-2351800711460389638?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/2351800711460389638/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=2351800711460389638&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/2351800711460389638'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/2351800711460389638'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2011/11/querido-diario.html' title='Querido diário'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-7535848922883761888</id><published>2011-11-01T14:59:00.008-03:00</published><updated>2011-11-01T15:09:00.091-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Safadeza</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O moço entrou e pediu por uma água. Estava quente na rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele subia a rua com seu bigodinho aparado e o terno meio tosco de proletário de escritório, depois de descer no ponto final do coletivo, uma esquina mais pra baixo. Caminhava devagar, como se a vida lhe bastasse daquela maneira. Eu cuidava de atender a clientela no bar da mãe, que conferia o caixa antes de dar o dia por encerrado. Não tinha sido um dia tão bom assim, o movimento estava fraquinho e o freezer das cervejas voltou a dar problema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bem que minha mãe avisou pra ficar longe daquele moço porque ele só queria saber de safadeza. E ela me avisou desde o primeiro dia que me viu de chamego e toda sonsa com os salamaleques dele. "Esse tipinho não me convence, não, minha filha, ele tá é na má-intenção", vaticinou Dona Sônia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz pouca mouca. O moço tinha uma voz tão gostosa de ouvir, ainda mais no finalzinho da tarde, que era quando ele costumava aparecer na rua, todo simpático - sorria pros moleques jogando bola, cumprimentava as pessoas que voltavam do trabalho e alguns que naquela hora é que partiam para o ganha-pão.&amp;nbsp;E ele nunca havia, nem de longe, se dado a desrespeitos. Ele gostava de uma boa conversa, sempre tinha uma coisa nova pra contar, ele trabalhava levando documentos pra assinar, entrando em filas, essas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acheguei-me na mesa onde ele se postou e afrouxou a gravata meio surrada, com a água, o copo com gelo e o cardápio - uma folhinha plastificada com os quitutes locais no verso e as bebidas na frente. Abri meu sorriso, um botão da blusa e espiei com o canto dos olhos se a mãe tinha percebido. Ela sempre percebia, dava pra ver o meneio com a cabeça enquanto fazia as contas e separava as notas e as moedas. Perguntei se ele queria mais alguma coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu bem queria é que ele respondesse que sim, queria que eu me sentasse em seu colo, só pra começar. Mas o moço nunca havia, repito, nem de longe, friso, se dado a desrespeitos, apesar da mãe ter certeza do contrário e dos decotes que eu improvisava, das saias curtas que eu usava desde que ele resolveu fazer do bar uma parada quase diária da volta pra casa. Ele disse que aceitava um pastel de carne e um guaraná.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto eu estava na cozinha providenciando o pastel com todo o meu capricho, a mãe veio ter comigo. "Sabe se esse safardana vai demorar muito? Já fechei o caixa hoje." Eu disse que ele pediu o pastel e um guaraná, além da água que estava bebendo. Ela repetiu que não queria demorar a fechar o dia e resmungou qualquer coisa mais pra si do que pra mim. E disse que ia dar uma olhada no periquito, seu periquito de estimação, que ficava nos fundos da casa, nossa casinha de alvenaria logo do lado do bar. "E não me demore, hein, que eu estou de olho em vocês e feche direito esses botões na blusa, menina." Eu respondi que estava tudo certo, esperei ela sair e abri outro botão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O pastel ficou pronto e fui servi-lo com o guaraná, o moço lia a página de esportes, mesmo que meio amassada. Ele agradeceu e disse que não se demorava. Eu disse que não havia pressa e ele perguntou se eu não queria me sentar à sua mesa e lhe fazer companhia. Reparei que ele tinha os olhos timidamente presos (constrangidos?) ao decote proposital que abri na blusa. Não apenas me sentei, como o fiz sorrindo e perguntei se o pastel estava a seu agrado. Ele assentiu com a cabeça a caminho de mais uma mordida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não falou muito, e o pouco que disse, foi só para quebrar o silêncio. Após o último gole do guaraná, sorriu satisfeito e perguntou quanto custava tudo. Um pastel de carne, a água e o guaraná são sete reais, moço. Ele pagou uma nota de dez e me acompanhou até o caixa pra eu pegar o troco. Abri a gaveta da registradora, vazia. A mãe já tinha recolhido a féria do dia. "Olha, moço, a mãe já fechou o caixa mas podemos ir ali na cozinha, tenho certeza que deixei uns trocados ali e você pega o troco". Meus olhos devem ter brilhado porque não contive um sorriso quando ele aceitou me acompanhar pra ajudar a encontrar o dinheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechei a porta da cozinha discretamente. Mesmo com a porta fechada, dava pra ouvir a mãe cantando com o periquito.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Mal sabia ela que safardana por safardana naquele bar, eu apostaria mais em mim.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-7535848922883761888?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/7535848922883761888/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=7535848922883761888&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/7535848922883761888'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/7535848922883761888'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2011/11/safadeza.html' title='Safadeza'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-8902420608977349246</id><published>2011-10-20T20:20:00.005-03:00</published><updated>2011-10-21T09:58:17.351-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>O homem velho</title><content type='html'>O homem velho estava sentado na cama e observava taciturno a moça que se achava ao seu lado, deitada, igualmente nua. A moça não era velha, não igual a ele, decerto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem há algum tempo matutava acerca daqueles bicos dos seios, que eram tão escuros e certamente gostosos, porque fartos. O homem, apesar de velho, não havia tido, nem mesmo quando mais moço - e era considerado moço bonito - tantos bicos de seios expostos a suas vistas e ao alcance de suas mãos. Pertencia a um outro tempo e quiçá a uma outra ética, onde se casava bem cedo e permanecia fiel ao juramento dito à amada em uma igreja cheia de conhecidos. Era a primeira vez que via a olho nu bicos dos seios feito aqueles dois.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem estava um pouco constrangido também diante de sua ereção. O falo tão ereto diante daquela moça tão mais jovem o surpreendia, ele que já não se achava mais capaz de tanto. No entanto, não precisou fazer qualquer tipo de esforço sobre-humano para perceber o sexo se enrijecer assim que a moça o abordou no velório de sua falecida esposa, se aproximando dele discreta com seus pesares e seu vestido enlutado que fracassava, fracassava ferrenhamente, na hora de ocultar o contorno de seus quadris.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem ficou perturbado mas não conseguiu evitar que seus olhos tentassem buscar, quando ele menos se distraía na dor, no abraço dos filhos e no lamento dos amigos os quadris da moça, que após ter oferecido seu pesar e ter confesso que a falecida Joaquina era muito boa pessoa e deixaria saudades em todos da firma se retirou para um canto onde outras senhoras, não tão voluptosas feito ela, estavam conversando em voz baixa. Ele reconheceu as amigas de trabalho de sua esposa naquele grupo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem percebeu que a moça acompanhou o cortejo até que o corpo de sua Joaquina fosse devidamente depositado no abrigo e as pessoas começaram a deixar o cemitério. A moça parecia realmente muito comovida, mas chorava com discrição. Ele já havia pedido aos filhos e amigos que o deixassem um pouco só por instantes após o enterro ter acabado para caminhar na direção de casa, ele julgou que lhe faria bem uns passos solitários e morava a coisa de vinte minutos dali, quando sentiu que a moça se aproximava dele. Foi ela quem lhe deu o braço e diante desse novo contato, seu pênis não se demorou em renascer caralho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem ouviu a moça renovar seu luto, porque Joaquina era excelente pessoa e nunca havia feito pouco de seu trabalho na firma, pelo contrário, já havia mesmo a defendido diante de um chefe grosseirão e de colegas invejosas. Ouviu mais, o homem, ouviu que Joaquina sempre tinha um sorriso e uma coisa boa para contar dele, o marido, e que ela, a moça, não teria nenhum incômodo em ajudá-lo quando preciso, especialmente nesses primeiros dias difíceis. O homem não encontrou dentro de si (e mesmo fora) resistência ao ato que cometeu sem maior aviso, de tomá-la em braços e beijar sua boca com tal desatino que pareceu um talento natural para ser calhorda. Foi a moça, surpresa ela também consigo, que ao se desvencilhar dos lábios daquele homem velho pronunciou a sentença derradeira: "Vamos lá pra casa, aqui não é seguro".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem não esperou que se despissem, sequer esperou o quarto, só esperou que ela trancasse a porta da sala e se voltasse para ele com um sorriso inédito e sem-vergonha. De algum modo chegaram à cama. Antes que ela começasse a se despir, ele lhe levantou a saia e a possuiu com uma força da qual ele não se sabia senhor e a levou ao gozo com uma dignidade que ela poucas vezes havia testemunhado num pau duro. Exausto e asustadiço, ele pediu licença para usar o banheiro, que aliás não sabia onde ficava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem encontrou a moça em decúbito dorsal, já desnuda e ainda mais suculenta, ao retornar à cama. Após minutos sentado na beirada do colchão, ele se despiu igualmente e ficou admirando aquele ser que lhe devolvia a juventude com tanto desvario. Os bicos negros e impossíveis. A piroca novamente tensa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem observou que a moça abriu os olhos e se dirigiu a ele. Sentiu o toque de seus lábios em plena face, bem próximo de um dos seus olhos fechados. O beijo seguinte lhe alcançou a boca, com a língua e todos os dentes, algum batom e alguma força. A mão dela lhe punhetava a pica enquanto os lábios desciam pelo seu torso. Ela lhe mordeu os dois mamilos. Lambeu o umbigo. Segredou que ele era um gostoso de um filho da puta. Disse mais, mas não em seguida. Antes sua língua percorreu com esmero o falo. E a boca mergulhou de volta, sedenta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O homem percebeu então a voz da moça dentro do seu ouvido confidenciar exatamente nestes termos, sem mais ou menos: "Vou te dar o cu, mas que você não se atreva e repetir o nome de Joaquina novamente quando gozar, seu velho sacana, que eu gosto muito dela".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-8902420608977349246?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/8902420608977349246/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=8902420608977349246&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/8902420608977349246'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/8902420608977349246'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2011/10/o-homem-velho.html' title='O homem velho'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-2216637310995982516</id><published>2011-09-16T17:12:00.000-03:00</published><updated>2011-09-16T17:12:56.873-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Mais gostosa do que linda</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Ela usava um chapeu e mais nada. Consultou o celular e procurou na minha roupa pelo maço de cigarros sem-filtro. Abriu a janela subiu as persianas para fumar sem maiores pudores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era sábado e era dia, aos poucos fui voltando a mim, ao quarto dela, à cidade grande. Da janela ela observava a rua deserta, da cama eu observava a linha que marcava a coluna vertebral daquela criatura tão possível descer até se fendir na bunda. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis dizer a ela que aquele cigarro jamais acabasse. Quis dizer a ela que não se movesse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se postava diante do mundo tão sem vergonha. Fui gravando aquele instante na retina para que ele perdurasse em algum lugar dentro de mim. Aquela mulher tão possível, de linhas tortas e imperfeitas, fumando em silêncio talvez jamais voltasse a existir. Haveria sua presença no mundo mas não naquele estado, não naquela manhã. Aquele instante era meu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não disse nada ao cabo, apenas permaneci na cama, preguiçoso, com meus olhos remelentos focados nela, mais gostosa do que linda.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-2216637310995982516?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/2216637310995982516/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=2216637310995982516&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/2216637310995982516'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/2216637310995982516'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2011/09/mais-gostosa-do-que-linda.html' title='Mais gostosa do que linda'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-3692883863489450181</id><published>2011-08-24T12:43:00.003-03:00</published><updated>2011-08-24T12:47:28.026-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Raspas de limão</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O coletivo seguia no trajeto carregado de passageiros, era um final de tarde, a gente cansada voltando do trabalho. Foi quando deu-se a confusão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De início, apenas o bafafá. O ônibus contornava uma daquelas longas curvas onde precisamos nos segurar como possível e o burburinho de vozes ia tomando corpo, ocupando o espaço que sobrava e logo desconhecidos comentavam entre si, ainda que não compartilhassem de qualquer tipo de intimidade prévia: uma indecência, onde já se viu, isso é culpa do tal de tuíter, ah, só podia ser no governo do pê-tê, absurdo total, canalha!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Foi uma senhorinha que estava sentada ao meu lado e tão longe da origem do rebu feito eu que vociferou o "canalha" com a exclamação, em tom de voz bastante audível. O protesto dela também marcou o final da curva e de súbito o automóvel foi reduzindo a velocidade, fato que por sua conta reforçou a central de comentários no ambiente. Agora se falavam em chamar a polícia, surrar o canalha, chamar a polícia para surrar o canalha, teve um menos atento que chamou os polícias de canalhas, mas este realmente estava noutra sintonia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O autobus realmente ligou o pisca-alerta e encostou próximo a uma parada de ônibus, como se deve no caso de apresentar algum defeito mecânico ou, como de fato se passava, sob motivo de força maior. O trocador saiu de seu posto e foi confidenciar alguma coisa ao motorista, que olhava na direção dos passageiros para tentar identificar o culpado do tumulto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As pessoas foram se afastando do epicentro de tudo onde jaziam de pé uma moça com visíveis e embaraçosas lágrimas na face ainda juvenil, trajando uniforme de trabalho de escritório e ainda próximo a ela um rapaz, igualmente em seus vinte anos, segurado por outros dois homens mais velhos, visivelmente apalermado de susto e constrangido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motorista levantou-se de foi caminhando, heroico, saltou a roleta e pisou firme em direção ao moço, um moço meio franzino, os olhos claros e cabelos raspados, pele parda. Os dois homens que o seguravam tinham nos olhos a vingança, não sei se por conta da realidade de andar de ônibus, trabalhar demais, ganhar de menos ou porque aquele rapaz havia, vá saber, bolinado a moça ou insinuado indecências em público ali no aperto coletivo.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;O condutor no entanto revelou-se excelente diplomata. Se havia a expectativa de que o tarado fosse levar um tiro na cara ou um soco na boca, o motorista tratou logo de pedir que a dupla não fizesse nada além de vigiar o rapaz e o mantivesse ali até que ele esclarecesse a situação. Então, ele se virou para a vítima e perguntou se estava tudo bem, o que havia se passado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;A menina baixou o rosto e envergonhada, voz baixa, confessou. Era ex-namorada do rapaz em questão, havia terminado com ele havia um par de meses e que não queria que fizessem mal a ele. Um grande número de pessoas se espantou, natural, outras riram maldosamente. Mas como se deu a confusão, quis saber o condutor. Ela, então, num fio de voz que desejava emudecer, confessou que esbarrou no moço sem querer e logo se reconheceram, trocaram palavras e o moço então lhe falou, mas não ao pé do ouvido, lhe falou bem claramente e as pessoas próximas puderam ouvir, que gostaria de dar nela um beijo bem dado no vão dos seios ou na penumbra do cu.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A expressão de três ou quatro passageiros confirmou a história. O motorista perguntou se ela &amp;nbsp;gostaria que chamassem um policial ali, temos um posto de polícia próximo, que isso não era coisa de falar a uma moça, um desreipeito. A moça negou, reafirmou a vontade de não querer mal a ele mesmo assim, mesmo com a obscenidade pública.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O motorista suspirou e se voltou para o rapaz. &amp;nbsp;O melhor, para evitar maiores consequências é que você desça aqui mesmo do coletivo. Precisamos continuar a viagem e o senhor já fez tumulto o bastante. O rapaz concordou, os dois homens o soltaram meio a contragosto e ele foi descendo as escadas, devagar, vencido. Então, quando ele alcançava o último degrau, a menina saiu atrás dele, firme, apressada.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele percebeu e parou, se virando, não sabia se seria agredido, se era a hora de sair correndo da turba. A menina lhe puxou pelo braço e ao alcance de todos que quisessem saber, lhe disse que o beijo estava aceito e disse mais, vejam só, disse que ia temperar a bunda com raspas de limão naquela noite, só pra receber o beijo.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois desceram e o coletivo seguiu em frente, cheio de gente cansada voltando do trabalho, mas alegres, agora, definitivamente sorridentes.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-3692883863489450181?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/3692883863489450181/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=3692883863489450181&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/3692883863489450181'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/3692883863489450181'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2011/08/raspas-de-limao.html' title='Raspas de limão'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-4467545568037607408</id><published>2011-08-08T21:41:00.001-03:00</published><updated>2011-08-08T21:46:53.479-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>O troco</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O troco, a paga, a refeição que se coze em nitrogênio líquido para ser servida em bandeja de prata. Ele compra cigarros até o dia 10 e comida até o dia 28. Ele está subindo as escadas num resfolegar obeso, embaraçoso. Maria sorri.&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Hoje já é o vigésimo nono dia do mês e seu dinheiro virou tema de ficção há quatro dias atrás, numa mesa de sinuca. Ele sabe bem disso e o fato o importuna.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Cada degrau do lance de escadas que o transporta da sala para o segundo andar da casa enorme que alugou range a seus pés e ele chega a pensar que os degraus quase não suportam mais o fardo que ele leva sobre os ombros: o emprego que lhe paga mal, a amante que ele fode mal, os dois filhos que se comportam mal, a esposa com quem mal conversa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Maria, no entanto, sorri. Maria sabe que o dinheiro acabou – a sinuca, a cana, a amante, as putas, os cavalos – e sabe que ele está de péssimo humor. Maria sorri porque sabe que a cada degrau calçado por aqueles pés, ele alcança o destino que merece. Maria sabe de algo que ele não desconfia, e Maria sabe amar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Ele não sabe amar, isso é certo. Ele lhe esbofeteou a cara na mesa da janta na frente das crianças há dois anos atrás. Cinco anos de casamento. Contas atrasadas, palpites mal assinalados, o bife mal-passado. Não teve um aviso, um olhar furioso, algo que a preparasse para o pior. Houve o baque seco e então a ardência, as crianças mudas. Ele retornou ao prato de comida – pegou a faca e cortou o bife, que molhou o arroz e o ovo frito do jeito que ele pedia.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Maria engoliu em seco. Até conhecer o outro, um ano e meio depois daquele (primeiro) tapa. O outro não ganhava muito melhor nem trabalhava muito menos. O outro não era muito mais bonito. O outro tinha até uma acentuada calvície e dentes amarelos de cigarro e café. Mas o outro gostava dela, de modo que Maria passou a ser beijada no rosto, nas mãos, nas pernas, na boca, no vão dos seios (arrepio).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O outro ainda por cima sorria. Sorria das coisas que ela contava, sorria quando ela mostrava os retratinhos das crianças que ela portava na carteira, sorria quando ela teve medo na primeira vez e quis fugir antes que não desse mais tempo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Ele não tem como saber de nada disso, só sabe que as escadas rangem a cada passo. Ele está meio zonzo com os três copos da branquinha que virou duas esquinas passadas (mandou pendurar na conta) e só agora se deu conta de que esqueceu de passar na venda e trazer alguma carne moída pra janta. Mas a mulher anda esquisita, outro dia estava até num assovio quando tirava a roupa da corda, quiçá não lhe encha o saco e deixe por isso mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O que ele deu conta de saber é que a escada começou, ali pelo meio da subida, a ranger mais que o habitual. A casa era velha, as crianças morriam de medo da escada, que fazia barulho e só agüentava uma pessoa por vez. Ele não acreditava nessas coisas que rangem e o próximo passo foi propositalmente mais pesado, para mostrar ao mundo quem dava as ordens na casa. Foi quando a escada cedeu.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Maria sorriu sentada na cama de casal e aguardou as crianças aparecerem na porta, com a notícia na ponta da língua.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Porque a janta daquele dia seria servida como se deve: fria, na louça de prata que ganhou da sogra, presente do casamento.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-4467545568037607408?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/4467545568037607408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=4467545568037607408&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4467545568037607408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4467545568037607408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2011/08/o-troco.html' title='O troco'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-4666285867657615613</id><published>2011-07-22T19:59:00.003-03:00</published><updated>2011-08-08T21:48:21.860-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Chope</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Casal sentado numa mesa de bar, final de tarde, bar não muito cheio, apesar de já barulhento. Ela fuma.&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;... então agora você fuma? &lt;/span&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;fumo. desde que conheci o arnaldo, ele fumava muito, acabei indo atrás.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ô, garçom. dois chopes, o meu escuro faz favor, querido. e um cinzeiro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;tem problema fumar aqui, moço?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;(não, dona, pode fumar, já trago o cinzeiro.)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;engraçado que você detestava fumaça de cigarro, comprava até umas brigas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sim... porra, o tavinho morto. sabia que eu fiquei com ele? foi o primeiro cara que beijei na facul.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;acho que lembro disso, foi uma festa no centro acadêmico?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;não, antes dessa, teve uma chopada, acho, lembro tinha muita maconha, MUITA.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ah, não fui... ou não lembro, lembro mais da festa do cêá.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;nessa eu não pude ir porque minha vó tava internada, tadinha. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;(dois chopes, um escuro. vocês já tem comanda?&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;pode anotar tudo numa só? tem problema, rita? &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;não, melhor assim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;(claro, chefia, à vontade.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;nunca fui tããão amigo assim do tavinho, acabei vindo porque o edu me ligou e não quis ser escroto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;com o edu eu também fiquei, rárá, ai, o edu...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;porra, hein, rita.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;o que tem? você comeu a izabel, que era lésbica! todo mundo sabe.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;e daí? o que tem a menina ser sapata?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;eu não posso dar pros meus amigos de turma mas você pode comer as minhas amigas todas?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;não comi suas amigas todas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;izabel, luana, carolina - e carolina teve a machado e a pacheco! sacana! elas brigaram por sua causa, sabia?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;rárárá, ah, verdade, mas, porra...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;porra o quê. comeu, não comeu?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;tá, vai, comi. mas a izabel... só o marlos não comeu a izabel.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;(???)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ela era a maior porralouca, rita. deu pra toda nossa turma, no segundo semestre rolou até uma aposta, que o último a comer tinha que pagar uma cervejada. em dois meses a aposta acabou e éramos uns oito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ai, carlos, como você mente!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;pô, o diogo nunca te contou isso? ele não é teu amigo? ele comeu a izabel desde a primeira semana de aula até o final do curso! ele tem até foto.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;mas vocês, também, um pior que o outro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;rárárárá. porra!&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Acende outro cigarro. Duas longas tragadas. Ele beberica o chope.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;e o arnaldo, tá bem?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;terminamos. tem dois anos. não falei mais com ele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;bah, não sabia.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;tou vendo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;é que você tem uma aliança de noivado. achei que era do arnaldo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ah, claro, mas o meu noivo é o marcos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;eu conheço?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;difícil, ele é editor lá da revista. marcos amaral.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ah, da revista perdi contato. aliás, perdi contato com quase todo mundo da galera, larguei as redações. montei uma agência de consultoria em mídia. só trabalho com publicidade, agora.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ah, o diogo me contou tem um tempo. falou que você tá montado na grana. só vips na clientela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;rárárá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;viu? até rindo à toa, você já tá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;o diogo é foda. também não é assim. levou um tempo pra gente reaver o capital investido. agora tá melhor. pô, mas parabéns do mesmo jeito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ah, que gentil. (alguma ironia no trejeito.)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sério, bacana mesmo. você merece.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Ambos trocam olhares e silenciam. Ela tem o instinto de tragar mas o cigarro já está no filtro. O lugar encheu um pouco mais. Carlos pede mais dois chopes, o dele escuro. Rita se emocionou com a franqueza que percebeu nas palavras de Carlos.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;acho que a gente não se via tem mais de 5 anos, hein, carlos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;tudo isso?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;você ainda tinha cabelo, eu lembro.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;nossa, meu cabelo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;na faculdade você era cabeludo. achava tão bonito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Riso encabulado, Carlos passa a mão na calvície, quase por moto-controle.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;outro dia o marcos me perguntou de uma foto que achou perdida no computador: lembra da viagem pra blumenau?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;você tem foto daquela viagem?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;nem eu lembrava. acho que a carol pacheco tinha uma daquelas cybershots, ela que bateu a foto. nós dois e um tiozinho engraçado no meio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;porra, o tio otto, ele era o dono da pousada!&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;foi boa aquela viagem.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ô.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Silêncio cúmplice. Chega o garçom com os chopes.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;a gente já tava junto ali?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;mais ou menos, acho que a gente voltou namorando, mas fomos naquela "vamos ver o que rola".&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;acho que na primeira noite você me convidou pra dormir contigo, porque tava frio.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;e você ficou tentando me comer.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;foi?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sim. sacana. deitou de conchinha e ficava me sarrando, a carol logo na outra beliche.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;rárárá. verdade. mas, porra, você tava rebolando, vai.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;bobo. na frente da carol? ela toda sem-graça que tinha dado pra você não tinha nem um mês.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ah, mas foi uma parada que rolou de momento, uma rapidinha. ela tinha até namorado, um cara do exército.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;isso, sargento, ubiratan o nome dele, ela dizia que o namorado tinha uma piroca enorme, que machucava.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sério? bah, olha isso.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sério, e ela adorava aquilo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;rárárárá.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ela agora mora na frança, casou com um sueco. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;chique.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;pra você ver.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;éramos tão felizes naqueles dias.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;(...)&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;parecia que a vida seria sempre um grande dia, é a impressão que levo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;e agora?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;agora me preocupo mais com as horas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;é...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Rita pede licença para ir ao banheiro. Enquanto ela se ausenta, Carlos confere seu celular e pede mais chopes. Chegam pouco antes dela voltar, visivelmente alegre. Carlos se espanta, no seu íntimo, fazia tempo que não percebia como Rita era bela.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;e você vai continuar solteiro?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;não é de propósito.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;não?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ah, é meio complicado, já engatei uns namoros e quase me casei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;como quase?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;faltando 15 dias ela disse que o analista tinha falado para ela colocar em perspectiva o casamento e as suas metas de vida.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;e daí?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ela chegou à brilhante conclusão de que seu foco naquele ano deveria ser o mestrado em geometria analítica...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ui.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;... e disse que poderíamos continuar juntos, casar depois. uma choradeira.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;e como você reagiu?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sei lá, me deu a sensação de brochar. estávamos há 6 meses naquela função, vivendo o casamento, procurando apartamento, eu vendi o carro, tirei grana emprestada dos meus pais e a porra dum analista diz que o melhor era terminar um mestrado que ela enrolava fazia 3 anos?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sim, sim, que coisa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;larguei de mão, falei pra ela enfiar o mestrado e o analista no cu, desapareci total, pedi uns dias de folga na firma e me enfiei numa viagem de 2 meses no nordeste sem falar com ninguém, sem internet, sem celular, só ligava pros meus pais de semana em semana.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;e ela?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;nunca mais soube dela. nunca mais quis saber.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sabe, jamais imaginei ver você magoado por mulher.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;porra. filha da puta. maluca.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;calma, querido, já passou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;mas teve uma coisa, acho que foi aí que minha ficha caiu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ficha?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;daquela noite, a melissa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ai, carlos, não precisa disso também.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;tou falando sério. fui muito escroto.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;isso você foi mesmo. mas o tempo, sabe?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;é. tem o tempo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;a gente acaba vendo que não tinha como deixar de ser aquilo, vai vendo como as situações vão se costurando.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;eu não tinha o direito. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;foi uma coisa que aconteceu e não era pra eu ver. hoje eu entendo melhor.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;eu nunca te perguntei como você se sentiu ao saber.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;péssima. emagreci doze quilos e depois engordei 25 em um ano.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;caralho. peraí.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sim.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;meus pais queriam me internar. aí um dia conheci o arnaldo na internet.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;internet?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sim, e namoramos 2 anos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;nossa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;o arnaldo me fez ser mulher de novo. devo isso pra ele.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Os olhares se perdem nesse instante. Mas se cruzam por um breve segundo e Rita sorri. Um sorriso outro. Carlos não soube como reagir e suspirou.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;minha mãe vive perguntando de você. ela não se conforma que a gente tenha terminado.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;eu sei, ela vivia me ligando nos meus aniversários.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sério?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sim, ela não te falava?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;não.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;outro dia mesmo ela me ligou, era já de noite. perguntou se a gente tinha terminado por alguma galinhagem sua...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;(!!!)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;... mas eu menti, fica tranquilo. disse a versão oficial. que a gente a gente vinha discutindo a relação há tempos e um dia achamos melhor separar, cada um com seu canto.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;minha mãe é foda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ela é divertida, a gente sempre dava ridadas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;porra, desculpa por tudo. mesmo.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;desculpar o quê?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;a merda que fiz. o porre. comer a melissa no banheiro da casa dos pais dela, onde eu estava com a cabeça? você a dez metros dali. só podia dar merda.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;era uma festa, a gente andava brigado, você tinha bebido e cheirado também. e...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ah, não justifica.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;... deixa eu terminar! e a melissa era minha amiga, sim, mas sempre foi de fazer merda com homem. bem típico dela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;porra, você vendo nós dois sairmos do banheiro, o seu olhar, não esqueço.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;eu já perdoei você, juro. aliás, eu até entendo a situação melhor agora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;como assim?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Olhar com ironia, close no olhar dela.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;você também...?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sim, uma vez, tem uns meses.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;estava viajando com umas amigas de férias, só as meninas da faculdade, tiramos uma semana no rio logo depois do carnaval. uma noite acabei ficando com um cara, fomos prum motel.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;bah.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;pois é.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;mais um?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;claro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;garçom, mais dois, o dele escuro.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Rita acende outro cigarro. Tensa. Zoom nas mãos acendendo o Zippo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;e quer saber, eu estava pronta pra contar tudo pro marcos, tinha até ensaiado sozinha - olha a cena - no banheiro da produtora.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;rárárá. caralho.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;e ele não me chega em casa com a cara mais feliz do mundo? tinha sido promovido a editor. ia ganhar o dobro. queria me levar pra jantar.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sei.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;deu uma pena, aquele homem não precisava ouvir que era corno.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;rárárá.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;(dois chopes, um escuro.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;ôpa, brigadão, campeão!&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;e no dia seguinte vi que acordei igual, sabe, o marcos ainda era o marcos, eu ainda era a rita... uma semana e tinha horas que me surpreendia de lembrar daquele lance no rio. a sensação agora é de que foi uma daquelas coisas de juventude.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sim, uma daquelas trepadas perdidas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="kl" dir="ltr" id=":3ef" style="margin-bottom: 0.2em; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;e acabei deixando assim, porque não teve nada a ver com ele e a vida seguiu.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sei, sei.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;existe a culpa, sabe, lá no fundo... mas o que eu sinto pelo marcos é tão mais vívido que não acho certo corroer nosso vínculo por conta de uma mesquinharia. ai, tá tarde, já, né.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sim, acho que podemos fechar por hoje.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;nunca achei que fosse me fazer tão bem me abrir assim com você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;sinceramente, eu também não imaginava que ME faria bem te ouvir.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Rita olha o relógio e instintivamente mexe na bolsa. Carlos parece mais vazio, relaxado. Chamam o garçom e pedem a conta. Vão dividir por dois. Ela se levanta logo após deixar sua metade na mesa e se despede de Carlos. Parece apressada, como se quisesse fugir sem levantar suspeitas.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;Rita queria sair do bar antes que Carlos percebesse que ela deixou na mesa um cartão onde havia seu telefone e e-mail pessoal.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-4666285867657615613?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/4666285867657615613/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=4666285867657615613&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4666285867657615613'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4666285867657615613'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2011/07/chope.html' title='Chope'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-3328716944415539402</id><published>2011-07-18T04:17:00.002-03:00</published><updated>2011-07-18T04:25:18.616-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Ocre ou A fruta mordida</title><content type='html'>Eu havia deitado na cama e esperava ele se aproximar. Era gostoso, esse intervalo da espera, eu ouvia a água do chuveiro batendo nas paredes do box, nos ladrilhos do chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mal sabia o que esperava por ele naquela cama meio malcheirosa, fato que era peculiar a todo o quarto e pensando bem, a todo aquele motel barato. Um cheiro ocre. Nenhum casal escolhia o lugar pelo bom gosto ou discrição, mas pela necessidade. Era barato, era rapidamente acessível a quem trabalhava na cidade e tinha um quê de excitante aquele aspecto de local que pode ser invadido pela polícia, pelo juizado de menores, pelas associações dos bons costumes, por todas as mães de família da cidade protestando - todos juntos, uma só voz - contra aquele antro no coração da capital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto ele estava no banheiro, tirei o vestido, soltei o cabelo e me deitei de bruços apenas com a calcinha de algodão. Queria ver como ele ia sair do banheiro e, sobretudo, queria olhar aquele caralho e guardar na memória. Porque eu tenho essa mania, essa coisa do caralho, de lembrar, fazer comparações mentais e apreciá-los quando aparecem de boa vontade. Não tive dúvidas da boa vontade daquele sacana quando apareceu, recém-saído da ducha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sorria, ainda que aparentasse certa insegurança com a situação. A primeira vez comigo? A primeira vez com outra? Ele havia saído de um relacionamento, o fato era mencionado com alguma constância nas conversas que ocorreram, assim como sua preferência por comida mineira, a admiração pelo pai, a torcida pelo Sport Club do Recife, o voto em Lula nas eleições de 89 movido por um amor frustrado. O que nunca havia sido mencionado era um autêntico dragão tatuado no braço, que fiz mister de elogiar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Devo abrir aqui um parêntese. "Menino do Rio" periga ser a minha música preferida. Quando eu era criança, o pai era vivo e adorava passar as tardes de domingo fumando maconha e ouvindo Caetano. Na época minha mãe dizia que não era maconha, era um cigarro de palha e pedia pra eu não falar na escola e nem na rua. Quando adolescente, descobri que era maconha mesmo. O pai já havia morrido, baleado num assalto, nunca prenderam o ladrão. Ele sempre parecia feliz quando tocava "Menino do Rio", os olhos fechados, os pés bailando no ar. Tem dias que até choro de ouvir.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele riu do elogio, um riso menos frouxo e mais homem. Tinha feito o desenho havia anos, de vez em quando esquecia que o carregava no braço e se surpreendia de vê-lo nos espelhos. Ele já olhava pra minha bunda naquela conversa jogada fora da tatuagem. Ai, o caralho ganhando vida, engrossando. Ele veio pra cama e continuei ali, de bruços, mas fechei os olhos. Uma das mãos pousou aberta bem no meio das minhas costas e foi acariciando até a bunda e então ele estava de joelhos, atrás de mim e a outra mão se juntou na tarefa de tirar a calcinha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sacana se inclinou e perguntou, o caralho certamente pronto para a resposta roçando nas nádegas, se eu queria que ele me chupasse o cu. Pergunta terminada, depositou um beijo quase invisível no lóbulo auricular. Se eu quisesse fazer qualquer objeção o beijo desmanchou a intenção de modo covarde. Pude sentir as mãos se apegarem com gosto nas ancas e o bafo dele cada vez mais próximo. Veio então algo que parecia cócegas, um leve choque elétrico, molhado, arenoso. Veio a minha voz também, sem que eu soubesse muito bem o que dizia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele percebeu que agradou praticamente no ato. Talvez fosse uma das vantagens de ter lá seus quarenta anos, saber ler o corpo de uma mulher. De algum modo intangível, a respiração dele passou a ditar a minha e logo eu me dei conta de que estava incapaz de abrir os olhos ou de me colocar de pé e fugir dali, por menos que o pensamento fizesse qualquer sentido naquele instante. O único movimento corporal do qual eu parecia realmente capaz, além de respirar, era forçar o meu rêgo na direção daquela língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De súbito, ele parou. Eu pensei que ele apenas estava procurando uma posição mais confortável ou retomando por breves instantes o fôlego, mas ele parou e se pôs novamente de joelhos sobre mim. Me olhava dali, transpirando confiança, o sabor da vitória na saliva. Eu sorria, embriagada daquele homem e dizia coisas desconexas. Fui incapaz de resistir ao impulso de oferecer os quadris a ele, as pernas se posicionaram em conjunto com meus braços de modo que me tornei uma mesa para ele se servir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele manejou com carinho a entrada, como se quisesse compartilhar comigo cada milímetro conquistado, cada veia, cada laceração. Um homem que tinha um dragão tatuado no braço que não conhecia há dois meses atrás. Assim que senti a barriga dele alcançar as minha nádegas, me veio a lembrança de uma tia que havia me dito que soube que havia conhecido o amor de sua vida logo que o seu futuro marido a convidou para uma valsa numa festa. Ela achava fantástico que um homem tão bonito houvesse decidido por ela entre tantas mocinhas bem-arrumadas no salão e ainda por cima dançasse tão bem, ela sonhava constantemente com aquela valsa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sabia que sonharia o resto da vida com aquele caralho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-3328716944415539402?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/3328716944415539402/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=3328716944415539402&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/3328716944415539402'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/3328716944415539402'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2011/07/ocre-ou-fruta-mordida.html' title='Ocre ou A fruta mordida'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-3282763743249366197</id><published>2011-06-03T18:31:00.005-03:00</published><updated>2011-06-03T18:41:58.692-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Felicidade</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Antes dela ter me largado, eu gostava do inverno. O inverno deixa Porto Alegre com a feição que a torna mais agradável a meus olhos e meus pés. Há um quê de silencioso nas noites da cidade entre maio e setembro, como se o vento fino tratasse de emudecer as calçadas e passarelas.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Os invernos ao lado dela tinham gosto de café quentinho, amanheceres manhosos e lavanda. Não fosse por ela e suas loções de pele, eu jamais saberia diferenciar lavanda de leite-de-coco. Mas ela pedia com dengo de namorada para que eu lhe espalhasse a loção pelas costas, massageasse os pés e assim se fez minha catequese.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Noite passada me vi solitário no meio de uma sala de estar feita para duas pessoas ou mais, aquele silêncio e o branco da luz me corroendo. Lá da rua chegavam o ruídos dos automóveis e dos jovens que se dirigiam a uma casa noturna que funciona a poucas quadras do meu apartamento. Ignorei a obrigação de acordar cedo para o trabalho na manhã seguinte e fui atrás deles, dos ruídos, dos jovens, dos automóveis, das luzes estroboscópicas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em menos de dois minutos lá dentro percebi que eu era um retrato em preto-e-branco, desses de gente que morreu, pendurado numa parede esquecida de repartição no meio de um desses videoclipes (vejam como sou antigo) de gangstas, com muita bebida, muitos casacos coloridos e sorrisos e beijos de língua. Duas meninas que tinham jeito de quem os pais devem tratar dentro de casa como ambas ainda fossem para a escola com fita no cabelo e lanche na merendeira dançavam no meio na multidão como se não houvesse uma legião de adolescentes sem lhes tirar os olhos, uma delas tinha sobre o lombo uma tatuagem tribal completamente hipnótica. Pedi rapidamente no bar outra latinha de cerveja morna para sobreviver a outros daqueles minutos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu lembro de ter sido tão jovem quanto eles todos algum dia, mas deve ter sido há muito tempo porque a minha única reação - além de gravar os detalhes da tatuagem da mocinha - era observar e sorver a latinha, de fato morna. O bom de ser jovem é ignorar esses velhos a sua volta, a não ser que haja qualquer coisa de ridículo ou interessante em suas figuras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que havia em mim, portanto, para que a moça da tatuagem se despreendesse da pista de dança e viesse na minha direção? Eu, cabelos brancos, cansado, maldormido, semibêbado. Não consegui me focar em nada do que a menina me disse, e seria complicado com aquela música tão alta e as pessoas se comunicando aos gritos. Mas reparei no desenho que sua boca fazia a cada sílaba, ou talvez já fosse a cerveja, eu realmente não deveria beber de barriga vazia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina se apegou de uma das minhas mãos e me arrastou, corredores, espelhos e finalmente a rua, o vento frio, o inverno. Ela então me perguntou, sorrindo, se eu não iria realmente lhe dizer meu nome. "Sou apenas um homem velho, querida, fuja de mim". "Você é engraçado, mesmo".E então me beijou de tal modo que fomos parar no meio daquela sala onde eu morava, a poucas centenas de metros da calçada, a luz agora apagada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Me come de quatro, amor. Goza na minha cara."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes dela ter me largado, aquela sala não era tão grande. A moça tatuada tomou um banho e se foi, já passavam das 3 da manhã e eu nem tinha jantado. Fiquei pensando que ela depois de me largar iria dar pra outro cara, numa outra sala de estar, dormir noutra cama, passear noutras calçadas. Esse outro cara lhe espalharia lavanda nas costas, quiçá no cu, numa ocasião especial. Esse outro cara iria ser feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu iria trabalhar com sono e dormi ali no sofá mesmo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-3282763743249366197?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/3282763743249366197/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=3282763743249366197&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/3282763743249366197'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/3282763743249366197'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2011/06/felicidade.html' title='Felicidade'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-8775339149432587320</id><published>2011-05-16T13:15:00.001-03:00</published><updated>2011-05-16T13:17:43.880-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>"I have forgiven Jesus"</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #333333;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;O deputado federal Jair Bolsonaro representa uma grande quantidade de brasileiros que se ufana de sua moralidade transviada. Há mais bolsonaros por aí do que podemos supor, mas poucos tem a convicção e a certeza (e os microfones apontados para si) que recheiam as falas e ideias do nobre militar do Exército Brasileiro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="color: #333333; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #333333; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Bolsonaro, aliás, só tem os microfones que tem por conta da falta de pressão que a sociedade brasileira relegou aos crimes praticados pelo Estado Brasileiro durante o período da sua saudosa Redentora, entre 1964 e 1985. Enquanto uruguaios, chilenos e argentinos preferiram reabrir a tampa dos próprios porões para lá encontrar não somente seus mortos e desaparecidos por conta da política de extermínio ideológica posta em prática nos anos de chumbo do Cone Sul, mas especialmente os assassinos, mandantes e cúmplices que a puseram em marcha, no Brasil se optou pelo esquecimento, como se os 21 anos de Regime Militar não houvessem deixado consequências dignas de reparo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #333333; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #333333; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A postura medrosa do país de não passar a limpo a violência praticada em nome da Segurança Nacional e suas consequentes reações (a esquerda também matou e também foi anistiada) é o que empresta a Jair Bolsonaro a sua moral. Entusiasmado defensor da tortura enquanto método de investigação policial, o deputado não vê impedimentos para defender em público que&amp;nbsp;crianças homossexuais apanhem o quanto for preciso para se tornarem heterossexuais (sic).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #333333; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #333333; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Bolsonaro enfia na sua definição de imorarilidade tudo aquilo que ele não consegue compreender em função de uma estupenda ignorância. Não temos a obrigação de compactuar com a existência de um imbecil desse quilate a não ser que ele nos responda por seus atos e opiniões.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #333333; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #333333; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;A melhor defesa contra o tipo que ele representa é que pressionemos a sociedade, nossos representantes eleitos para o executivo e legislativo, nossos juízes e promotores e procuradores a não deixar passar a oportunidade (e o tempo, sobretudo o tempo, o nosso bem mais caro) de passar a limpo as consequências e injustiças cometidas pelo regime de exceção que não apenas torturou, censurou, matou, prendeu e arrebentou, mas também, convém não esquecermos, roubou e se locupletou de dinheiro público enquanto obrigava a gente brasileira a vestir verde-e-amarelo e sorrir de medo.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Ps: Morrissey, roqueiro inglês, lançou em 2004 um álbum ("You Are the Quarry") onde a terceira faixa leva o título brilhante de "I Have Forgiven Jesus" ("Eu Perdoei Jesus"). Homossexual, Morrissey se declara no título da canção capaz de perdoar o grande símbolo da Santa Madre Igreja Católica Apostólica Romana, uma das instituições que menos toleram a ideia de um relacionamento entre dois homens ou duas mulheres - até porque ela mal tolera a ideia de se jogar sêmem ao léu numa salutar punhetinha. Versos da canção seguem abaixo.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #333333; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;"&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;But Jesus hurt me&lt;br /&gt;When he deserted me, but&lt;br /&gt;I have forgiven you Jesus&lt;br /&gt;For all the desire&lt;br /&gt;He placed in me"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desnecessário dizer, Bolsonaro passa longe da nossa ideia de santo.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-8775339149432587320?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/8775339149432587320/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=8775339149432587320&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/8775339149432587320'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/8775339149432587320'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2011/05/i-have-forgiven-jesus.html' title='&quot;I have forgiven Jesus&quot;'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-15954610931306012</id><published>2011-05-09T18:31:00.003-03:00</published><updated>2011-05-10T13:12:44.466-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Rosalinda</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse; font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;As bochechas rosinhas sobre o branquinho da pele ficaram tatuadas em minhas pupilas. Seu nome era Rosalinda, não à toa, e quase ninguém deixava de suspeitar que a moça brincava conosco ao se apresentar assim. Ademais, que moça em franca adolescência no final dos anos 90 ainda se chamava Rosalinda?&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Rosalinda não só se chamava Rosalinda, tinha o odor das flores prometido dentro de cada beijo. Eu era apenas um rapazote muito jovem, jovem e poeta juvenil o suficiente para passar horas idealizando as moças que me apaixonavam e mais horas rabiscando versos a respeito delas, idealizadas, diáfanas, rosalindas. Em geral, confesso, para as mesmas moçoilas a quem eu dedicava versos eu também dedicava punhetas - poetas juvenis não faziam lá muito sucesso com as moças - e nisso aí, no amor solitário (uma vez poeta, poeta sempre), eu gastava a maior parte do tempo restante quando não idealizando meninas e as versando dentro das minhas capacidades.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Talvez se eu fosse um rapaz mais proativo e menos poeteiro, decerto os anos derradeiros da década de 90 me dariam lembranças menos fantasiosas dessas meninas às voltas com festas da faculdade, encontros estudantis, blusinhas justas e alcinhas de sutiãs vistosas. Era um tempo confuso, onde eu bebia muito e bebia mal, no que acabei por me notabilizar entre meus pares da faculdade de comunicação social em alguns meses - outros colegas já eram mais sábios e se notabilizaram pelo sucesso entre as meninas, percebam, esses eram felizes e sabiam. Eu me tornei o cara que era amigo delas, uma espécie de derrota moral das mais fragorosas. Elas conversavam comigo, bebiam comigo, dançavam comigo, liam as minhas poesias e até choravam no meu ombro mas jamais se atiravam a meus braços embriagadas e me roubavam beijos, não acordavam nuas ao meu lado, não se magoavam com as minhas mentiras.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Ocorre que se eu fosse outro que não eu, talvez Rosalinda haveria de passar adiante de meus olhos despercebida. E de Rosalinda eu não consigo abrir mão. Rosalinda sorriu desde a primeira conversa, ainda calouros, a cerveja meio morna e o som alto demais. Mesmo naquele ambiente, meus olhos de rapaz desabituados ao cinismo enxergaram as bochechas da menina que desenhavam covinhas nos sorrisos e rosavam sem mais porquê ou aviso, graciosas. Em meio a um monte de bobajadas e trocadilhos baratos, creio que a convidei para um cinema nos dias vindouros e ela, pasme-se, disse que sim.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Aconteceu o cinema, aconteceram mais festas, mesas de bar aleatóreas, conversas enquanto esperávamos ônibus após as aulas, trocamos e-mails, trocamos - anos dourados - versos! Rosalinda se chamava Rosalinda, fato, mas não era essa criatura bobinha e barata que lhes pareço vender, pelo contrário. Rosalinda tinha um namorado que era ciumento e incomodava a moça em função dos ciúmes. Brigavam de tempos em tempos e depois reatavam, era um desses amores fadados ao fracasso onde ambas as partes não querem terminar de vez por motivos que só dizem respeito a eles, mas eu desconfiava que o namorado de Rosalinda tratava era de comê-la muito bem comida sempre que se mostrava necessário, pois bem.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Um dia, porém, a sorte sorriu para mim. Foi numa dessas viagens de feriado emendado para um sítio de amigos onde celulares não davam sinal de vida e o namorado ciumento (porém ausente na ocasião) de Rosalinda não haveria de incomodar. Rosalinda sorria diferente, me olhava muito mais mulher que o usual, estava bastante próxima e muito atenta às minhas palavras durante toda a viagem. Se o beijo dentro da piscina naquele fim de tarde foi premeditado ou não, jamais me dei ao trabalho de investigar. Só lembro de me tornar em minutos homem feito, decidido, varão.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Não restou mais nada que fizesse sentido a não ser nos metermos no primeiro cômodo vazio a nossa vista do sítio, um banheiro que ficava próximo da piscina. Com a pressa e o desespero daqueles que precisam ir com fome ao prato, Rosalinda me deitou embaixo de si, me baixou o calção e pôs-se sentada sobre a minha pélvis, enquanto eu procurava manter os olhos abertos e fixos naquela mulher. Eu queria gravar aqueles minutos na memória para o caso de nunca mais poder ver Rosalinda diante de mim se desvencilhando da parte de cima do biquíni logo após ter usado de uma mão decidida para colocar o meu ego dentro de si.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Eu, rapaz muito mais bobo que poeta, não poderia prever que aquela ocasião seria apenas uma primeira vez e que Rosalinda terminaria com o namorado ciumento na semana seguinte para se desvencilhar de biquínis e blusas e sutiãs outras vezes mais diante de meus olhos até o final da faculdade, quando ela foi embora para Londres e eu arrumei emprego em Porto Alegre. Gravei a sua voz me pedindo para não gozar dentro, gravei como seu rosto estava transformado durante essas palavras, gravei o cheiro de cloro que se misturou a suor e tesão no azulejo do chão onde estávamos, como ela sorriu de me ver gozando (felizmente, não dentro dela).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Sobretudo, gravei como a sua buceta era linda de se olhar, como se o odor das flores prometido dentro de cada beijo se transmutasse em carne e fenda no meio de suas pernas, lindas e rosas.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-15954610931306012?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/15954610931306012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=15954610931306012&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/15954610931306012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/15954610931306012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2011/05/rosalinda.html' title='Rosalinda'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-4717953474157789921</id><published>2011-03-17T10:20:00.002-03:00</published><updated>2011-05-25T18:35:02.290-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Cangote</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Calibri;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Georgia, 'Times New Roman', serif;"&gt;Ela sonolenta pela manhã e um dia tão frio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela abre os olhos e percebe o tempo fechado, o vento na janela, a vida em reclusão do lado de fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se repuxa pro meu colo e resmunga contra o dia tão cinzento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Bom dia, meu amor”. Ainda estou dorminhoco e a voz quase inaudível, mas profissionalmente carinhosa - e o profissionalismo não perdoa jamais: a voz emenda a saudação matinal com uma declaração inesperada, mas não inverídica. “Te amo tanto”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma rajada mais forte sacode a janela do quarto, logo ao lado da cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela procura o ouvido que disponho mais próximo de sua voz e nele segreda, com um gostoso demorar nas entrelinhas, “te amo também, seu bobo”. Ela percebe que tenho um sorriso dela no rosto, mesmo de olhos fechados. Completa sua resposta com uma mordidela no meu pescoço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim desperto de verdade, com seu hálito de mulher me invadindo a boca. Ela se demora no beijo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela clama por beijos impublicáveis. Ela toma a inciativa de fazer daquela manhã de inverno uma noite de solstício.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ainda tenho tempo de direcionar o ar que deixa meus pulmões e sorrateiramente se vale da minha língua, meus dentes e lábios para alcançar o lóbulo e logo um pavilhão inteiro de um ouvido dela para lá depositar a palavra que a definia em todo: gostosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me oferece o cangote desnudo - e, sem demora, muito mais.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-4717953474157789921?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/4717953474157789921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=4717953474157789921&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4717953474157789921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4717953474157789921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2011/03/cangote.html' title='Cangote'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-4216025645505972723</id><published>2011-01-19T11:05:00.007-03:00</published><updated>2011-01-19T11:27:29.651-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>mas ela disse não</title><content type='html'>&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse; font-family: arial, sans-serif; font-size: 13px;"&gt;a&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;bri a porta do apartamento e ela estava lá. parecia que havia chorado&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;momentos antes, mas não quis me dizer. não quis me dizer muita coisa&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;naquele dia. o apartamento, todo branco, contrastava com seus cabelos&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;escuros, seus olhos escuros.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;entrei, fazia calor, peguei um copo de água gelada, demorei a beber.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;desabotoei a camisa e fiquei com ela assim, aberta. perguntei o que&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;tinha havido.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;ela me pediu desculpas, tornando a chorar. aí pediu outras desculpas&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;pelas lágrimas que voltavam a cair.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;então disse que estava cansada de chorar e que queria sentir alguma&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;coisa mais forte que o próprio coração. me abraçou e me pediu que a&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;abraçasse bem forte. no seu abraço, ela me tirou a camisa e me roubou&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;um beijo.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;dentro do beijo, me pediu uma trepada, tinha uma urgência no pedido,&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;eu deveria ter desconfiado, mas antes de pensar só consegui mesmo foi&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;ficar com o pinto duro do beijo dela, da língua me invadindo a boca, o&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;hálito de mulher.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;o chão da sala era de madeira corrida, era frio mas era bonito e tinha&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;a janela da sala, que era enorme, o apartamento era grande e&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;recém-comprado, não tinha dado pra comprar cortinas mas a gente não&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;ligava. fomos nos despindo presos pelas bocas, ela procurando pela&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;paudurescência, minhas mão se enfiando por dentro do sutiã.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;ela mordeu, arranhou, me gritou nomes feios. sua pele branca corou e&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;suas narinas dilataram. as lágrimas é que pareciam não secar. diante&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;daquele choro tinhoso, que não cessava, era como se eu houvesse&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;falhado. ela me segurava dentro de si enquanto o pinto murchava&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;banhado de sêmem, suor e ela.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;ela disse que estava me deixando. as suas coisas estavam arrumadas no&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;quarto. disse que a culpa não era minha e que não conseguia mais ficar&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;naquele apartamento, não conseguia mais não deixar de querer fugir de&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;nós dois.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;nos vestimos calados, aquela sala imensa. segurei na sua mão e disse&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;que ela não podia ir embora assim. pedi pelo menos mais aquela noite.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;mas ela disse não. deixou as chaves na porta.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;abri as enormes janelas e subi no parapeito. ventava bastante ali pelo&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;décimo andar. um cômico temor se apossou de mim quando me pus de pé&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;diante da cidade, sob um céu sujo mas estranhamente bonito. poucas&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;pessoas circulavam na rua, menos ainda dentro do espaço do condomínio.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="border-collapse: collapse;"&gt;havia um sorriso em mim quando me deixei cair.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-4216025645505972723?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/4216025645505972723/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=4216025645505972723&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4216025645505972723'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4216025645505972723'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2011/01/mas-ela-disse-nao.html' title='mas ela disse não'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-5681476686023171778</id><published>2011-01-17T20:19:00.000-03:00</published><updated>2011-01-17T20:19:33.046-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Dengo</title><content type='html'>“Ai, menino.” Ela reclamou logo no segundo minuto. Era uma graça até reclamando, sei porque adorava reclamar – de mim, pelo menos. O ralho ficava mais no gestual das mãos que nas palavras propriamente ditas. Depois de certo tempo de convivência, eu gostava de ouvir seus ais e meninos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tinha um mistério. Nem sei porque escrevi isso, que ela tinha um mistério – quero dizer, sei o porquê, mas não sei explicar o mistério e então vai parecer meio tolo tentar escrever a respeito. Era como se entre cada arremedo de frase, a cada negaceada de olhar ou entre cada riso dissimulado ela me sonegasse uma verdade muito definitiva sobre si. Tenho certeza que ela ria de mim pelas costas ou caçoava minhas tentativas de alcançar seu significado secretamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era só isso, tinha mais. Ela possuía algo no modo como caminhava também. É fácil a pessoa ouvir – no caso, ler – “modo como caminhava” e pensar (fatalmente) que estou me referindo às nádegas da moça. Ledo engano. Porque, a despeito de suas voluptosas e matreiras ancas, falo de algo mais, que havia no ato dela caminhar, não a presença física, mas como o tempo reduzia o passo e as coisas perdiam a importância subitamente, perdiam o som, perdiam a cor. Talvez tudo isto fosse somente eu perdido dentro de mim à procura daqueles caminhos que ela percorria. Mistérios, como deixei explícito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Retorno ao segundo minuto, ela ralhou e eu fiquei em suspenso. Perguntei o que houve. Podia ser a música mas aí não era minha culpa, a música vinha da rua, do carro de som que passava naquele instante. Não era a música, ela sentenciou bastante séria, definitivamente mulher, mulher como poucas eu havia de conhecer. A mão arrumou a franja que já lhe caía aos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu só queria fazer tudo certo, pelo menos naqueles instantes. Sabe quando você se depara com uma chance na vida de fazer bem feito algo que você desejou bastante por muito tempo? Então. Ela sabia disso, que ela era bem mais que as outras, que nem foram tantas, mas foram outras, não ela. Ela gostava de ouvir quando eu ligava tarde da noite ou cedo de manhã pra lhe gracejar, havia uma sinceridade na sua voz, no modo como ela pronunciava meu nome.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontecia também que ela me escrevia e eram cartas longuíssimas – sim, cartas escritas à mão, envelopadas, seladas, devidamente endereçadas. Não eram cartas de amor, eram outra coisa. As cartas traziam a meus olhos os desamores que a gente arranja em nome do amor, os passos em falso e os conseqüentes tropeços. Traziam, sobretudo, ela, que se dava ao exercício de reservar tempo e palavras à mão para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu sabia de antemão que o amor lhe fez largar uma faculdade, desistir de um par de empregos, trocar o número do celular algumas vezes, quase desistir do mestrado e interromper uma dieta que funcionava. Sabia igualmente que um sem número de vezes ela havia dado um pé no amor por um sorriso que funcionara, por uma conversa calhorda ou em função de desejo puro e simples – quando simplesmente não se cansava de tudo, das flores, dos jantares, das convenções e das tentações frustradas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando ela disparou aquele torpedo no meu celular avisando que estava a caminho eu simplesmente deveria saber. Ela tocou o interfone e subiu para o meu apartamento. Ela entrou com pressa porta adentro. Havia se arrumado, mas não muito. Sorriu e se postou à minha frente e pediu um beijo. Não havia promessas, não havia confissões, não havia delongas. Havia, porém, eu, um homem que sonhava demais ou quiçá beijava de menos. Quando ela tirou a blusa, não resisti a dar um passo pra trás para olhar aquela criatura que povoava sonetos dentro de meus banhos. E decerto perdi o foco daquele instante, que era dela, apesar de meu também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Já tive amor demais pra essa vida, menino, e amor cansa.” Amor cansa, ela disse. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não queria saber do meu dengo, só do meu quengo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-5681476686023171778?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/5681476686023171778/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=5681476686023171778&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/5681476686023171778'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/5681476686023171778'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2011/01/dengo.html' title='Dengo'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-8087811645537543757</id><published>2011-01-11T19:36:00.002-03:00</published><updated>2011-01-11T20:02:18.146-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Auto de fé</title><content type='html'>Ela ajoelhou e sorriu. Pegou dentro da bolsa um batom e reforçou o vermelho nos lábios. Ela guardou o batom e me segurou com uma das mãos. A boca se abriu e se encarregou de me engolir o músculo. Havia método, graça e fé naquela mulher que me chupava o pênis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não tinha pressa. Era como se aquela ereção não me pertencesse e ela estivesse no comando; como se o quarto, o barulho do ar condicionado, as buzinas do trânsito, a luminosidade da lâmpada e a ação das minhas gônadas estivessem todos sob ordens daquela mulher e sua fé. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela havia esperado meses. Ela havia perdoado atrasos. Ela ligou avisando que me aguardaria naquele quarto, naquele dia, naquela hora. Não faria sentido esperar mais. Não era um convite, não era uma sugestão, não era algo que a minha opinião pagã tivesse poder de voto: era um auto de fé. "Ou você aparece, querido, ou não precisa mais aparecer", e desligou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não se judia da fé alheia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando reabri meus olhos, ela continuava lá. Os lábios continuavam na lida e nessa toada que parecia cada vez menos finita me tingiam de vermelho, deixando o caminho escrito na pele, as palavras da salvação. Santificada seja a nossa foda, venha nós o nosso gozo, assim na cama como no chão, favor nos deixar cair em tentação, amém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Posso jurar que ela abriu os olhos e foi nesse átimo, onde o tempo e o espaço são matéria subjetiva, poesia mesmo poder-se-ia arriscar, de seus olhos em súplica diante de mim que percebi que as preces daquela mulher seriam atendidas. A porra saiu de mim feito a verdade e a vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mulher recebeu a prova da fé nos lábios. Os lábios agora menos vermelhos se lambuzavam de rosa e branco. Não há carne nesse mundo capaz de resistir à força da fé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro daquela boca estava a primeira parte do nosso evangelho. Ela de joelhos, eu de pé, o tempo longe. Me pus de joelhos e ela sorriu. Avancei para o beijo e dentro dele veio o sabor abençoado de um fruto sem ventre. Em algum canto daquele quarto, em algum espaço entre nossos corpos, devia estar sibilando uma serpente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ou decerto havia uma vermelha maçã perdida na penumbra de nossos suores.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-8087811645537543757?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/8087811645537543757/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=8087811645537543757&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/8087811645537543757'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/8087811645537543757'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2011/01/auto-de-fe.html' title='Auto de fé'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-8181287264843652438</id><published>2010-12-29T16:13:00.002-03:00</published><updated>2010-12-29T16:31:34.452-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Final de festa</title><content type='html'>Estavam os três em silêncio naquele dia 1º de janeiro, a tarde quase noite, a praça deserta e suja. São Paulo vazia sob um céu azul quase anil e o trio em suspensão rondando a Roosevelt, olhos de ressaca. Volta e meia Ana, a falante do grupo, comentava algo para não deixar a mudez tomar conta do caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olavo era o homem, ex-marido de Dinalva, que era escritora e estava de passagens compradas para uma temporada em Berlim. Olavo era fotógrafo, Ana queria ser atriz. Olavo caminhava alguns metros adiante, a cabeça baixa, as mãos nos bolsos, uma ansiedade por conta da falta de cigarros e locais abertos onde comprá-los. Olavo era dez anos mais velho que Ana e cinco mais velho que Dinalva. Olavo amava aquelas duas mulheres e sabia disso, mas não sabia como amar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ana e Dinalva se conheceram nas vésperas do ano novo. Olavo convidou um pequeno grupo de amigos até seu apartamento nas proximidades do Copan. Ana e Dinalva estavam entre os convidados e permaneceram com Olavo mesmo após o ano começar e as pessoas saírem do apartamento para a rua, outras festas, outros amigos. Havia cerveja na geladeira, havia até duas inacreditáveis garrafas de Martini Dry.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinalva descobriu que Olavo havia feito as mesmas cagadas com Ana, o mesmo tipo de mentira que resultaram nas mesmas respostas covardes. Ana lhe disse que só havia ido porque precisava ver com seus olhos se aquele homem havia mudado alguma coisa, porque havia tanto amor e cumplicidade que quando romperam Olavo se mudou de São Paulo e foi viver dois anos no litoral, em Santos. Dinalva não falou nada, mas se ressentiu. Ao terminarem seu casamento, apenas quatro anos antes de Olavo e Ana terminarem, o ex-marido apenas teve uma fase de três meses puteando e bebendo feito adolescente (segundo ela apurou, puteando mais que bebendo, chegando a comer uma prima sua e duas amigas que vinham de antes da faculdade).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinalva perguntou se ele havia mudado, mesmo sabendo a resposta. Olavo permanecia aquele homem capaz de encantar e mentir. Ana confirmou. Então Dinalva explicou que havia ido para se despedir, porque iria lecionar literatura brasileira em Berlim, sem data e sem desejo de retornar em breve. Não queria partir sem ver Olavo, o homem que havia registrado num clique um brilho de seus olhos que ela nunca desconfiara possuir. Foi naquela foto enviada de presente com moldura que nasceu o amor - Olavo havia sido contratado pela editora para fazer o boneco da autora que iria na orelha do livro de estreia de Dinalva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olavo estava alegre, expansivo, provavelmente alcoolizado. Vestia branco, sandálias, camiseta, calça e cueca. Tinha a barba feita e o cabelo cortado rente. As duas mulheres o acharam bonito, mais magro. Após a virada, ele se aproximou de ambas com o sorriso do conquistador. Achava encantador - e usou essa palavra exatamente - que elas estivessem ali, omitindo que o encanto vinha de suas duas ex-mulheres mais notáveis na sua sala de estar conversando entre si. O apartamento foi se esvaziando e no final havia os três e a atual namorada de Olavo, que já ronronava num sofá desde os fogos e os espumantes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele então se levantou e foi até a cozinha, voltando com as garrafas de Martini Dry num balde cheio de gelo e um trio de taças de plástico amarelo-limão. Dinalva contou que estava indo embora, talvez em definitivo, dali a dois dias. Ana omitiu que sua menstruação já deveria ter descido havia duas semanas e que o provável pai era um homem casado e avô. Olavo disse que sentia saudades de ambas, como se fosse possível dizer ao mesmo tempo às duas as palavras falhavam em particular.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A confissão de Olavo gerou um incômodo na forma de silêncio que durou quase um minuto inteiro. "Você é um filho da puta, mesmo", Ana verbalizou e quebrou o silêncio. Havia uma mágoa sincera naquela frase, no olhar, nas mãos de Ana que embruteceram e cerraram-se. Dinalva riu e Olavo seguiu o riso, idiotas. Ana foi desarmada e riu, sem entender como. O riso levou ao contato físico, Olavo era um sacana e Dinalva gostava daquilo, dele ser um filho da puta. Dinalva percebeu como ele enchia as taças e as fazia sorrir, percebeu a intenção quando ele trouxe um baseado para a conversa, percebeu a mão dele alcançando suas pernas enquanto a boca já estava nos lábios de Ana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordaram em separado, primeiro a namoradinha que achou o trio nu à sua frente, se vestiu chorando e não teve coragem de acordar Olavo. Ana despertou com o bater da porta. Achou engraçada a cena, apesar de estar chocada. Vestiu o vestido de festa e saiu à cata de água filtrada. Ficou observando os dois dormindo no meio daquela sala, ambos nus. Gostava de saber que pertencia àquele quadro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olavo abriu os olhos e demorou a perceber onde havia chegado, e então sorriu, porque lembrava. Ana chupava os peitos de Dinalva ao mesmo tempo que segurava firme a ereção de Olavo. Dinalva se punha de quatro e Ana lhe abria as nádegas com as mãos para Olavo meter. Dinalva implorando pra meter a língua e chupar o gozo de Olavo da buceta da outra. Ana voltou com mais um copo d'água e Olavo lhe deu bom dia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dinalva dormiu mais. Acordou com Olavo e Ana já vestidos, de banho tomado, fumando na janela. A cidade estava deserta lá embaixo. Tinha a lembrança e agora um arrependimento. Como se deixara levar tão facilmente outra vez por aquele homem? Chorou no banho. Não lembrava que havia gozado de uma forma que apenas a sós com o ex-marido nunca havia feito. Talvez não quisesse lembrar. O cigarro tinha acabado, saíram os três para tentar achar um lugar aberto, tomar um café, qualquer coisa que servisse como café depois de cinco da tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Andaram em torno da praça. Veio um mendigo e ele gritava para a rua que ninguém mais era dono da Rúsvel, só ele era dono da Rúsvel. O mendigo tinha um cigarro aceso que Olavo quase filou. Ali pela altura da Augusta, uma padaria estava miraculosamente aberta. Sentaram-se e cada um pediu uma coca. Olavo conseguiu os cigarros. Ana repetiu que ele era um filho da puta, dessa vez quase resignada. Dinalva então suspirou, "sim, mas o melhor filho da puta que eu amei".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro breve instante, o silêncio. Então veio da rua uma senhora que se sentou no balcão e pediu uma cerveja. Aos poucos, o ano iria começando. Dinalva se despediu e foi embora. Ana e Olavo ficaram a sós, ele tentando sorrir. Ela então disse que estava grávida e triste que não era dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele, então, disse que não tinha problema. Que eles poderiam tentar, que seria diferente, melhor. Ela queria acreditar naquelas palavras. Amava aquele filho da puta. Dormiram juntos naquela noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então, pela manhã, Ana acordou menstruada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-8181287264843652438?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/8181287264843652438/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=8181287264843652438&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/8181287264843652438'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/8181287264843652438'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/12/final-de-festa.html' title='Final de festa'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-7599265336019183664</id><published>2010-12-18T14:51:00.001-03:00</published><updated>2010-12-18T15:31:08.174-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>A rainha da lotação</title><content type='html'>Todos os dias, às 19h17, sai uma lotação Auxiliadora-Iguatemi da Alberto Bins, no centro de Porto Alegre, mais precisamente na Praça Otávio Rocha. Conforme fica bastante ilustrado na plaquinha de itinerário alocada junto ao vidro da frente do veículo, seu destino final é o próprio Shopping Iguatemi da capital, uns 40 minutos mais adiante ou menos, dependendo do humor das vias, do motorista e do destino, esse capricho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É líquido e certo que sai uma anterior a essa no horário das 18h57 e uma mais adiante quando decerto o relógio do Mercado Público registra dezenove horas mais trinta e sete minutos, precisão afirmada não por mim, veja bem, mas pelo folheto que cada lotação carrega consigo à vista de passageiros curiosos numa folha de papel presa no painel de vidro que separa o banco do motorista dos assentos que ficam imediatamente atrás. Posso afirmar ser líquido e igualmente certo que outras (e quiçá sejam as mesmas, mas me faço entender) partem do mesmo ponto rumo ao destino citado através das costumeiras vias em outros horários, mas estas não me importam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisamente na lotação das 19h17 um fenômeno ocorre logo que o coletivo faz a curva para sair da Doutor Flores e apontar na Rua da Praia, onde há uma lanchonete e uma loja de ternos marcando a esquina, em direção à Independência. O motorista encosta o carro e abre a porta para adentrar um passageiro, que, devo dizer, é uma mulher, portanto uma passageira. Ela então sobe as escadas toda de branco, sapatos baixos e olhos castanhos, por vezes cansados. O motorista lhe deseja boa noite e sorri. Eu aposto que ele, como eu, havia passado a meia-hora anterior temendo que nesse dia ela não o estivesse a esperar naquela esquina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque a mulher daqueles olhos que carregam tanto silêncio não imagina o efeito que causa ao adentrar na lotação. O cabelo crespo nem todos os dias se revela solto e selvagem, mas quando assim se mostra, ela então caminha entre os assentos soberana, a rainha da lotação. Em silêncio, todos os homens que se encontram admiram a mulher procurar por seu assento e lá se acomodar. O motorista aguarda parado no ponto para que ela não tropece ou desequilibre, e somente faz este agrado a ela. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os olhares dos felizardos dentro da lotação se esbarram, cúmplices. Há aquele natural sorriso mútuo, imperceptível a olho nu, comunicando as maiores obscenidades possíveis sem a emissão de um som sequer - um código entre homens de entendimento universal. Ela se aloja quase sempre nos fundos do veículo e passa o resto do trajeto calada, ouvindo rádio através do celular em fones de ouvido. Ela ficará então em seu mundo particular até o ponto final, quando será uma das últimas a descer, ganhando a rua e indo para sabe-se lá onde, para casa, para o emprego, para os braços do amante, para qualquer lugar onde outros homens decerto a esperam feito eu e o motorista.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fosse eu um sujeito colhudo, faria algo para aproveitar o caminho em comum e ganhar sua atenção. Talvez ganhando a atenção da moça de branco e pele escura por segundos eu teria a chance de convencê-la a descer e me seguir, como se houvesse para onde levá-la se assim procedesse. Não que eu resida num pardieiro, muito pelo contrário, mas a arrumação do meu apartamento em muito se deve ao fato de que nele também se encontra a minha esposa. Chegar com a rainha da lotação em casa após um dia de trabalho iria me demandar, a curto prazo, uma boa explicação e a longo prazo, desconfio, a contratação de seguranças para garantir minha integridade física nas ruas da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se eu escrevesse versos? Se ela gostasse, iria sorrir. Mas também iria querer saber mais, mais dos versos, mais de quem os fez e aí eu começo a me complicar. Ela iria acabar inquirindo a respeito do motivo, porque eu poderia fazer versos sobre tudo, aposto que há versos sobre as mais variadas coisas, até sobre ônibus. Como eu iria dizer àquela mulher toda de branco, de olhos tristes e castanhos e calados, andar macio e lábios indiferentes algo como "há tanta poesia em você que me dá até vergonha de ler o pouco que fui capaz de te tomar emprestado"? E o que há pra ser dito ou mesmo feito diante de uma mulher após esse tipo de confissão? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, convenhamos, uma mulher daquelas deve receber durante o dia todo tipo de gracejos e cantadas, deve perceber os olhares se esmerando em desnudá-la por esquinas, corredores, salas de espera. Supondo que as roupas brancas sejam a vestimenta de ofício, que ela seja médica ou enfermeira ou nutricionista, dentista ou recepcionista que seja, batalhões de desamparados ocupam cotidianamente seus ouvidos com súplicas para que ela dê jeito na ferida que acabou de ser aberta em seus corações, na febre terçã que lhes invadiu de súbito, que ela veja se há algo errado em suas vistas porque parece que um anjo está falando com eles. Nem pretendo entrar no terreno do baixo calão, imaginem vocês o tipo de coisa que uma mulher bem fornida no porte e nas curvas precisa aguentar. Ela iria amassar o versinho e jogar longe, iria me olhar de cima a baixo e reparar na aliança; posso sentir o desprezo no olhar ao perceber o adúltero diante de si. Pior, ela iria trocar o horário ou o caminho ou os dois e babau, o motorista iria me marcar ("Vou te matar, fiasquento, não fuja" ele diria aos berros enquanto escapo em desabalada carreira) e também eu teria que trocar meu trajeto de volta pra casa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por que, afinal, nesse mundo moderno, estou supondo que a rainha da lotação precisa ser uma criatura casta e alérgica a maus caminhos? Vejam vocês onde posso acabar entrando, com trocadilho e tudo. Ela pode apenas estar esperando que um de nós tome a iniciativa: o motorista, o boy com a pasta cheia de contas vencidas, o universitário cabeludo, eu. A roupa branca e a pontualidade podem ser artifícios calculados com nuances de sadismo, assim como a indiferença nos lábios, o andar macio, o castanho nos olhos, o crespo selvagem. Imagine os olhos se avivando, os lábios se entreabrindo e a confissão que ela já não aguentava mais esperar que eu tomasse uma atitude, o pedido para que eu a arrastasse dali para qualquer lugar, qualquer um mesmo, vamos ali que tem uma sombra e quase ninguém vai nos ver. E se eu tivesse que levar comigo a visão dela refletida em espelhos de teto, ela de cócoras, ela baixando as calças, ela fechando os olhos e respirando pesado nos meus afazeres cotidianos? Meu cotidiano envolve atender telefonemas, beber café, contar piadinhas insossas aos colegas de ofício, ler relatórios e corrigir eventuais vírgulas fora de lugar, lembrar de comprar água, pão que acabou, não esquecer do aniversário dos parentes. Se estou no futebol de toda quinta de noite e na hora de arrematar ao gol um seio me surge na penumbra dos quartos escuros dos amantes, perco o gol, meu time perde o jogo por minha culpa e a desatenção pode me privar de ver o zagueiro adversário chegar junto e me quebrar uma perna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, todo homem deveria saber bem essas coisas, quando a mulher te dá com alegria, ela acaba se apoderando de você, em maior ou menor escala. Eu, homem casado, não teria a menor chance de sobreviver intacto quando ela começasse a me cobrar mais do que simplesmente a proveitosa prática. Vai que por detrás do silêncio se camufle uma dessas amantes que se tornam mais possessivas a cada encontro, mais invasivas, mais constantes? Um belo dia eu vou me achar na situação de dever satisfações a duas mulheres, uma com direitos de fato de se apossar de parte do meu salário e saberei lá que mais com o martelo de um juiz moralista, outra sem nada a perder e nutrida de bastante frustração e desejo de vingança. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso me resigno a não existir para ela. É mais seguro. Deixo essa rainha para um rei à sua altura, que não tema a força que vive imersa naqueles castanhos. E por garantia, a partir de amanhã vou tentar chegar a tempo de tomar a lotação das 18h57. A minha esposa vai gostar que eu chegue mais cedo em casa. Só não levo flores porque ela vai desconfiar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-7599265336019183664?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/7599265336019183664/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=7599265336019183664&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/7599265336019183664'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/7599265336019183664'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/12/rainha-da-lotacao.html' title='A rainha da lotação'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-6329184863446435988</id><published>2010-09-08T13:23:00.001-03:00</published><updated>2011-05-25T18:35:24.498-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Ouro Preto</title><content type='html'>Andávamos em silêncio, dois amantes. Ainda que o amor não estivesse mais entre nós. O amor é complicado e eu não sou paciente, acabo dificultando demais e aí o amor se perde em reminiscências, períodos longos, vírgulas fora do lugar, adjetivos em excesso. A culpa era toda minha por aquele amor fracassar. Eu fracassei. Andávamos em silêncio e ameaçava chover.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentamos para almoçar e ela sugeriu a lasanha. Pedi uma cerveja, mas ela pediu uma coca dietética. Quis dizer que ela ficava linda em silêncio, mas acendi um cigarro e deixei por isso mesmo. Havia algo de diferente entre nós e eu finalmente havia percebido, após tanto tempo. Eu queria não sentir raiva, fingir insignificância, conversar sobre nós dois e o resto do mundo. Só consegui agradecer ao garçom pela cerveja e pedir um cinzeiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sei se ela me odiou por aquele silêncio, aquela cerveja e mais nicotina no ambiente. Veio a dúvida se ela havia me amado pelos amores jurados, pelas noites em claro, por tanto mar. Pela primeira vez em muito tempo tive dúvidas do que dizer a ela para quebrar a minha ausência naquela mesa, e só estávamos nós dois sentados ali. Tive medo do que dizer. E nem queria que fosse nada importante. O mais importante não precisava ser dito, já estava estampado naquela fotografia viva do casal – ele olhando para dentro da cozinha, ela olhando para a rua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela sorria, de leve. Sorri de volta. E a tarde passou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-6329184863446435988?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/6329184863446435988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=6329184863446435988&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/6329184863446435988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/6329184863446435988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/09/ouro-preto.html' title='Ouro Preto'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-5607704310710664765</id><published>2010-08-22T20:12:00.000-03:00</published><updated>2010-08-22T20:12:46.371-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Bunny</title><content type='html'>Bunny era dessas moças branquinhas feito leite que não podem nem tomar sol em demasia sob o risco de desbotar. Gostava de ficar deitada, de olhos abertos e a boca calada, a cabeça noutro lugar. Gostava de ficar bastante tempo assim nos finais de semana, nos dias de folga, no verão. Os cabelos eram longos e escorriam até quase as ancas, que eram fartamente imperfeitas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bunny tinha o nariz engraçado e os olhos castanhos, não muito escuros, não muito abertos. Bunny gostava de meia-arrastão e saltos, tão somente as meias e os saltos e mais nada. Uma vez, não sei como, talvez só de graça, houve um arco com orelhinhas de playmate no cabelo e foi inesquecível. Bunny sorria o tempo todo, parecia uma bonequinha japonesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bunny se esparramava aonde chegava, fosse numa cama, num carro, numa festa. Tomava para si todo o ambiente possível, toda a música, todo o ar, toda a luz. Ou apenas meus olhos e ouvidos e senso de atenção. Nunca soube ao certo, apenas me fixava nela, em algo que ela tocasse, nas palavras que de sua boca caíssem, feito jujubas sendo derrubadas acidentalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bunny não tinha hora certa e endereço conhecido.  Tinha curvas em profusão e uma barriguinha boa de morder.  Quando aparecia, todo o tempo lhe pertencia e o único lugar que fazia sentido era onde ela estava. Com alguma sorte, ela me dedicava até um sorriso preguiçoso e sincero do fundo de seus olhos – ou, ainda melhor, beijos, beijos longos, beijos arredios, beijos difíceis de percorrer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bunny era manhosa e gostava de se deitar de bruços com as costas em obscena exposição. Não haveria homem nesse mundo capaz de lhe negar a boca, a língua, a ereção indômita e tenaz. Bunny relaxava e sorria, sapeca e matreira. Ela se sabia senhora daquela cama, daquele corpo, daquele homem que lhe percorria, lhe instigava, lhe perscrutava tatilmente. Se deixava estar ali a meu alcance e apenas respirava, existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bunny não gostava de quartos escuros e corredores barulhentos. Não gostava de chocolate branco e ruas cheias. Bunny não gostava do meu ronco noturno e de minhas unhas compridas. Bunny não gostava de janelas fechadas. Bunny gostava de tocar violão e me ver bocejar. Bunny gostava de estar sobre mim, ajoelhada no chão, no tapete macio da sala, no colchão ortopédico, me olhando de cima. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bunny gostava de sutiãs escuros. Verdes, vermelhos, fúcsias, negros. Sempre deixava que eu lhes abrisse durante beijos, declarações, mentiras inventadas ao pé do ouvido, abraços mal-intencionados. Os sutiãs eram sempre especiais, dotados de lacinhos, arabescos, contornos e mistérios. Então caíam, deslizavam pelos ombros, desapareciam na penumbra, eram lançados para outra galáxia. Ato contínuo, Bunny me puxava para si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bunny possuía aqueles peitos maternais e leitosos. A brancura da carne exposta parecia ainda mais alva perto das auréolas, quase transparentes, um rosa-carmim invisível, delícia aos olhos. Surgiam de dentro de blusas, sutiãs, lençóis, suas mãos e toalhas, surgiam nas minhas noites insones, no fundo dos meus copos de uísque, nos banhos demorados em invernos solitários.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, sem um aviso prévio, sem um bilhete por baixo da porta, sem uma mensagem através do garçom, sem uma carta anônima que fosse, sem nenhuma senha, nenhum piscar de olhos ou qualquer ultimato Bunny surgiu esguia, misteriosamente liberta das ancas imperfeitamente fartas, das costas impossíveis, das leitosas mamas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tentou ainda convencer dentro de um corpete negro feito a noite, os cabelos longos presos numa cauda pecaminosa, a boca obscenamente rubra. Fiquei ponderando acerca do monstro que lhe havia costurado o estômago, receitado bolinhas, lhe metido em academias, lhe retalhado em cirurgias e succionado mecanicamente a alegria da minha vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bunny, Bunny, que desgraça. Nunca mais quis lhe ver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-5607704310710664765?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/5607704310710664765/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=5607704310710664765&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/5607704310710664765'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/5607704310710664765'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/08/bunny.html' title='Bunny'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-7340783277506063529</id><published>2010-08-11T21:10:00.002-03:00</published><updated>2010-08-17T11:51:00.287-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Lucinha</title><content type='html'>Lucinha correu para o portão de embarque, foi o que me contaram ao menos. Já tinha despachado as bagagens e até tomado um café com pão de queijo no aeroporto. Disseram ainda que ela sorria, mas eu jamais acreditei nessa parte. Porque Lucinha correndo por um aeroporto e sorridente era algo bonito demais e eu não poderia suportar passivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me restou caminhar até o mezanino do aeroporto, de onde daria pra ver o imenso jumbo que partiria dali para Paris com Lucinha lá dentro, seus olhos sob lentes escuras afixadas numa armação caríssima. Fiquei horas ali de pé, encarando o vidro. Famílias e amantes e amigos a sorrir e a adivinhar os aeroplanos, tomando sorvetes, mordiscando sanduíches - com sorte, nenhum deles jamais iria perder Lucinha para um momento de dúvida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O avião sumiu no céu pouquíssimo após a decolagem. A culpa era toda minha. Sandra, irmã de Lucinha, me encaminhou uma mensagem por celular logo após - "vc só pode ter merda na cabeça". Resumia bem o estado de coisas, o meu estado de coisas ultimamente. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucinha havia me olhado e dito claramente que iria embora caso eu não tomasse a minha decisão. Ela fumava o cigarro mais depressa quando tensa. O cigarro parecia queimar mais rápido em seus dedos, ela havia pintado as unhas de azul escuro, estavam bonitas. Talvez eu não tenha acreditado, ali na hora, que ela realmente fosse embora. Talvez as unhas de azul tivessem desviado meu foco de atenção. Talvez intimamente eu quisesse mostrar a ela que mesmo que eu não tomasse a decisão nos seus termos, ela, Lucinha, me amaria o bastante para não me deixar - e depois me pediria desculpas, me escreveria desculpas, me cobriria de beijos desculposos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não me amava. Não assim, como eu queria que fosse. Eu só poderia ter merda na cabeça para acreditar que Lucinha seria tão submissa. Mesmo porque antes de Lucinha houve Sandra, sua irmã mais velha. Sandra morou comigo um par de anos e nos separamos quando a fadiga apareceu no meio de nós. Menos de duas semanas após vender o nosso apartamento Lucinha, minha ex-cunhada, me viu saindo do escritório da agência, era um dia de reunião com clientes, eu de terno e olheiras, barbeado, uma gravata horrorosa. Ela tinha ido deixar seu currículo de estudante de arte, precisava de um estágio ou um emprego, para impressionar usava um vestido não muito formal, os cabelos presos num coque, unhas descoloridas, sandálias de verão. Se tivessem nos vistos juntos na recepção, me demitiriam na hora, para contratá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi uma conversa breve, eu ainda constrangido pelo desconforto da lembrança de Sandra em Lucinha, decerto não impressionei. Sequer fui capaz de me colocar à disposição de lhe prometer uma força para ela conseguir a vaga. O constrangimento aumentou quando me dei conta de que, ainda durante essa tensa e breve conversa, caiu a ficha de que Lucinha era uma mulher linda. No dia seguinte, no escritório, Paulo, que havia participado da entrevista de Lucinha, me disse que ela tinha um bom portifólio, tinha se saído bem, se ela não podia começar o estágio me acompanhando eu e o Mauro, meu diretor de arte. "Uma semaninha só, pra ela pegar uns macetes com vocês. Depois a gente vê se ela continua", ele completou. "Claro, Paulo, por que não?". Paulo era um dos sócios da agência, um dos meus chefes, um dos caras que poderiam me demitir qualquer dia desses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias depois dessa conversa com Paulo, eis Lucinha de pé e sorridente, os cabelos ainda presos, unhas ainda descoloridas, calças jeans e blusa de manga, um casaquinho. De pé no meio da sala de criação, Lucinha em coisa de meio minuto silenciou a dezena de duplas que ali trabalhavam. O Mauro me olhava, com uma nesga de esperança que se abriu num erótico sorriso quando me pus de pé e caminhei na direção de sua nova estagiária. Durante coisa de uma semana, Mauro e eu fomos verdadeiros reis naquela sala. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucinha já estava havia mais de um mês na agência e um dia fomos almoçar juntos, era um sábado. Ela estava com os cabelos soltos, recém-cortados, um batom carmim, as unhas em vermelho bem vivo, combinavam com os tênis. Parecia ter os olhos tristes mas era cansaço, era uma semana puxada na agência, véspera do dia das crianças e coisetal. Ela esperou até estarmos no elevador a sós e então me disse que Sandra estava saindo com outro homem, disse assim mesmo, como se me dissesse que o dia estava quente ou que o elevador era muito lento. O nome dele era Sandro, não é irônico, Sandra e Sandro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Sim, era irônico. Mas foi um almoço silencioso dali em diante.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante a semana que se seguiu ela pediu desculpas pela lembrança da irmã umas três ou cinco vezes. Na terceira ou na quinta, eu finalmente ri diante dela e então ela sorriu de volta. Parece realmente brega porque não foi pra você o sorriso. "Eu acho que te devo um almoço", eu disse e ela não parou de sorrir, tão menina. Paguei o almoço dias depois, ela pediu um lugar aberto para fumar - fumava Marlboros vermelhos feito a irmã, minha ex-mulher. Os olhos conservavam ligeira semelhança e as maçãs do rosto, mas Lucinha possuía contornos mais doces nas sobrancelhas e nos ombros; caminhava sobre pernas mais finas e pés mais compridos. Ela possuía menos ironia e mais pressa. E lábios mais finos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suas palavras fluíam sem muitos freios. Em dado momento disse que o tal de Sandro não era tão bonito quanto eu, e mesmo que ela não tenha tirado os olhos de mim ao sentenciar, eu fiz que não era tanto. Eu também não queria que ela soubesse por mim como um grande amor havia se transformado em pequenas mesquinharias. Não queria dizer a ela que dois meses antes do final Sandra decidiu que éramos ruins demais para termos um filho e abortou. Não quis dizer que ao saber do aborto, eu lhe bati de mão aberta, no rosto. Ela não precisava saber que durante três semanas não nos falamos, mesmo dividindo a cama e em um par de vezes trepamos mesmo assim. Eu poderia acabar confessando, pela corrente de memórias que haveria nisso tudo, que só havia guardado três fotos de Sandra comigo: o primeiro retrato que fiz de seu rosto, quando nem namorados éramos; uma foto de seus pés, que tirei numa viagem de carnaval; uma imagem desfocada que mostrava parcialmente seu rosto no momento do orgasmo, data desconhecida. Estas três fotos era tudo o que havia restado porque o resto eu queimei numa fogueira no meio da sala, com uísque nacional e Jimi Hendrix. Fui expulso do condomínio em dois dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As palavras de Lucinha, desde aquele primeiro almoço, não mais encontraram obstáculos. E Lucinha não me poupava suas opiniões, citações e ideias. Ela era bem sorridente, de um modo distinto, como se houvesse nascido para princesa - daquelas princesas que jamais envelhecem e nunca se tornam sisudas rainhas. Ela tinha um quê da Holly Golightly de Audrey Hepburn em seus melhores dias. Um dia me roubou um beijo num final de expediente, perto da máquina de café, à guisa de primos que se escondem da vista dos avós nas férias de verão. Eu já tinha todo o discurso de fuga pronto, havia treinado em frente ao espelho, para não começar algo onde eu não poderia garantir minha segurança, como me apaixonar por Lucinha e iniciarmos um romance. Ela não me deixou dizer qualquer coisa: disse que me esperava na lanchonete do final da rua, e, sorrindo, sorrindo, disse pra que eu não demorasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desarmado, caminhei as duas quadras entre a agência e a lanchonete tentando não parecer que havia retornado aos meus quinze anos e caminhar ao encontro de uma menina a pedido dela não era um vórtice de incertezas. Seguia me fixando num mantra interno, "tente não parecer o idiota que você pode ser agora". Bastaria falar bastante pouco e não esquivar minhas verdades daqueles olhos eternos. Ela tinha os cabelos presos numa piranha, um coque propositalmente casual porque levava pouca maquiagem, sequer batom ou brincos. A banda, se é que era uma banda, estampada na blusa curtinha eu ignorava totalmente. As unhas estavam negras, como em raras oportunidades. O all-star vermelho, seu preferido, sujo, mas charmoso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não tive a menor chance de fuga. Nenhum homem teria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi assim que em coisa de par de meses ela adquiriu o hábito de acordar na minha cama, raramente vestida com mais peças do que uma camiseta e uma calcinha. Eu perdia no ar qualquer objeção àquilo tudo diante de Lucinha seminua - era canalha que eu levasse minha estagiária pra cama, era imoral que ela fosse minha ex-cunhada, era desleal que eu não confessasse que ainda estava meio perdido na vida. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então numa dessas manhãs ela despertou e eu já estava na cozinha, tomando um café, lendo um livro e acordando. Ela apareceu lá e disse que no dia seguinte, um domingo, seria uma "boa ideia" almoçarmos na casa da irmã, Sandra, minha ex. Olhei para ela na esperança de que fosse uma piada, uma pegadinha, uma senha qualquer. Era apenas a ideia de almoçarmos juntos, Sandra, eu, ela e Sandro, naturalmente. Acendi um cigarro e fiquei ouvindo ela dizer que sentia falta de almoçar com a irmã aos domingos. Faria sentido eu me negar se confessasse que eu não estava pronto para assumir nosso relacionamento para Sandra, nem pronto para reaparecer diante de seus pais agora de mãos dadas com a filha mais nova. Faria sentido demais para quem não estava diante de Lucinha naquela manhã, os olhos cheios de sono, de remela e os pés descalços.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao menos não dei vexames públicos no almoço de domingo, nem na janta do domingo seguinte com os pais, nem na festa de aniversário de algum sobrinho, ou na ceia de natal e, inacreditável, nem no jantar de noivado de Sandra. Entre tais almoços e jantares e festas, Lucinha largou o estágio na agência porque uma editora ofereceu uma vaga melhor em seu departamento de ilustrações e me deu de aniversário um quadro que havia feito: era eu sentado de costas olhando uma moça que caminhava apenas de calcinha. Era bonito feito ela, o quadro. Eu eventualmente tomei uns pileques, chorei covarde umas noites escondido e contei a Sandra numa ocasião que temia por mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sandra já levava no anelar direito um bonito anel, tinha ido visitar a irmã que estava no banho e eu contei a ela, não lembro as palavras, mas contei que não estava seguro daquilo tudo, Lucinha e eu juntos há seis meses, ela havia me cativado ainda frágil e me deixei levar. Sandra então disse que Lucinha era mulher feito ela e que eu deveria me comportar feito homem, assumir meus crimes quando necessário. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No nosso aniversário de sete meses Lucinha enfim perguntou se seria um problema ela se mudar para o meu apartamento. De fato, ela só passava no apartemento dos pais onde oficialmente morava poucas horas. Mudas de roupas já habitavam meu armário, além de escova de dentes, de cabelo, o carregador do celular, textos de faculdades e outros pertences que já faziam parte do meu apartamento, um tanto dela. Eu disse que ela deveria se mudar, se ela quisesse, mas o fiz sem aquela alegria toda que se esperava. Ela não gostou do tom da minha resposta e assim teve início nossa primeira briga digna de nota. Foi a primeira vez que jurei amor a ela assim, em voz alta, fora da cama ou de qualquer contexto óbvio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Eu te amo, porra! Eu te amo, que merda, eu te amo." Foram essas as palavras e talvez o amor cheio de porra e merda não ficasse tão bonito a seus olhos. Ela recolheu os pertences e foi embora para sempre, para a casa da irmã. Foi Sandra quem me pediu ao telefone para ir lá resolver a situação no dia seguinte. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui com o carregador do celular que ela tinha esquecido, flores e um "eu te amo" sem merda e porra de recheio, mas igualmente sincero, ainda que um tanto medroso e carente. Confessei que tinha medo de estragar tudo, medo de fazê-la ir embora, medo de perder outra vez. Disse que no dia seguinte eu iria a seus pais anunciar que iríamos morar juntos - houve um dado momento em que vislumbrei o perdão dentro dela e a partir daí eu diria qualquer coisa, por absurda que fosse, só para que ela voltasse comigo pra casa, o que ela fez. Queimei toda a minha dignidade e autoridade de homem do relacionamento ali, amassando as flores enquanto mendigava Lucinha de volta - eu podia SENTIR Sandra às minhas costas achando toda a situação patética.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas do instante em que ela voltou pra casa, foi uma espécie de glória. Trepadas imortais. Levei um vinho caro na noite seguinte para anunciar a seus pais que estávamos indo morar juntos. A mãe dela chorou e me abraçou com a mesma sinceridade de quando levei a mais velha. Lucinha usava um vestido rosa comedido, unhas descoloridas, o cabelo solto e penteado, brilho nos lábios. Ela me levou até seu quarto e disse que me amava por aquela noite, tinha um tom de voz inédito e que nunca mais ouvi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esse paraíso de trepadas e declarações durou duas semanas e meia. O clima na agência começou a ficar pesado com demissões e trabalho demais. Lucinha trocou a editora por outra agência e acabou se arrependendo. E chegou uma proposta para passar um ano na França numa especialização acadêmica, que um professor havia indicado o nome dela. Lucinha balançou com o convite para morar um ano em Paris estudando. Eu estava cercado de contas para pagar e havia perdido aquela juventude que empurra as responsabilidades pra outro dia em troca de alegrias, mesmo as mais pequenas e cotidianas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lucinha mencionou Paris uma, duas, três vezes e eu não fechava uma posição. Protelava, divergia, argumentava. Então veio o ultimato, numa noite em que ambos estávamos em casa na janta. As unhas num azul escuro, o cigarro tenso nos dedos, batom vermelho escuro. Ela iria embora em duas semanas. Não havia motivos para que eu não fosse - nada além de aborrecimentos. Seus olhos não mentiam, resolutos. Mas eu fiz que não e foi assim, eu, um perfeito imbecil. Ela saiu de casa uma semana antes e voltou pro apartamento dos pais. Não corri atrás. Ela mandou torpedos via celular que não respondi. Sandra me ligou dizendo que eu não tinha esse direito de ser tão estúpido. Eu ouvi passivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ela embarcou. Correu para o portão de embarque. Ainda comia o último pão de queijo. Usava os óculos que dei de presente nos quatro meses de namoro, um Gucci que eu levaria mais oito meses pra pagar. Unhas vermelhas, o cabelo solto, batom combinando com as unhas. Estava de jeans e camiseta branca. Estava até sorridente, por mais que tal sorriso que nunca pude ver me doesse tanto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-7340783277506063529?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/7340783277506063529/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=7340783277506063529&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/7340783277506063529'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/7340783277506063529'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/08/lucinha.html' title='Lucinha'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-4913083101662370622</id><published>2010-07-31T20:19:00.003-03:00</published><updated>2010-07-31T20:36:18.263-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Fiona Apple (de agosto de 2002)</title><content type='html'>A primeira vez que vi Fiona foi num domingo, daqueles bem domingões mesmo. Eu, inútil, morrinhava em frente à TV e de repente a imagem dela surgiu, rebolando, seduzindo, quase chorando. Eu acordei. Acordei pra vida em segundos, ela era linda, tristemente linda, cortava a minha alma em frangalhos de tão linda e triste que era. E a música era "Angel", do Jimi. Linda e cantando Jimi duma forma &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=HftdFu7nLEA"&gt;magistral&lt;/a&gt;. E parecia só uma menina. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei alguns dias com a imagem dela na cabeça e os sons ressoando no ouvido. E os sons eram muito bons, acho que era um desses acústicos pra MTV. Comecei a procurar pelo disco dela, nem que fosse pelas fotos que teriam no encarte, mas eu precisava tirar a prova dos nove com aquela guria. Acabei achando o "&lt;a href="http://en.wikipedia.org/wiki/When_the_Pawn%E2%80%A6"&gt;When the pawn&lt;/a&gt;", que já devia ter um mês de lançado naquela época. Ela sorri na capa (belíssima), mas não é um sorriso de todo alegre. Há um quê de melancolia ali. E o disco é fabuloso. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Recheado de pianos, o clima é meio de fim de romance, ela se entrega em letras que falam de abandonos, fracassos e decepções. Em "Love Ridden", apenas voz, piano e você tentando não chorar, porque ela mesmo está tentando ser forte e a partir daí, &lt;i&gt;only kisses in the cheek from now on and in a little while, we'll only have to wave&lt;/i&gt;. E ela segue encantando, linda que só ela. O disco é de uma tristeza só, mas a cada audição eu pinto um sorriso na cara. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois de uma semana ouvindo cheguei a conclusão de que estava apaixonado por Fiona. Eu precisava dela pra mim, precisava voz e da melancolia dela em minha vida. E, meu Deus, ela era linda. Eu quero casar com Fiona, de papel passado, com bolo e festa cafona. Com foto em P&amp;amp;B e juras de amor eterno. Com ela me cantando ao piano "I've got you under my skin" e a gente amando desesperadamente sobre o piano horas mais tarde. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiona, sim, é mulher pra casar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(O texto é de 2002, mas Fiona e essa declaração são eternas)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-4913083101662370622?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/4913083101662370622/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=4913083101662370622&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4913083101662370622'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4913083101662370622'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/07/fiona-apple-de-agosto-de-2002.html' title='Fiona Apple (de agosto de 2002)'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-2003987527544664998</id><published>2010-07-07T00:28:00.002-03:00</published><updated>2010-07-07T15:46:42.718-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Por favor, não</title><content type='html'>Até aquele dia, um domingo, sol morno, vento calmo, eu nunca havia ganhado um beijo de uma mulher usando um chapeu. Parece insignificante olhando assim, de fora, mas não é. Era um chapeu coco, preto, que eu nem sabia que havia no guarda-roupas dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu olhava para aquele maldito chapeu e tentava não pensar nela em lágrimas debaixo dele, me atirando pratos, me disparando nomes feios. Eu procurava ignorar que daquele jeito, sob aquele chapeu irrisório e mortal, aquela mulher estava linda, envolvente e bela como em raríssimas vezes, inclusas aí algumas das primeiras e últimas vezes onde ela se mostrou a meus olhos despida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chamava-se Sofia essa criatura que eu havia amado um dia como decerto não seria mais capaz de fazer com qualquer outra coisa ou outra mulher, inclusive ela mesma. Eis a minha desgraça que eu deveria transmitir de alguma forma para Sofia: o romance que houvéramos protagonizado estava chegando ao fim naquele instante. Ela, debaixo de seu chapeu coco preto, talvez nem desconfiasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não pense que faço pouco de Sofia. Digo que talvez ela não desconfiasse de minhas intenções naquele domingo porque às vezes as ruínas são assim, silenciosas, lentas, unilaterais. Não estávamos em vias de nada de extraordinário, poder-se-ia dizer um narrador em terceira pessoa - péssimo narrador, totalmente omisso de uma das personagens, talvez porque Sofia sempre iria roubar para si as atenções, os olhares, os desejos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na noite anterior mesmo eu havia, sem a menor sombra de falsidade, surpreendido a ela com um jantar, desses com trilha sonora, molho encorpado, cerveja importada acompanhando. Ela continuava a mulher mais linda de nossos tempos. Eu é que não fui dormir como deveria. Estava mal, devo dizer, porque infeliz. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E aí, vamos lá, infeliz com o quê? Sofia ninava a mulher mais mulher do mundo, aparentemente, porque havia eu de certa forma - e eu infeliz porque havia ela. O pensamento, este pensamento, veio e quis apaziguá-lo, mandá-lo pastar, fingir que não era comigo. Eu amava Sofia. Sim, mas aquele amor já dava seus sinais de desgaste e cansaço. O que eu amava em Sofia, e eu amava bastante coisa nela, começou a rarear em certas ocasiões particulares.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Primeiro foi um tom de voz em especial. Uma discussão boba, uma coisa cotidiana de casal, ela queria almoçar fora, eu precisava terminar um relatório para enviar a um colega de trabalho, veio o tom de voz. Parecia uma forma particular de espezinhar o íntimo do próximo. Comecei a notar que o tom de voz reaparecia sem aviso em outros contextos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Veio uma trepada ruim. Trepadas ruins acontecem. Aposto, inclusive, que a grande maioria das trepadas em nossa vida são ruins, precisam ser assim, para que aquelas realmente boas sobressaiam. Essa foi especialmente ruim, e ela sacramentou a ruindade simulando um orgasmo. Que merda. Foi exatamente o que me ocorreu então, que merda. Três anos e só hoje fui descobrir que não sei comer direito Sofia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu juntei essas duas impressões e comecei, instintivamente, a buscar nela o que havia de pior. Reparei que ela detestava os programas de televisão que eu queria ver, que ela aceitava passivamente minhas roupas, que ela só comia meu molho branco por educação. Tudo em silêncio, sorrindo, amando. E se ela também já antevisse o fim e começasse a se precaver, a buscar sinais, a procurar outro homem, um que a fizesse gozar, soubesse temperar o molho branco, soubesse usar mocassins? Era madrugada e eu estava cansado para conclusões mais elaboradas. E meio de pileque.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava infeliz, sim, diabos. Infeliz porque havia ela. Adormeci. Dormi sem problemas daí em diante. Quando acordei, domingo, estava resoluto. Basta de ser infeliz. Então, Sofia mais uma vez esfregou nas minhas fuças o quão bonita uma mulher pode se mostrar. Ela me deu até um beijo. A estrutura completamente puída por cupins e ela querendo levantar outro andar, era isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz menção de acender um cigarro e ela, pela primeira vez, segurou a mão do isqueiro e pediu: "Por favor, não". Não sorria mais. Disse que não podia mais, que não amava mais e que não ficaria mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez algum dia ela fosse capaz de explicar melhor tudo, se é que haveria algo mais a se explicar. Ela disse ainda, e também que era melhor sair dali da sala do meu modesto apartamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por favor, não, supliquei, o cigarro pendente e apagado nos lábios. Patético.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-2003987527544664998?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/2003987527544664998/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=2003987527544664998&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/2003987527544664998'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/2003987527544664998'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/07/por-favor-nao.html' title='Por favor, não'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-321622229891799445</id><published>2010-05-24T01:16:00.000-03:00</published><updated>2010-05-24T01:16:23.612-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Pelo telefone</title><content type='html'>O telefone tocou uma, duas, três vezes. Parou de tocar quando eu finalmente atendi, lá pela sexta vez. Era bastante avançada a hora e o toque parecia ainda mais estridente, mais invasivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá estava eu de pé, sonolento, ouvindo o sinal de ocupado na linha. Domingo de noite, vários toques, nenhuma nova tentativa. Deveria ser Diana, era bem típico, ligar numa hora que eu talvez não atendesse pra não correr o risco de ter que conversar comigo novamente. Era o jogo dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diana estava noiva, se não é que já havia casado então. Eu soube do noivado por mero acaso, por amigos de amigos do noivo e isso já fazia um tempo. Nos conhecemos antes de seu noivado, numa dessas ocasiões onde se bebe além da conta e o que pude entender que ela havia tido uma rixa com o namorado na antevéspera.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eles reataram o namoro menos de uma semana depois, mas foi o tempo necessário para ela fazer um trato comigo que não foi exatamente um trato de comunhão de bens. Dei meu telefone e email a ela e sempre que ela quisesse só teria que dizer a hora e o local; eu só responderia caso eu não pudesse ir. Depois de um mês, apareceu uma mensagem no celular: "Alvarado Motel, terça, 19h". &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As regras do jogo eram todas implícitas mas eu deveria pagar a conta do motel, não deveria perguntar sobre sua vida particular, nem deixar marcas no seu corpo. O jogo já durava quase oito meses, fora posto em prática seis vezes. Depois do terceiro encontro, começaram esses telefonemas em horas improváveis. Atendi um deles e uma Diana cheia de medo e silêncios ficou dez minutos na linha. Pediu desculpas, disse que precisava falar comigo e não conseguiu, ficava tropeçando nas palavras e no silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atendi mais quatro iguais e parei de ter pressa para atender as ligações. Ela não tinha obrigações comigo e estava com as rédeas do jogo nas mãos. Não tinha porque se sentir culpada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite, de pé, o telefone em mãos, quebrei o trato e liguei de volta. Após dois toques ela atendeu. Eu não pedi desculpas e tampouco me identifiquei. Disse a ela que gostava da voz dela quando pedia pra ser enrabada, o jeito como ela se oferecia. E desliguei, sem saber ao certo se havia gostado daquilo ou não.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dois dias depois apareceu uma mensagem no celular: "Alvarado Motel, amanhã, 19h". Quando entrei no quarto, ela já me esperava sobre a cama, oferecida. Apenas me olhou e ordenou, senhora do jogo: "Vem, me enraba".&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-321622229891799445?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/321622229891799445/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=321622229891799445&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/321622229891799445'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/321622229891799445'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/05/pelo-telefone.html' title='Pelo telefone'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-6179928168319029699</id><published>2010-05-05T22:29:00.000-03:00</published><updated>2010-05-05T22:29:45.284-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Pornô com história</title><content type='html'>A moça não falava. Não falava nada, não tinha interesse especial em palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pôs-se de cócoras, a bunda arrebitada, a calcinha toda enfiada no rêgo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Rêgo ainda leva acento?)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A cabeça, entretanto, pousada no travesseiro de lado, suave. Fechou os olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deitada, olhos fechados, muda, teve o engenho e arte de combinar as mãos e os quadris para baixar as calcinhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os joelhos dobraram-se, ela de gatinha, a calcinha ali pelas canelas, quase nos tornozelos. Engenho e arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Suspirei. E soltei meio sem jeito à meia-voz que ela era linda. Tive vergonha de me ouvir no silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela então levantou o tronco para me olhar com o canto dos olhos, me sorrir com o canto da boca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E fez mais. Recuou as ancas contra meu corpo, me sarrando feito veludo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então, ali de pé, deixei as calças caírem e tirei da cueca o caralho. Ela gostou quando percebeu que eu acariciava seu cóccix com minha ereção e rebolou de leve.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com uma leve manobra nos engatamos. Ela tinha um gosto bom que subia da carne e ia tomando conta do quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela cravou as unhas no travasseiro e baixou a cabeça de volta. Pelos lábios fluíam a respiração e se entrevinham os dentes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quis morder suas costas nuas. Quis puxar os cabelos. Quis entrar mais fundo. Quis ver seu rosto eterno naquele instante. Quis demorar mais um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nem seu nome pude segurar em mim, que escapou junto do gozo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desabamos no colchão e ela então sorriu e deixou a voz chegar a mim, numa risada tranquila e quase muda. Eu ainda nela, sentia o pau murchar naquele poço de sêmem e suor e buceta. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiz menção de levantar dali, sair dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então ela me prendeu. E disse pra eu ficar ali, dentro dela, não havia pressa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E assim dormimos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-6179928168319029699?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/6179928168319029699/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=6179928168319029699&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/6179928168319029699'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/6179928168319029699'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/05/porno-com-historia.html' title='Pornô com história'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-3108054798786889075</id><published>2010-04-27T22:43:00.001-03:00</published><updated>2010-04-27T22:59:36.467-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Ausência</title><content type='html'>Alice não veio. Outra vez. Não viria nunca mais, ela tinha me jurado. Ela foi bem sucinta em suas palavras que tento esquecer e não consigo, do mesmo jeito que rejeito aceitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Não vamos mais nos ver, acabou", falou Alice.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a querer desafiar a verdade dos fatos no terceiro dia sem Alice. A ausência física se materializou como se ela estivesse ali perto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ato contínuo, pus-me de pé, calcei sapatos, uma camiseta apresentável, escovei os dentes e ganhei a rua. Caminhei firme por duas esquinas e adentrei a cafeteria onde nos conhecemos por amigos em comum. Não era a esperança do reencontro ali no mesmo local, era a praticidade: da cafeteria, era possível avistar a porta principal do edifício onde Alice trabalhava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alice trabalhava de uniforme, era vendedora numa loja chique, o emprego era concorrido, exigia conhecimentos de inglês e espanhol. Ela trajava terninhos e tailleurs, acho que cada vendedora tinha uma peça diferente pra vestir por semana, ou combinações de peças, algo assim. Eu adorava moças de uniforme.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas Alice não veio. Nem naquele dia, nem em nenhum outro. Arrisquei voltas no quarteirão em horas próximas à sua saída, à sua chegada, arrisquei voltas do prédio durante o horário comercial. Em vão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um dia o porteiro do edifício começou a me saudar quando eu passava diariamente, noutro, as meninas que trabalhavam no café começaram a puxar papo com o cliente cotidiano. Ninguém conhecia Alice. Só eu e eu ela não queria encontrar, não queria me ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passados quatro meses, perdi a compostura e entrei na loja. Meus olhos estavam desesperados por ela. Alice estava ali, apontava a um casal um modelo de carrinho de miniatura. Alice estava ali e nunca mais repetiria meu nome, seguraria minha mão, me puxaria contra si nas noites frias. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei o resto do dia ali sentado. As vendedoras acabaram aceitando que eu estava ali sem oferecer perigo. Depois de uma hora, era como se eu fosse uma peça que ninguém es interessava, fora do catálogo. Alice sorriu para desconhecidos até o final do expediente e foi a única das vendedoras que não me abordou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não consegui mais voltar a vê-la. Era melhor me contentar a voltar a existir. Existir um pouco menos, em outras esquinas menos prováveis. Sempre à espera daquele impossível, Alice a sorrir outra vez em meu nome.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-3108054798786889075?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/3108054798786889075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=3108054798786889075&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/3108054798786889075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/3108054798786889075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/04/ausencia.html' title='Ausência'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-4129126055079332614</id><published>2010-04-15T19:31:00.001-03:00</published><updated>2010-04-15T19:32:41.846-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Rios de sêmem</title><content type='html'>"Por ela, verti rios de sêmem". Adoro a frase, por conta do uso - tão raro - do verbo verter. Quase ninguém verte coisa alguma e quando o faz, geralmente são rios de sêmem. Pode-se verter lágrimas e até verter sangue. Quando a mulher é objeto de rios de sêmem a serem, ou que foram, vertidos, ela certamente não é qualquer mulher.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/S8eRq4b8sjI/AAAAAAAAAxA/5W_R916WNEU/s1600/trip-187-capa-01.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/S8eRq4b8sjI/AAAAAAAAAxA/5W_R916WNEU/s320/trip-187-capa-01.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Nanda Costa é uma dessas que merecem rios de sêmem madrugada adentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/S8eR9zhdGjI/AAAAAAAAAxI/jxJ9cfyXMiI/s1600/trip-187-tripgir-14.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/S8eR9zhdGjI/AAAAAAAAAxI/jxJ9cfyXMiI/s320/trip-187-tripgir-14.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Nanda tem aquele charme das morenas de parar o trânsito travestido em sorrisos de moça sapeca. O tipo de mulher que leva o cidadão a barbaridades e falência moral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/S8eSUM4U36I/AAAAAAAAAxQ/MdnfBM0e75w/s1600/trip-187-tripgir-16.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/S8eSUM4U36I/AAAAAAAAAxQ/MdnfBM0e75w/s320/trip-187-tripgir-16.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Essas fotos covardes foram tiradas da edição deste mês da &lt;a href="http://revistatrip.uol.com.br/revista/187/trip-girls/se-liga-maradona.html"&gt;Trip&lt;/a&gt;. Nanda abusa do direito de ser bonita. Poesia pura.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-4129126055079332614?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/4129126055079332614/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=4129126055079332614&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4129126055079332614'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4129126055079332614'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/04/rios-de-semem.html' title='Rios de sêmem'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/S8eRq4b8sjI/AAAAAAAAAxA/5W_R916WNEU/s72-c/trip-187-capa-01.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-6490516111658110282</id><published>2010-04-06T02:27:00.009-03:00</published><updated>2010-04-06T02:42:23.472-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>A mulher honesta</title><content type='html'>Ela já avisou de cara que não iria dizer o nome em vão. O nome dela. Porque ela não queria saber quem era ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sacana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela avisou que não queria saber de nhenhenhém, assim mesmo, falou nhenhenhém. Ele não se lembrava de ter ouvido mulher falar nhenhenhém na hora do vamos ver e ficou intimidado. Quase broxou. Ficou acuado e menos macho. Ela percebeu e esboçou um riso, quase escárnio, toda ternura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não seja bobo, disse, não há o que complicar. Não conheço você, tu não me conhece. Estamos aqui juntos agora porque eu quis e agora vai ser assim, como eu quero. O moço, atônito. Só faltava pedir licença pra respirar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se esparramava pelas palavras, pelo quarto onde estavam, pelos olhos e narinas e ouvidos dele. Ele aguardava seu destino, já entregue aos caprichos de uma anônima no meio da tarde, dentro daquele quarto incolor, vítima de seus impulsos e da sua falta de maturidade. Mas gostava daquela situação, do absurdo total, de como ela ditava as palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele reparou na aliança dela, uma bonita, não podia ser tão bonita só de vaidade aquela joia, parecia preceder um compromisso, anunciar uma tragédia, revelar uma verdade bastante sólida. Verdade que ela não lhe diria jamais, verdade destinada a perecer desconfiança, dúvida, silêncio e omissão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela foi até a bolsa e apanhou o celular, desligando o aparelho. Não havia culpa, tampouco tensão. Ela então sorriu, sorriu e lhe fitou inteiro, se demorou no sorriso e respirou devagar. Ela descalçou as sandálias sem malícia e sem lhe tirar os olhos desabotou a saia, que era austera demais para aquela situação. Uma saia verde-musgo, que escorregava até quase as canelas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele fez menção de tirar a camiseta e ela então veio e num toque, o sentou na cama e logo ajoelhada, lhe descalçou os tênis e se desfez dos jeans e das meias e assim ficou, de joelhos no chão, os olhos fixos em seu rosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela então perguntou, como se ele fosse capaz de negar, se ele ainda queria. Ele sorriu, e ao sorrir pôs-se em movimento, fez-se o homem que ela aguardava, que ela abordou com um sorriso inesperado na parada do coletivo, que ela puxou pela mão sorrateira após duas esquinas de perseguição silenciosa rumo àquele quarto inodoro, ambos a dar o sinal para que o veículo parasse e fugindo das vistas do trânsito, da pressa, da razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deveriam permanecer anônimos, foi a condição que ela deu outra vez, prestes a lhe abocanhar o pau. E, já oferecendo a buceta em toda sua glória, ela então disse que apanhava aquele ônibus quase todos os dias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele guardou aquelas palavras, mas sobretudo guardou a glória. O coletivo o deixava longe de casa mas ele virou passageiro habitual. Ela não havia mentido e se cruzaram outras vezes anônimos. Nem sempre ela lhe puxava pela mão e nunca lhe disse seu nome, nem a razão - se é que a havia - da aliança tão poderosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Amou aquela mulher até perder a razão. Um dia, quando ela apanhou sua mão para descerem, ele sacou uma pistola e desferiu quatro balaços. Foi desarmado e surrado feito judas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-6490516111658110282?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/6490516111658110282/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=6490516111658110282&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/6490516111658110282'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/6490516111658110282'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/04/mulher-honesta.html' title='A mulher honesta'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-1547880172901047882</id><published>2010-03-27T05:26:00.002-03:00</published><updated>2010-03-27T05:49:05.759-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Vox populi, vox dei</title><content type='html'>Deu no jornal, deu na rádio, deu no tuíter, todo já sabe e já viu. O Brasil dorme tranquilo hoje porque a alma da menina Isabela foi finalmente lavada. A alma da Isabela, da mãe da Isabela, das criancinhas do Brasil - quiçá do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reza a lenda que houve foguetório quando o júri anunciou a sentença - 31 anos de cana pro tal de Alexandre Nardoni e outros 26 pra Madrasta do Ano, Anna Carolina Jatobá. Era de se esperar, infelizmente, tal reação das pessoas ao julgamento do caso, que desde cedo, foi tratado pela imprensa com ares de cruzada, ou uma espécie de realidade não tão ficcional onde o BEM teria uma derradeira chance de vencer o MAL no Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sim, jogar uma criança - ou um adulto, ou um velho, ou um emo, ou um ex-BBB - da janela do 6º andar é brutalidade e ponto final. Assim como é brutal torrar um mendigo por diversão, abusar sexualmente de menores de idade ou dirigir bêbado e matar quem atravessa o caminho ou senta de carona. É brutal quando uma sandice dessas nos esfrega na cara que por baixo de traquitanas recheadas de tecnologia ou dietas de auto-ajuda o homem é uma espécie errônea, capaz de cometer a maior das canalhices e não saber se explicar, porque às vezes não há mesmo o que dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma multidão que se pudesse mataria os dois condenados pelo assassinato da Isabella à surra ali mesmo, na porta do fórum, se regojizou porque finalmente houve justiça no Brasil. Vamos esquecer coletivamente que a própria polícia mata diariamente crianças ou adultos que dão o azar de se encontrar em linhas de tiro, ou de morar na periferia - o que acaba dando no mesmo. Vamos esquecer que o Sarney preside o senado e que Daniel Dantas, flagrado corrompendo como Arruda foi flagrado, continua livre para voar. Vamos deixar pra lá 19 brasileiros assassinados a bala em Eldorado dos Carajás e outros 21 em Vigário Geral.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A mesma multidão amanhã vai acompanhar o tal paredão histórico no Big Brother (optar por dar chance de ficar milionário da noite pro dia entre um cidadão histérico e um pré-projeto de neandertal) e terá a mesma sanha por justiça, alguns vão chegar em casa de noite carregados de frustração e aditivos e talvez sentem a mão em esposas, amantes, filhos, sobrinhos e segue o baile. Daqui a 3 meses, salvo algum fato mais extraordinário, ninguém mais vai lembrar o nome do promotor Cembranelli.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tal Alexandre Nardoni, vale dizer, como a nova geração de comediantes tupiniquins, parece carregar o fardo da babaquice na própria existência. O que sei dele é que vivia às custas do pai e tinha tendência a bater nos filhos e nas mulheres. Na prisão, deprimido, engordou dez quilos. A outra condenada se destacou recentemente porque abraçou o Evangelho de resultados, já faz a imagem de boa-moça na cadeia, em breve entra com pedido pra sair em liberdade provisória e pode até conseguir. Pimenta Neves, assassino confesso, conseguiu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Infelizmente, o Brasil não é o país da justiça, mas o país da grana. Tendo grana e um bom álibi, safamo-nos todos. Talvez essa verdade tenha levado as tais 200 pessoas pra porta do fórum lá em SP clamar por justiça e alimentar em segredo o desejo de dar um pau nos assassinos. Ou talvez foi a presença das tevês mostrando tudo ao vivo, em especial o clamor popular nas ruas, a chance de aparecer antes da novela mesmo não sendo global, não tendo em casa a última traquitana eletrônica e nem bala na agulha pra bancar a mais recente dieta de auto-ajuda. Que se faça justiça a quem não tem grana, pelo menos essa noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Resta a essa gente, a eu e você, o grito, os fogos, o linchamento. E sorte pra não ficar no caminho das balas que se perdem, dos bêbados que dirigem, das chuvas que afogam, das torcidas que guerreiam e das luzes que apagam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-1547880172901047882?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/1547880172901047882/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=1547880172901047882&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/1547880172901047882'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/1547880172901047882'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/03/vox-populi-vox-dei.html' title='Vox populi, vox dei'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-7195783207894459108</id><published>2010-02-16T15:57:00.000-03:00</published><updated>2010-02-16T15:57:14.743-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>A minha Mangueira</title><content type='html'>A minha Mangueira desfilava tão linda que cheguei a quase chorar de frente para o aparelho televisor, totalmente emudecido de saudades e a quilômetros daquilo. Minha mãe me ligava pra me dizer que o carnaval estava no papo, o samba era lindo, as pessoas na avenida cantavam e choravam, cantavam e sorriam, cantavam e pulavam. Ah, o carnaval.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu apenas sorria ao telefone, embasbacado e tal. Em meio ao desfile, a televisão mostrava subcelebridades alcoolizadas, repórteres histéricos, pessoas felizes em estar no meio daquilo que era, sem dúvidas, um grande acontecimento. “O maior espetáculo da Terra”, gostavam de frisar de três em três minutos. Não estavam de todo enganados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apareceu então, num relance, Nina. Os mesmo cabelos, um novo sorriso, um novo cara a seu lado, parecia gringo, era ruivo e estava suando em bicas, deveria ser gringo, escocês, irlandês, nórdico, ele era alto, tinha um chapeu de gringo e uma latinha de cerveja na mão. Apareceu por breves instantes no meio da arquibancada e logo se foi, cortaram para uma atriz mostrando seus novos glúteos, muito bonitos por sinal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu tenha qualquer coisa contra os glúteos femininos, porque os adoro, especialmente vistos de perto, onde podemos observar detalhes que só o olho humano é capaz de ler: as celulites, eventuais cicatrizes, sinais, a marca da calça jeans que apertou durante o dia, as linhas dos elásticos das calcinhas, a cor. O sujeito precisa ter um trauma muito sério ou estar necessitado de uns pescotapas para ignorar essas pequenas gotas de poesias que cada mulher pode oferecer a olho nu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele ruivo certamente apreciava os glúteos de Nina, glúteos que um dia me demorei em ninar, sim, Nina e ninar, não foi acidente, foi propósito. Não pretendo relatar o que havia naqueles glúteos porque o gringo devia saber e eu um dia soube, quem mais precisar saber que descubra por conta própria, mas aparentemente ia ter que se ver com o rapagão ali. Nina não era digamos, uma dessas mulheres-bundas, não tinha o abdômem de pugilista nem coxas de lateral esquerdo. Era nisso em que residia sua graça, incluindo aí, seus glúteos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A Mangueira fez paradinhas infinitas, desfilou seus próprios glúteos, seus próprios sambas, alegorias em profusão que me silenciaram naquela madrugada solitária em meu apartamento. A cada corte, eu torcia para que a televisão acompanhasse meus olhos e se voltasse para Nina, para que eu pudesse saber, se ela era de fato Nina e não uma lembrança que me tomou de assalto movido sei lá por que cargas d’água. Em vão, a Mangueira se foi e logo o público que acompanhava o desfile também e a talvez Nina e seus pares, o gringo e seus glúteos. Se ele fosse um cabra bom, ia passar o braço em torno daquela cintura e pousar a mão matreira sobre um deles, um carinho, um agradecimento, uma promessa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo pode ser algo muito feio se não tivermos sorte ou talento. Ele corroi, ele abrasa, ele arranca os cabelos, ele nutre de gordura, ele arranca dentes, ele desgasta o viço. Para a minha vista, Nina não havia sofrido o achaque dos anos e continuava a moça que me roubou fôlego e coração. Ou será que o coração também cega a vista quando quer?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-7195783207894459108?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/7195783207894459108/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=7195783207894459108&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/7195783207894459108'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/7195783207894459108'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/02/minha-mangueira.html' title='A minha Mangueira'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-3819058927948164330</id><published>2010-02-12T01:31:00.000-03:00</published><updated>2010-02-12T01:31:27.073-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Ela</title><content type='html'>Ela gostava de ficar por cima e então se mexia como se fosse música, mas era eu apenas que não cansava de olhar o corpo dela, os músculos, o umbigo, as imperfeições todas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vinha logo o cheiro e eu ficava muito excitado com o cheiro que vinha, de calor, de coisas que não confessávamos, do meu pau, da buceta dela. Quando aparecia o cheiro, era como se houvesse um recomeço e a nossa foda finalmente estava acontecendo e aí podia cair o mundo, todas as bombas atômicas em desenvolvimento, todos os governos eleitos democraticamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sintonia fina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela por cima me olhava e tomava conta de que nada fosse me faltar, nenhum beijo, nenhum pedaço. Se oferecia a mim, a minha boca, ao meu caralho, às minhas mãos. Parecia gostar daquilo, daquele se dar, daquele se dar a mim. Nossas bocas acabavam se encontrando no meio e se demoravam, se mordiam, se juravam, mesmo que fosse apenas por falar, por cobiça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nenhum dos dois reclamava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não era sempre que ela queria que eu gozasse com ela por cima, mas quando queria, ela ia na frente e me arrastava com todas as unhas que o diabo havia lhe dado. Ela também gostava de me deixar por trás, de joelhos e ela se punha feito felina, nas quatro patas, o rabo empinado. Eu me sentia o maior dos garanhões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Porque ela queria que fosse assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim foi até que algo saiu dos trilhos e nunca mais ela empinou o rabo, nem eu lhe parecia um negro gato. Nunca fui capaz de entender o momento da ruptura, quando tudo começou a simplesmente se desfazer e um dia nus, concordamos que aquilo já não precisava, nem deveria ser. Ela se vestiu e me pediu pra dormir no chão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela acordou e eu já tinha partido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Terminei a noite, já manhã feita, sozinho no banho, o pau duro e gozando por uma mulher que não me pertencia mais. Foi amargo e ela soube por mim meses após, num encontro casual. Ela estava diferente, mas era ela ainda e sorriu ao escutar, fez mais que sorrir, fez algo que eu não conhecia porque era ela, mas outra forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela então conseguiu outra vez ficar por cima e se movia feito luta, mas continuava sendo eu apenas. Eu não cansava de olhar o corpo dela, os olhos, a boca, os cabelos, os dentes. Todas as nossas imperfeições cheirando a porra, a mágoa, a coisas que não deviam ter sido enunciadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De todo modo, ainda era ela.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-3819058927948164330?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/3819058927948164330/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=3819058927948164330&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/3819058927948164330'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/3819058927948164330'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/02/ela.html' title='Ela'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-7556095238119042208</id><published>2010-01-29T17:43:00.000-03:00</published><updated>2010-01-29T17:43:55.105-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Carnaval</title><content type='html'>"Se você não fosse tão estúpido, seríamos brilhantes e talvez eternos."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mas eu sou estúpido e não quero ser eterno."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E terminou. Era sábado de carnaval.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-7556095238119042208?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/7556095238119042208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=7556095238119042208&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/7556095238119042208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/7556095238119042208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/01/carnaval.html' title='Carnaval'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-5857089860392851814</id><published>2010-01-06T00:45:00.001-03:00</published><updated>2010-01-06T00:56:22.144-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Santo Homem</title><content type='html'>A viúva chorava, tão novinha, ainda rija nas carnes, devia andar pelos trinta. Vestiu-se com pudor para o velório, um vestido negro e até um negro véu, uma máscara mortuária para ela também. Estava cercada pelas amigas, também professoras primárias, também lacrimosas, pareciam – veja só minha peraltice – uma colméia de viúvas, mas não, só a moça do vestido negro, do negro véu, a mão direita sobre o caixão aberto é que havia de fato ficado sem o marido. As outras sequer possuíam um exemplar para perdê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os amigos foram chegando aos poucos, trôpegos, sem ter como acreditar no bizarro da cena. Santo homem. Marido exemplar. O Marcos. Marquinhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entravam cabisbaixos e logo se davam com a realidade, o cheiro das coroas de flores, das velas, da gente triste, o pai do Marcos, o filho do Marcos, a viúva, sobretudo a viúva, um colosso de mulher quando em cores mais alegres e ambientes mais festivos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém sabia ao certo como havia morrido aquele homem. A mulher dissera aos peritos que encontrou seu amado agonizante no quarto de André, um amigo do casal que dava uma festa na noite anterior. Sem maiores delongas, ele morreu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Muito triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para o Inspetor Sampaio, muito conveniente também. A viúva chorava e Sampaio ia olhando, que debaixo das lágrimas, se antevia o decote farto, farto em demasia ele diria, as lágrimas também se demoravam ali. Mandou examinar o cadáver e dispensou a mulher. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marcos, amigo das piores horas. Ele vai fazer falta. Não se fazem mais homens feito Marcos, minha filha. Era um galhofeiro, um dos melhores. Marcos era um irmão pra mim. Amava como se ama um filho, minha querida. Era longa e comovente a lista dos pêsames. A viúva se comovia com cada um. Alguns dos amigos entretanto, não deixavam de notar como as ancas da mulher venciam o luto do vestido e mostravam-se bem vivas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O André, este estava completamente apoplético. Além de num estado de pileque sem igual. Dois amigos o sustentavam de pé naquela hora dura, um em cada braço. Foi o primeiro a ver o Marcos desfalecido nos braços da esposa, tornada naquele instante viúva. Ela agachada e metida numa saia que fazia o desenho daquele corpo tão digno em seu pecado, aquela cintura impossível. Então se deu conta que seu melhor amigo estava no chão, desfalecido. Entendeu tudo num átimo antes de mergulhar naquele torpor medonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O caixão já estava sendo fechado para tomar o cortejo do túmulo quando o Inspetor Sampaio adentrou no velório, solene, fez o sinal da cruz diante do Cristo que pendia acima da cabeça do defunto e se achegou da viúva. Ela levantou o véu e ele viu a boca sem batom mas recheada de promessas que ele não poderia revelar ali. Outros dois agentes o acompanhavam e foi com muita dignidade que ele anunciou à viúva que ela estava presa, sob a acusação de assassinato da vítima Marcos Emílio Revega, o Marquinhos, o  Marquinhos! Assassinato! Matou o próprio marido, vejam só, a facínora, a cínica – chorando sobre a vítima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ficou lívida a princípio, mas não ofereceu resistência. Seu único capricho foi lançar um último olhar e beijar a testa do marido morto. Algemada, foi retirada do velório que se tornou bafafá. A polícia não quis prestar maiores esclarecimentos, preferiu enfiar a moça na viatura e todos arrancaram em silêncio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Diante do inspetor na delegacia, ela, a viúva, confessou. Matei meu marido. Matei. Matei! Sampaio não era homem de convulsões e apenas acenou para um dos auxiliares, que foi buscar um copo d’água enquanto ele emprestava à moça uma caixa de lenços de papel. Sampaio perguntou, após o copo d’água, por que aquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Um santo homem. Marido exemplar. Amigo do peito. Pai dedicado. Empregado querido. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viúva então se mostrou em toda a sua imponência, a voz saiu finalmente, as lágrimas secaram, os lábios coraram outra vez. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi o homem mais doido que eu tive, doutor. Um horror. Por ele eu fazia de tudo, apanhava na cara, de mão fechada, se fosse preciso. Na cara! Ele gostava de me submeter a si das mais diversas formas. Ele me amarrava na cama, me amordaçava, às vezes prendia meus pés juntos e me possuía assim, por trás! Por ele, tive que beber mijo certa feita, e ele delirava, chegava a desfalecer de êxtase.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só teve uma única coisa que nunca dei pra ele. Naquela festa, ele propôs um jogo. Aquele puto. Queria me deixar no quarto do melhor amigo toda amarrada, um consolo no meio dos quartos, pra me descobrirem lá no meio da festa. Foi demais, doutor. Eu posso ser muita coisa, mas dentro de casa. Na casa dos outros já era demais! Ele se exaltou e puxou o cinto para me imobilizar e eu resisti. Tomei-lhe o cinto. Ele vacilou e me vi de posse de seu pescoço, através da peça de couro. Foi assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sampaio suspirou longamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A viúva então, mais bela do que nunca, deixou-se cair na cadeira. Chorava outra vez. Meu homem. Matei meu homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu santo homem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-5857089860392851814?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/5857089860392851814/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=5857089860392851814&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/5857089860392851814'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/5857089860392851814'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2010/01/santo-homem.html' title='Santo Homem'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-5528722210715369447</id><published>2009-12-03T01:18:00.000-03:00</published><updated>2009-12-03T01:18:26.496-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Palavras apenas</title><content type='html'>Eu disse a ela então que eu poderia ser mais, dizer mais. De verdade. Eu disse a ela que era de coração, que não eram palavras vazias porque ela sempre me enchia de vida, ela era cheia de cor, cheia de carne, cheia de céu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disse a ela então que era delicioso e que ela deveria sempre estar ali, sempre em mim, sempre com seus olhos e bocas e poréns e vogais a meu alcance, mesmo que eu estivesse absorto em mim, absorto no mundo, absorto em coisas que não deveriam me dizer respeito mas que acabavam dizendo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disse a ela então que ela deveria sorrir, deveria dançar, deveria me roubar beijos. Sempre. Sem motivos porque ela seria o motivo. Ela só de calcinhas, ela andando pelo corredor sob a penumbra do poente, ela sob lençois, atrás de cortinas e dentro da rede na varanda. Ela enquanto universo e criatura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disse a ela então que a gente iria durar além do eterno, atravessar horizontes, atomizar dimensões. Eu disse em voz alta que sentia amor e sentia falta e sentia tesão e sentia ciúmes e que nada bastava, sempre ficava aquela sensação de que ainda seria mais, seria melhor, iria mais fundo. Eu mergulhava e prendia o fôlego, atrás daquelas trevas que nos uniam, de alguma loucura que pudesse nos curar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disse a ela então que queria tirar aquele vestido, e quando o vestido não estivesse sobre seu corpo eu poderia respirar o cheiro, absorver as cores, os macios, os opacos, as articulações. Talvez fosse maldade, talvez fosse doer, mas eu apertaria, e teria dentes afiados, criaria vácuos e iria salivar, adentrar, ascultar cada mama, cada lábio, cada dobra. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disse a ela então que se deitasse, que ficasse de joelhos, que fôssemos ao chão e depois iríamos alçar voo, ela poderia segurar minha mão, agarrar meu pau, arranhar meu rosto, que ela se curvasse mais, se desse inteira, me prendesse dentro de si, através de mim, além de nós. Eu disse a ela em suspiros, em silêncios, em pecados capitais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu disse a ela então.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-5528722210715369447?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/5528722210715369447/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=5528722210715369447&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/5528722210715369447'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/5528722210715369447'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2009/12/palavras-apenas.html' title='Palavras apenas'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-8618997652666536523</id><published>2009-11-27T13:49:00.000-03:00</published><updated>2009-11-27T13:49:06.157-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Meu avô</title><content type='html'>A mulher de branco pedia silêncio. E talvez fosse por aquilo que minha boca havia se calado diante da brancura do corredor, onde, atrás da parede que emoldurava a mulher com o dedo em riste sobre dois lábios silenciosos que dissimulavam um riso sádico meu avô morria. Eu não poderia saber então como sei agora que meu avô estaria morto e há poucos dias sonhei que ele estava vivo e só fui me dar conta do silêncio em que ele havia mergulhado atrás daquela parede minutos após despertar, e então gritei, atrasado, mas gritei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem não estava em silêncio era minha mãe, mas não posso culpá-la, pois decerto nunca perdi um pai. Ela perdia o dela, o meu avô, sufocado numa parede de silêncio. Minha mãe gritava, minha mãe derramava lágrimas pelo branco chão, engolia calmantes que nunca iriam saber o que é ter um pai para perdê-lo logo após, o que dirá ver um avô silenciado. Meu pai tentava tranqüilizá-la, minha avó estava ainda a caminho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Como deveria ser o dia da morte ante os olhos de alguém que sabe que irá morrer (todos nós nascemos sob essa condição, a de morrer mais cedo ou mais tarde) mas não desconfia que dali a algumas horas ou minutos? Meu avô, me disseram, havia sofrido um ataque cardíaco ou infarto agudo ou parada cardíaca, algo relacionado ao músculo cardíaco. Ele estava sozinho em casa quando aconteceu, os vizinhos ouviram um barulho no apartamento dele e foram ver o que havia ocorrido. Foi a vizinha do apartamento de baixo, Dona Lucíola, que sempre me dava doces no dia de São Cosme e Damião, quem chamou a ambulância pois bem lembrava que o coração de meu avô já estava cansado e havia parado outra vez, anos passados. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele devia ter acordado cedo como sempre fazia. Minha vó saía cedo de casa, duas vezes por semana passava o dia na casa da filha e outras duas vezes na casa do primogênito. Naquele dia, ela estava na casa de meu tio. Enquanto fazia a barba, talvez se recordasse de seus tempo de ponta de lança do Campo Grande Atlético Clube ou da cerimônia num hotel cinco estrelas de São Paulo onde ganhou um relógio de ouro como reconhecimento após décadas de competência a serviço do CEASA, na ocasião de sua aposentadoria. Ou, mais provavelmente, estaria relembrando de dias ou horas ou segundos que havia compartilhado com minha avó, a mulher que ele amava havia meia década. Besuntava o rosto de creme de barbear e deslizava a lâmina.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt;Algo dentro dele rebentou e doeu. Eu, na minha ingenuidade de quem desconhece o rosto da própria fatalidade, apenas posso imaginar que tenha doído por uma ligeira impressão comparativa. O coração, apesar de músculo como o bíceps, é irônico tal qual o encéfalo - pelo menos é o que nós, ocidentais, gostamos de acreditar. Quem não gosta de sentir o coração pulsar valente diante do ser amado, seja ele uma menina bonita, o rapaz prometido, um cachorro sardento ou uma réptil tartaruga? E eu lembro bem de sentir meu coração gelar quando, muito mais novo, fui abordado no meio da rua por um par de simpáticos assaltantes e dele silenciar junto com o restante do corpo naquela curva impossível que Petkovic desenhou com a bola no Maraca e deu o tri pro Mengão aos quarenta e cinco do segundo tempo. Meu avô, alvinegro como minha mãe, deve ter sentido algo doer, porque alguém vivo não se apaga como uma calculadora. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não sou um daqueles que se entusiasma com a idéia de um filme em preto e branco em câmera lenta ao som de sua canção favorita passando ante suas vistas enquanto seu coração pára de bombear sangue oxigenado em direção a seus órgãos vitais, ainda que faça sentido o torpor provocar delírios e afins. Meu avô era alguém prático, foi um trabalhador durante toda a vida e gostava do Frank Sinatra. Ele deve ter pensado que não poderia entregar algo importante para um de seus filhos ou netos dali a algumas horas, ou talvez que minha vó estivesse longe demais para socorrê-lo. E acho muito difícil que o refrão de "New York, New York" tenha começado a ressonar das trombetas do Paraíso naquele momento de tensão e desespero e falta de ar. Foi então que seu corpo tombou, fez barulho e assustou os vizinhos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era um dia de semana, uma terça ou uma quarta, meu irmão caçula me tirou da cama com o telefone na mão e a notícia nos olhos. Meu pai havia ligado, estava a família se dirigindo ao hospital, algo de errado acontecera no peito de meu avô. Fui tomado por algo que eu não compreendia, e não compreendo bem até hoje. A certeza de que meu avô havia sido feliz, que encontrara uma mulher que o amava e tivera filhos que lhe deram netos e outras alegrias me dizia que a morte era apenas a parte final da vida, muito mais dolorosa para quem a vê do quem a vive. Então veio aquele branco e aquele silêncio e meu avô morreu.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-8618997652666536523?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/8618997652666536523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=8618997652666536523&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/8618997652666536523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/8618997652666536523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2009/11/meu-avo.html' title='Meu avô'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-1520622235036729921</id><published>2009-11-17T19:33:00.001-03:00</published><updated>2009-11-17T19:40:12.385-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Cecília</title><content type='html'>"Eu queria ter a sorte de um coração tranquilo e uma casinha onde pudesse me deixar ficar à toa, vendo o sol baixar no horizonte e a neném brincar no meu colo". A neném se chama Cecília e logo estará mordendo tudo que puder. A mãe de Cecília a observa com doçura enquanto o mundo gira e as pessoas se apressam atrás de horas e ônibus que irão atrasar. A mãe de Cecília continua a sonhar em voz alta enquanto eu me sento e me permito ouvir o que ela tem a dizer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia sido um longo dia e só queríamos poder aproveitar um pouco a chance de estarmos os dois inteiros. A mãe de Cecília se chama Débora. Uma dessas pessoas que a vida acaba trazendo e quando nos damos conta, percebemos que é melhor assim, que ela esteja ali, em algum lugar ao alcance de nossas palavras. Era muito bonita, Débora, muito sorridente, bastante falante, falava devagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No lugar do coração tranquilo havia olhos acesos e as mãos cheias de dedos e opiniões. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela me diz sorrindo que não se arrepende de nada, que no final a vida acaba levando a gente feito areia na praia, as areias das dunas que ela levou a filhota pra conhecer em São Luís onde Débora nasceu. Dentro do sorriso, o susto de quando se viu tão menina e prestes a ser mãe de Cecília e logo o susto sai voando pela janela feito passarinho, porque ela conta que a primeira vez que viu Cecília teve a certeza que nunca mais viria nada que pudesse ser tão bonito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se o coração fosse tranquilo, talvez não houvesse Cecília e talvez ela não teria me encontrado, talvez a gente nunca estivesse na mesma sala de embarque esperando voos diferentes que atrasaram em comum. Débora me viu com um livro na mão a seu lado e quando eu olhei pra fora do livro sem querer, a pequena Cecília brincava de andar em direção ao meu joelho. Débora comentou que gostava muito do livro, gostava muito de livros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Reparo então que ela tem o sorriso mais bonito em muito tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do coração de Débora, há muitas palavras e outro tanto de desejos. Acontece que palavras e desejos quando misturados poderiam por tudo a perder e poucos de nós nascem com o dom de entender o quanto de desejo poderia haver em cada palavra, e nesse entender e misturar a gente vai caminhando sem saber exatamente como. Ela me diz que um dia espera ser capaz de entender suas palavras e seus desejos. "Contanto que se caminhe de cabeça erguida, vale a pena", ela conclui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sorriso de novo. E a voz anunciando o voo das duas, mãe e filha. Logo ambas partem e eu, bobo, fico ali, sentado, livro na mão, olhos no ar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdido naquela brisa de palavras e desejos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-1520622235036729921?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/1520622235036729921/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=1520622235036729921&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/1520622235036729921'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/1520622235036729921'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2009/11/cecilia.html' title='Cecília'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-1336252611308937373</id><published>2009-11-14T16:28:00.001-03:00</published><updated>2009-11-15T23:12:16.556-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Branco</title><content type='html'>Ela me disse que não sabia como, mas havia acontecido. Ela parecia muito bonita mesmo falando com algum desespero, sem maquiagem, sem cabeleireiro. A boca sem batom era quase pele e mais bonita, ela tinha olheiras e os olhos num verde cinzento, demorei a me concentrar nas palavras, como se nota.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela tinha um tom de voz que eu conhecia de outros carnavais, mas dessa vez era mais encorpado. Nós dois, o bule de café, meu cigarro desmanchando no ar, as palavras dela. As palavras dela, claro, as palavras dela. As palavras que eu tanto gostava de ouvir, que eu tanto lutava pra saírem aos borbotões, feito cascata, feito chuva, feito chope gelado em dia de sol. Mulher precisa saber, e ela sabia, falar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela desarrumada, a coisa mais linda que eu havia visto. Sem sutiã, sem perfume, sem subterfúgios, sem atalhos. O dia estava feio, estava sol e quente, abafado, sem nuvens. A gente estava na cozinha e parecia a antesala do consultório do sete-peles. Nenhum dos dois estava de ressaca, nenhum dos sois sorria, não havia bom-humor, não havia leveza. Ainda assim, linda, a prova viva que mulher bonita é a melhor invenção do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela falava e de repente falou, eu ouvi e finalmente escutei, ela falou que queria tirar, queria tirar o bebê, queria matar o nosso filho, o nosso filho era um acidente e talvez a gente fosse um acidente e acidentes acontecem, a vida é feita de acidentes mas a vida é inadiável, os acidentes são remediáveis. Ela falou só que queria tirar, o restante foi elucubração minha. Tão jovens e elucubrantes, nós dois, tão jovens e obscenos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela iria tirar, havia se decidido que era o ponto final, ela não ia suportar me olhar após o aborto. Na verdade, ela disse que não suportava mais a idéia do meu pau duro dentro dela, as conseqüências, éramos tão jovens e nos machucando, nos querendo mais, nos matando assim. Ela não queria ter bebê coisa alguma, ela queria outras coisas e nenhum bebê dentro dela, nenhum leite pingando de seu peito no meio da noite, nenhuma estria na barriga antes do tempo. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Barriga, ela teria uma imensa barriga em quatro ou cinco meses. Ficaria maior. Ela reteria líquidos. Ela esqueceria das coisas. Ela teria desejos e enjôos. Ela ficaria linda. Eu falei pra ela, não deixei de verbalizar, que ela ficaria linda de barriga. Foi idiota mas quando a gente é mais novo, tende a ser idiota mesmo e nem se dá conta. Ela teve o mesmo pensamento que eu, da perspectiva dela. Ela barriguda, os ubres lactantes, o umbigo pontudo, os pés inchados. Me chamou de maluco e deu meia volta, saiu corredor afora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando voltou, trazia a minha mochila, dentro da mochila meus pertences pra passar o final de semana com ela e as palavras que eu não queria ouvir, que era pra eu me mandar, ir embora, não ligar, não procurar mais e quando ela achasse que devia, ela mandava sinal de vida. Ela nem chorou. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de deixar aquilo tudo para trás, eu pensei em resistir. Pensei em dizer que ela não estava sozinha e que eu tinha amor por ela, amor e medo, amor e tesão, amor e posse. Pensei em dizer que eu daria um jeito. Pensei em tomá-la nos braços e deixar os corpos se entenderem. Foi o que tencionei executar, me levantei da cadeira e manobrei em direção à sua boca. Ela apenas me afastou e disse que não. Melhor não, ela disse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei então pendente no vazio do mundo que o mundo subitamente se mostrou. Pai de uma criança que jamais iria nascer, amor de uma mulher que não tornaria a ter. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levei mais ou menos duas semanas para cair em mim. Ela nunca mais deu sinal de vida. Ela teve três filhos, nenhum deles meus. Nunca tive filhos. Outro dia tive um sonho com ela, ela nua me esperando na cama de olhos fechados.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dos bicos dos peitos, vazava leite. Tinha um gosto bom.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-1336252611308937373?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/1336252611308937373/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=1336252611308937373&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/1336252611308937373'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/1336252611308937373'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2009/11/branco.html' title='Branco'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-891586849895140053</id><published>2009-11-11T21:57:00.000-03:00</published><updated>2009-11-11T21:57:16.406-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Lâmina</title><content type='html'>a moça se abriu&lt;br /&gt;e então veio a língua&lt;br /&gt;feito lâmina cega&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-891586849895140053?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/891586849895140053/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=891586849895140053&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/891586849895140053'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/891586849895140053'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2009/11/lamina.html' title='Lâmina'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-6055123039919856292</id><published>2009-11-06T02:48:00.001-03:00</published><updated>2009-11-06T02:53:57.620-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Despedida</title><content type='html'>Eu lembro de chegar em casa do futebol, o joelho meio estropiado e chamar por você. Você sempre aparecia pra me receber com um beijo, o que eu adorava. A inocência e a promessa do beijo, nenhum beijo jamais teve essas inocência e promessa. Mas dessa vez a casa estava toda apagada, era noite e tudo breu. Dentro daquele silêncio negro feito as brumas de um grande mar meus olhos captaram uma nesga de luz elétrica que vazava tímida pela cozinha e pra lá me fui. A luz vinha, de fato, da área onde se ouvia a água do tanque que caía vazante torneira abaixo e de súbuto, era você no tanque. A rainha do tanque. O cabelo num coque ligeiro, a blusinha cinza e as mãos arqueando o rego, a calcinha ali, entre os joelhos e os pés em gloriosas havaianas. Ao sentir minha presença, você postou-se na ponta dos pés e sorriu, eu pude perceber.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você gostava de me surpreender durante o sono, lembra? A gente estava numa viagem de férias pela Bahia e alugamos um barquinho pra passar a noite vendo a orla iluminada, você adorava os pontinhos acesos sobre o oceano, um oceano tranqüilo. Eu tostado de sol, você dançava como se fosse lógico e a gente adormeceu ali, na boleia, se é que barco tem boleia. Eu lembro que sonhei você sereia e sua cauda escamosa carinhava as pontas de meus dedos, você dizia pra eu ninar que ia olhar as estrelas e cuidar pra nenhuma me desgraçasse. Era esse o sonho quando senti sua mão firme e viva em meu peito, seu bafo descendo meu umbigo, meu torso nu. Sua língua veio salivando e seus peitos roçavam nas minhas pernas. Seus olhos se fecharam e abri os meus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembro muito mal de uma festa e tocava só dance music dos Bálcãs e só se bebia tequila e em cada canto, charros e mais charros, todos nós perros. A gente não descobriu quem pagou a conta ao final, nem como. A gente passou três semanas tentando descobrir como voltamos pra casa. Tinha uns lances de escadas, lembro bem porque tropecei horrores, e um monte de gente se postava ali, e você subia na frente, você e a alcinha do sutiã vermelho explícita, você dançando aos saltos e as tequilas em suas mãos, as tequilas logo viravam beijos e os beijos viravam gritos e os gritos subiam a escada, tropeçavam nos degraus, forçavam a porta do banheiro e eu entrei mesmo, e nos trancamos lá dentro e você cheirava a tudo, cheirava a vida, cheirava a amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você descobriu tudo e armou a cilada, preparou a janta, acendeu as velas, perfumou a nuca e depilou as axilas, a pélvis. Você quase nunca depilava a pélvis, mas dessa vez depilou, a xoxota nua feito porcelana rara. Você abriu o vinho e me mandou pro banho, você assou pernil e calçou saltos, você colocou até Vinicius &amp; Toquinho pra embalar. Você sorriu e me levou pro quarto. Você disse que ia me foder como nenhuma outra poderia e se revelou nua por baixo do vestido. Aquela noite, você se pôs de bunda pra cima e me ofereceu o rabo, você segurou a dor e jurou que me amava. Pior, eu acreditei que você de nada poderia saber e meti fundo, tudo o que podia entrar, tudo o que eu desejava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você saiu e eu nunca soube por onde. Você não disse onde ia, com quem iria ficar, se algum dia ia me deixar saber. Você não derramou uma lágrima e se o fez, eu nunca vi – e procurei dois dias por pistas pela casa, rastejando pelo chão, nu, o pinto mole e pendente entre as pernas. Você não deixou uma peça de roupa, um vidro de acetona, um fio de cabelo. As chaves ficaram todas no chão, atrás da porta. As fotos desapareceram e os postais, os brincos, os presentes, as algemas tomaram rumo incerto e não sabido. Sua mãe desconheceu minha voz quando liguei todas as cento e trinta e sete vezes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você se foi. Deixou na porta uma imagem, era uma manchinha cinza numa redoma negra, uns números e eu não sabia o que era, nem o que poderia ser. Você não viu eu puxar a imagem pregada na porta e ler atrás a sua letra inconfundível, das cartas de amor e dos bilhetes deixados na portaria do trabalho. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você disse que ela se chama Beatriz. Você não disse, mas eu ouvi você dizer, que era o tudo que você deixaria eu ficar sabendo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-6055123039919856292?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/6055123039919856292/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=6055123039919856292&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/6055123039919856292'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/6055123039919856292'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2009/11/despedida.html' title='Despedida'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-8891117561839529241</id><published>2009-11-02T14:18:00.002-03:00</published><updated>2009-11-02T14:18:41.058-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>De soslaio</title><content type='html'>De soslaio eu fitava&lt;br /&gt;Os olhos da moça&lt;br /&gt;O chão da praça&lt;br /&gt;O céu na praia&lt;br /&gt;Os rabos de saia&lt;br /&gt;E foi súbito&lt;br /&gt;Um mais que nada&lt;br /&gt;Os olhos da moça&lt;br /&gt;E seu rabo de saia&lt;br /&gt;Vieram triunfantes&lt;br /&gt;Pelo chão da praça&lt;br /&gt;Sob o azul do céu&lt;br /&gt;Na praia&lt;br /&gt;E foi súbito&lt;br /&gt;(me repito, calma, já explico)&lt;br /&gt;Os olhos da moça&lt;br /&gt;O chão da praça&lt;br /&gt;O céu na praia&lt;br /&gt;Os rabos de saia&lt;br /&gt;Todos a me fitar&lt;br /&gt;E era um céu de moça&lt;br /&gt;No rabo do sol&lt;br /&gt;E aquele azul de praia&lt;br /&gt;O sorriso de soslaio&lt;br /&gt;E foi súbito&lt;br /&gt;Assim&lt;br /&gt;Um&lt;br /&gt;Mais que nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-8891117561839529241?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/8891117561839529241/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=8891117561839529241&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/8891117561839529241'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/8891117561839529241'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2009/11/de-soslaio.html' title='De soslaio'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-860884525135303523</id><published>2009-11-01T11:18:00.002-03:00</published><updated>2009-11-01T11:18:49.113-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Sem vergonha</title><content type='html'>Vim de longe, bem sei&lt;br /&gt;trago em mim a marca do caminho&lt;br /&gt;e não mais quantas coisas&lt;br /&gt;mas acontece que descobri&lt;br /&gt;(e me pareceu uma grande descoberta)&lt;br /&gt;entre o caminho, as marcas, quantas coisas&lt;br /&gt;havia esses versos&lt;br /&gt;que talvez você queira guardar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-860884525135303523?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/860884525135303523/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=860884525135303523&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/860884525135303523'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/860884525135303523'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2009/11/sem-vergonha.html' title='Sem vergonha'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-2607770642613921314</id><published>2009-10-28T20:20:00.000-03:00</published><updated>2009-10-28T20:20:13.173-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Os olhos amargos</title><content type='html'>os olhos amargos&lt;br /&gt;e uma noite de trovões&lt;br /&gt;foi dito então aquilo que se habituou&lt;br /&gt;a calar&lt;br /&gt;e não se disse mais nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-2607770642613921314?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/2607770642613921314/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=2607770642613921314&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/2607770642613921314'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/2607770642613921314'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2009/10/os-olhos-amargos.html' title='Os olhos amargos'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-4934253357846214506</id><published>2009-10-20T22:32:00.000-03:00</published><updated>2009-10-21T00:44:54.003-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Desvarios</title><content type='html'>Vem de longe a minha predileção pelos peitos das moças. Tão de longe que não sei precisar muito bem. Talvez por isso eu gostava de imaginar que ela adentrava pelo quarto e sem muitos motivos, tratava de tirar a blusa ou, em delírios mais poéticos, o vestido deslizava corpo abaixo até o chão de fórmica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era assim, ela adentrava o quarto e logo estava de calcinha e sutiã, um sutiã rococó, com adornos deixando aquele par melhor do que ele já era por si só. Havia dentro de mim, dentro do devaneio, a fantasia daquele conteúdo que o sutiã prometia. E não que fossem peitos imensos, montes urais. Eram bonitos de ver dentro do conjunto todo, tornavam ela mais bonita, sim, mas não anulavam o restante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela ficava ali, na entrada do quarto e de calcinha e sutiã rococó, e seus peitos prometiam um amanhã melhor e eu acordava. De pau duro, não raras vezes a mão direita já abarcando o pau duro, mas acordava e em segundos a realidade sobrevinha, na forma do rádio-relógio, na forma da solidão. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas antes da ausência, havia o sonho e a promessa de peitos tão bonitos. Uma vez aquele sutiã vencido, estariam lá, ambos, leitosos e bicudos. Teriam em si aquela pelugem mínima e arrepiada? Seriam seus mamilos vastos ou mínimos? E o mistério da cor dos mamilos, porque poderiam ser escuros quase negros, róseos quase sangue, meramente translúcidos. E o mistério é que me seduzia, de algum modo que não sou capaz de explicar, apenas sentir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A vontade, mentira negar, era possuir aqueles peitos, se agarrar a ambos feito ao Santo Graal, decifrar aqueles mistérios na saliva, na língua, et caterva. Mas, ainda que apenas devaneio, ela não se dava para mim, apenas prometia, sorrindo e eu acordava. Conseguia reconhecer nos contornos de sua calcinha, branca feito algodão, as formas de uma mulher que eu gostaria de ter na cama – e em qualquer outro lugar – e no sorriso que vislumbrava por acidente, a promessa de dias melhores. Eu acordava, contudo, sozinho e era isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não havia o desenlace, não havia a revelação física daquele corpo desejado. Porque, esse era o biju, nunca houvera essa etapa, ela se desnudar diante de mim, o que eu tanto queria – talvez tenha pedido pessoalmente um par de vezes, talvez tenha brochado e a memória falha. Eu era capaz de ver os lábios ocultos no mistério da vulva e a bunda graciosa e completa, as unhas dos pés, o silêncio em seus olhos e a risada armada em cada mão. Mas faltavam os peitos e aí de súbito me acontecia de faltar todo o resto, inclusive o sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só me restava acordar e não era fácil, aquela realidade incompleta outra vez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-4934253357846214506?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/4934253357846214506/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=4934253357846214506&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4934253357846214506'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4934253357846214506'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2009/10/desvarios.html' title='Desvarios'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-3979289675681517345</id><published>2009-09-19T20:11:00.000-03:00</published><updated>2009-09-19T20:15:33.107-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Caroline</title><content type='html'>Veio lá de quase no horizonte a onda e quebrou toda doce a seus pés. Ela estava descalça e seus pés bem juntos, pra deixar a areia dançar entre eles enquanto a água molhava. Quando a onda voltou pra dentro do rio, ela mexeu os dedos, feito moleca e baixou a cabeça, baixou os olhos e ficou daquele jeito, menina olhando os pés se banharem na areia e nas ondas que vinham mansas e voltavam devagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A brisa vinha devagar e morna, passeava em seus cabelos, soprava em seus ouvidos, brincava na barra do vestido. Só estava Caroline ali e todo o rio que banhava a areia onde ela pisava, atrás havia vegetação e uma casa sendo banhada pelo mormaço que já tratava de aprontar das suas. Olhou para aquele horizonte e andou para dentro do rio, a cada passo a água lhe subindo um tanto mais, pés, tornozelos, canelas e parou nos joelhos. Num leve movimento, tocou a água com ambas as mãos e fez uma carícia toda sua no rio, de olhos fechados como se o rio fosse seu homem adormecido e as ondinhas fossem a pele, a carne, as dobras e os músculos que ela tocava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O toque de seus dedos naquela água gerava uma música só dela e ela abriu os olhos e ressurgiu toda aquela força da natureza diante dela, que a abraçava suave e lhe transpassava, sequer respingava na barra do vestido curto de veraneio de tão mansa. O tempo não parecia existir enquanto ela quisesse estar ali sob o sol. Ela imaginava que por trás do sol seu homem a observava, calado, os olhos matreiros e dissimulados que buscavam em seu corpo de mulher fantasias e outros signos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela gostaria de tê-lo por perto, mesmo que apenas repousando numa sombra para que ela pudesse ter a seu alcance o cheiro dele e o ritmo de seus batimentos na palma de uma das mãos. Queria ouvir dele a alegria do sorriso, o sossego de silenciar a dois. Caroline gostava daqueles silêncios onde os dois se bastavam em estar juntos, às vezes os olhares se esbarravam em outras vinha um afago, mas bom mesmo era quando vinha um beijo – e ela se demorava no beijo, ele tinha um gosto bom, um gosto de quem esperava pela sua boca, um gosto que mordia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No primeiro beijo ela sentiu que ia gostar, que iria repetir, que iria até pedir beijos quando desse. Sentiu a parede contra seu corpo e se deu conta quase no fim do beijo ele se enrijecendo dentro do jeans, o abusadinho. Na segunda vez ela gostou, foi ela até quem procurou o beijo, um beijo melhor, um que fosse só dela pra ela guardar nos lábios e lembrasse quando fosse tomar um gole d’água, ninguém saberia, mas ela ia sentir o moço sedento enquanto a água lhe tomava a boca. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando deu por si, estava enamorada do moço, ele sedento, rijo, a língua no macio de sua vulva. Pedia mais e suspirava, queria ele todo, sabia que ele se daria assim, ela suspirava e fechava os olhos e ele lhe afagava o umbigo, apertava as mamas e então ela gania. Foi como se o mistério de si finalmente se revelasse naquela tarde de tempo feio e o rádio tocando uma banda de pop sueco era testemunha da revelação. Olhos abertos, gravou a imagem daquele moço entrando fundo em si, nos lábios dele ela sentia o gosto dela, ele suspirou quando se sentiu aconchegado nela que só fechou os olhos quando ele iniciou a velha dança, e a cada vinda a suavidade sendo transformada em mais desejo, o amante se revelando um pouco mais chucro. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O mistério decerto havia sempre habitado seu corpo e seus pensamentos, ainda que ela não se apercebesse do ocaso. Mas quando seu homem de fato fez-se dela, na cumplicidade da carne, algo novo se desentranhou em Caroline e ganhou suas veias e as artérias, descobrindo-se em cada poro, em cada secreção, em cada átomo, diria um obsessivo que resolvesse descrever o fato. Caroline sentia-se inteira, tinha certeza que finalmente ela possuía dali pra frente a chance de saber seu real alcance, sua real coragem. Ela não estava pensando nada disso, mas seu corpo assim lhe comunicava por maneiras que ela captava sem nem ao menos procurar saber. O que ela sabia era que aquele homem era diferente de qualquer outro anterior.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão do falo dele a lhe abrir foi o que mais lhe impressionou, era a que mais lhe ocorria durante os sonhos e saudades. Aquele homem que pouco falava e tanto lhe queria foi quem lhe tornou de fato mais mulher que qualquer outra coisa, através do desejo, das ausências, dos silêncios e da saliva. Amava com todos os seus dentes, sentia às vezes gana de desfiar aqueles músculos para investigar que peripécias haviam de habitar o interior dele, o que ele possuía que ela não conseguia abandonar. Outras vezes, geralmente perto de suas regras, sonhava que acordava de um sono profundo e dava por si que o homem na verdade era parte de seu corpo, habitava o fundo de suas pupilas e só vivia dentro de seu olhar. Então, dentro do sonho ela fechava os olhos para ficar apenas com a visão dele em si, observava seu corpo dentro da vastidão do escuro que abraçava a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhou mais um tanto dentro do rio com o gostoso roçar das águas em seus joelhos. A casa de alvenaria branca ficava umas dezenas de passos mansos às suas costas, dentro dela a cozinha com fogão e geladeira, a sala com uma grande janela, o quarto com suíte, a varanda onde ficava a rede e a rede onde seu homem gostava de se deitar vagabundo e lá se deixar ficar, ao balanço das horas até que ela se chegasse fresca do dia, do mato, do rio e do sol.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-3979289675681517345?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/3979289675681517345/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=3979289675681517345&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/3979289675681517345'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/3979289675681517345'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2009/09/caroline.html' title='Caroline'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-6191893271990684424</id><published>2009-07-08T19:47:00.002-03:00</published><updated>2009-07-08T19:48:38.596-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Rascunho</title><content type='html'>Quando levantei da cama, não havia mais nada. Nada a declarar, nada a se fazer, nada que eu pudesse recolher ou furtar. Quis fechar os olhos para ver se as coisas voltavam ao normal numa outra vez que os abrisse, e fechei mesmo, mas continuava a ausência em minhas pupilas quando tornei a abrir a vista e então saí que poderia me atrasar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia ventava, mas o sol estava lá, impaciente. Cheio de luz para deixar claro meu vazio pelas ruas, os passageiros nos coletivos vendo através de mim, as crianças de rua jogando bolas de papel através do meu ocaso, namorados atravessando de mãos dadas minha ausência. Eu caminhava inerte porque assim tinha de ser e eu de fato o era, havia o mundo e eu dentro dele e outras pessoas para as quais eu simplesmente não existia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu atravessava as ruas e olhava as saias das moças, mesmo atrasado. Nenhuma delas me sorria e algumas gostariam de me ameaçar pelo desacato, decerto poucas ameaçariam fingidas para que eu reparasse noutros bordados de sua prenda e lhes segurasse o pulso e lhes roçasse a fúria em lábios e palpitações, mas estou certo de que eram poucas. Eu não era esse homem de despertar tanta fúria nas mulheres, eis aí uma grande frustração pra qualquer homem que se preze.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cruzei a última esquina e logo o porteiro me cumprimentou, o mesmo sorriso, o mesmo bigode falho numa das pontas, os mesmo dentes necessitados de flúor e cálcio. Não havia me atrasado e ainda possuía dez andares a escalar. Dentro do prédio, o ar-condicionado me isolaria da luz e do calor e eu seria ainda mais inexistente, uma peça dentro de um organograma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O primeiro dia sem ela não seria nada fácil. Ela levara quem eu gostava de ser junto das coisas na mala. Só me restou aproveitar um rascunho que achei perdido entre os lençóis.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-6191893271990684424?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/6191893271990684424/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=6191893271990684424&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/6191893271990684424'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/6191893271990684424'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2009/07/rascunho_08.html' title='Rascunho'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-4069824578783046628</id><published>2008-12-10T03:03:00.005-03:00</published><updated>2008-12-10T03:58:30.352-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Demais</title><content type='html'>Ela gostava de se pôr de joelhos na cama, a bunda arqueada pra cima pra eu entrar fundo nela e segurar firme as ancas quando eu gozasse. Meu pau entrava grosso no meio dela e engrossava ainda mais quando eu já não tinha como segurar. Eu apertava as ancas, ela me apertava a peia, eu jorrava e era assim. Uma ou duas vezes por mês ela aparecia e arqueava a bunda pra eu entrar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela gostava de entrar e perguntar como eu estava passando, as novidades, se eu tinha viajado. Ela sempre viajava, a trabalho ou por querer. Tinha um namorado ou dois, mas gostava de dizer que meu pau era mais duro, mais grosso, alcançava mais fundo, jorrava mais porra. Devia dizer o mesmo pros outros, nenhum de nós iria esquentar porque ela era linda demais. Ela também gostava de dizer que eu frequentava os lugares errados. "Você deveria sentar num boteco limpo, não esses chiqueiros da Lima, ir na Venâncio e fisgar uma coroa. Diz que é escritor e improvisa um poeminha no guardanapo". Eu deveria mesmo tentar qualquer dia desses.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu beijo era calmo, o que é difícil de se encontrar nessa cidade, um beijo que baste em si próprio. Era um beijo seguro, que criava laços, que me dizia pra ter calma e fechar os olhos. Seu beijo acionava toda a minha maquinaria corporal. Ela gostava disso e então se punha me chupar e lamber, chupava e lambia tão bem quanto beijava, era uma artista, tinha o dom de ser mulher de verdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela gostava de ouvir, podia passar uma hora inteira me deixando falar e falar enquanto se aninhava em mim ou acendia um cigarro que me tomava da carteira. Ela gostava de deixar eu massagear seus pés e pedia pra eu apertar bem forte os calos e joanetes, o peito do pé, os tornozelos. Aí dizia que queria voltar pra Bahia, pra todos os santos e acarajés, pras pessoas que sorriam bons dias e pros negros torneados daquela terra. Aquela Bahia, sim, era gostosa demais, ensolarada demais, bonita demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu gozava e saía devagar, sem pressa, ainda lhe dava mais uma meia dúzia de estocadas com o caralho se deixando murchar, se esvaindo em porra e suor, só pra ela me olhar pelo rabo dos olhos e aí eu mexia com os dedos a xota molhadinha, pra ela aproveitar o momento e o tesão. Quando o pau acusava o gozo, ela pressentia e pedia, ou gritava, ou sorria, ou gania. Ela sabia que estava fodendo a mim. E fodia demais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-4069824578783046628?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/4069824578783046628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=4069824578783046628&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4069824578783046628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4069824578783046628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2008/12/demais.html' title='Demais'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-2108811308758614904</id><published>2008-11-18T00:31:00.000-03:00</published><updated>2008-11-18T02:38:37.149-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Dançando no escuro</title><content type='html'>Meus olhos pareciam dizer que não mas ela fez com o corpo que sim, que era claro que sim. Fez que sim com olhos que se demoravam a abrir e a negar, ou fugir. Fez que sim através da pele que se mostrava em frestas dentro do quarto escuro ao ser atingida pela luz de fora que vazava de quando em quando por entre as persianas. Fez que sim no silêncio, que ela se misturava àquela quase ausência de luz e sons como se infiltrasse no ambiente e então me abrigasse.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fumaça, ela se esguiava sobre mim a procurar meus orifícios, fugindo das frestas de luz e evitando ruídos. Do outro lado, havia uma sala e nela os convidados da festa, ruidosos, iluminados, à mercê de generosas porções de comida e bebida. Aquele quarto anônimo eu não sabia de quem era, para ali ela se deixou levar e uma vez ali quis me levar além. Talvez ela houvesse percebido que eu já estava etéreo o suficiente para mergulhar naquele breu em suas ondas - talvez ela já planejasse tudo desde o início e só aguardou a hora do bote.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia então a névoa que me nublava internamente e ela, que dizia sim, parecia ver tão claramente o que eu julgava apenas vazio e parecia preencher aquele espaço impossível. Eu queria luz e chão, queria o mundo de volta e as coisas todas dentro dele, talvez com uma pequena parte delas eu me reencontrasse novamente e poderia tentar chegar em casa, cair na minha cama, me afogar em mim mesmo e deixar o tempo decidir se eu era merecedor de acordar no dia seguinte. Mas, naquele quarto, minha realidade se resumia a ela dançando no escuro que me tornava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela então se mostrou, olhos abertos, um fiapo de luz lhe alcançava o rosto e via o que parecia ser um olho aberto que me fitava e não se mostrava disposto a tergiversações. Calculei meus passos para não desperdiçar um deles em falso e sumir dentro daquela escuridão de morte e fui me aproximando de seu olhar e logo deu pra perceber sua respiração e então veio o perfume e logo era o hálito e o calor me alcançou e descobri olhos e veio a boca e nela dentes, uma infusão de saliva, um deslizar de língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma vez nela, fiz-me também silêncio e breu. Alguns dos convidados do outro lado, mesmo iluminados, já não se viam capazes e achar as próprias pernas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-2108811308758614904?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/2108811308758614904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=2108811308758614904&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/2108811308758614904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/2108811308758614904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2008/11/danando-no-escuro.html' title='Dançando no escuro'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-331024026846290708</id><published>2008-11-04T01:09:00.000-03:00</published><updated>2008-11-04T01:10:12.579-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Ela</title><content type='html'>Ela veio medusa e quis&lt;br /&gt;“vem, nêgo, me usa”&lt;br /&gt;como se eu fosse brinquedo de armar&lt;br /&gt;água mole em pedra dura&lt;br /&gt;e de mim fez armadura&lt;br /&gt;convertida em fé cega e suor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela veio toda em cores&lt;br /&gt;uma profusão de tons e flores&lt;br /&gt;e marcas e cicatrizes e unhas&lt;br /&gt;murro em ponta de faca&lt;br /&gt;eu que apenas rabiscava versos&lt;br /&gt;me vi no meio de uma ilíada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela veio e com ela veios&lt;br /&gt;inflados de fumaça e som&lt;br /&gt;e a boca fresca feito orvalho e manhã&lt;br /&gt;aja duas vezes e pare de pensar&lt;br /&gt;na minha carne derramou o sangue&lt;br /&gt;sagrado fruto e doce troféu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela veio e então não voltou&lt;br /&gt;com ela as horas e quem sabe Deus&lt;br /&gt;e se Deus não sabe o que direi eu&lt;br /&gt;a hora faz o homem&lt;br /&gt;restou eu sozinho e uma linha a mais&lt;br /&gt;faço dela o verso que você não traz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-331024026846290708?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/331024026846290708/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=331024026846290708&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/331024026846290708'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/331024026846290708'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2008/11/ela.html' title='Ela'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-6298200747483366904</id><published>2008-10-30T16:57:00.009-03:00</published><updated>2008-10-31T01:13:26.739-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>3x1</title><content type='html'>Elas eram negras e ele nem tanto, mas quem sabe? Naquela hora, creio que fazia pouca diferença, ele ali naquele sofá, elas em outro, entre eles uns centímetros e no chão um tapete meio encardido. Uma era mais negra que a outra, outra se fazia mais negra que uma. Pareciam irmãs ao final das contas, o que não eram, eram apenas muito amigas e dividiam o mesmo sofá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O sofá estava dentro de uma sala, que mesmo pequena, abrigava o sofá dele, o tapete, a tevê, o vídeo, uma estantezinha e livros e quitutes vários, fotos, cerâmicas em miniatura, um cinzeiro. A sala não era tão pequena assim, pelo que se percebe, era mais claustrofóbica do que pequena propriamente. A sala era parte de um apartamento de 2 quartos, uma cozinha e um banheiro no sétimo andar que entre suas maiores virtudes estava o baixo valor de locação. Era barato mas era digno, o apartamento onde eles estavam tinha até uma certa graça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As duas moças negras dividiam o aluguel daquele apartamento sito a meia-hora do aeroporto de Congonhas, na direção da Zona Norte da cidade. Sim, a cidade de São Paulo, fundada São Paulo de Piratininga por portugas jesuítas e bravos no ano da graça de 1554. Ele estava ali por convite delas e por livre e espontânea vontade. Era noite de uma terça-feira e estavam os três a tagarelar e a rir após uma ligeira beberagem ocorida alguns metros abaixo, que no pé do prédio onde estavam funcionava uma bodega muito da simpática.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tagarelavam randomicamente, o objetivo final era apenas um pouco de riso, algo que destoasse de todo o resto e lhes parecesse melhor que as horas que aguardavam no porvir, cercadas de obrigações - algumas contratuais. Uma delas se lembrou, "Sabia que tem uma garrafa de rum fechadinha embaixo da minha cama?", e eles não sabiam. Em poucos instantes, a dita encontrava-se aberta, passando entre aquelas mãos e bocas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi ele quem desafiou uma a beber da boca de outra, no chiste. Foi a outra quem se apossou da garrafa e derramou o rum em sua boca. Uma delas achou demais aquilo, fez que não, de jeito nenhum e poderia emporcalhar o sofá. A outra então avançou e aos olhos dele, aquele rum escorreu entre ambas. Não pareciam mais irmãs, decerto. A garrafa estava posta de lado, quase vazia, no chão sem mais o que fazer. Ele, no sofá, observa aquele par de serpentes de ébano protagonizar cenas que ele sequer sonhava, e a boca de uma não se desprendia de outra. O tempo pareceu congelar, mas não era o tempo, eram elas que se desamarraram e agora exigiam dele algum tributo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma se desfez da camiseta e surgiram seios com os mamilos escuros feito a noite melada de jabuticaba. A outra desceu a calcinha e subiu as saias, restando a seus olhos o breu entre suas pernas e dentro da noite o róseo da carne. No meio de si, ele sentia o imponderável lhe pedindo a urgência e feito instinto, levantou-se sólido diante delas. Deixou que elas se encarregassem dos pormenores. Deixou-se levar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-6298200747483366904?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/6298200747483366904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=6298200747483366904&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/6298200747483366904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/6298200747483366904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2008/10/3x1.html' title='3x1'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-3743977858108723633</id><published>2008-09-19T20:32:00.006-03:00</published><updated>2008-09-19T21:16:23.196-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Depois que ela chegou</title><content type='html'>Depois que ela chegou no pedaço toda a prosa virou poesia e poesia ficou. Ela caminha por entre meus passos, com sorrisos e muito colorido e cigarros mentolados. Gosto de passear pelas ruas e segurar sua mão, apontar os marcos históricos da cidade, tropeçar nos pontos geográficos, beijar sua boca sob diversas marquises anônimas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Coloquei um anel de compromisso e fiz juras de longa duração, eterna duração e vastos sentimentos. Disse a quem estivesse disposto a me ouvir - inclusive a ela - que dali em diante seria eterno e para sempre nós dois, onde quer que fosse, para onde seja que caminhássemos. Selei aquele desafio ao mundo com um beijo e uma valsa. De dentro do sorriso dela desceram lágrimas e cafunés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes disso o sol já nascia mas não tinha aquele apelo quando eu abria os olhos pra mais vida que segue. Faltava exatamente ela. Faltava essa vontade de mergulhar nas horas em busca de um instante que justificasse todo o resto, toda a aporrinhação, todos os favores, todos os mal entendidos, todas as mentiras. Faltava verdade, faltava amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não falta mais amor desde que ela chegou.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-3743977858108723633?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/3743977858108723633/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=3743977858108723633&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/3743977858108723633'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/3743977858108723633'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2008/09/depois-que-ela-chegou.html' title='Depois que ela chegou'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-5194253304890653766</id><published>2008-09-16T04:17:00.000-03:00</published><updated>2008-09-16T04:21:52.651-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Quatro da manhã, por aí</title><content type='html'>"Devagar, vem devagar".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua voz saía em pequenas mortes, orvalho que não dura até a primeira hora da manhã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro dela era úmido e seus olhos não fechavam. Suas sobrancelhas eram grossas e seus lábios me buscavam. Entrei sem pressa, segurando os cavalos que galopava, era úmido mas não era tão fácil. Alguns pêlos seguiram adentro e roçavam a nós, olhos nos olhos. Ela se enterrava em mim conforme eu a invadia no breu daquela madrugada, a luz do abajur nos atingia com muita cautela e trotando eu ganhava o campo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu corpo me penetrava as narinas e se mesclava com o lento do bagulho e a tontura do álcool, um cheiro quente feito pão, a naja à espreita deslizava entre os dobbermans nazistas. Senti finalmente que estava inteiro dentro daquela mulher, grosso e tenso, no limite de mim mesmo. Quis me demorar naquele instante pra saborear seus olhos imensos e os fitei com calma, como se meu sorriso pudesse lhes reavivar o negro. Os cavalos se impacientavam mas eu os manteria sob rédea curta, não era uma prova de velocidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se retorcia e se espalhava naquela cama, dentro daquele corpo. Outra vez executei o ato de deslizar pra dentro de seu corpo e então a repetição tornou-se algo praticamente motora. O desejo tomou conta daquele quarto, finalmente e não cabia mais o exercício de prever o segundo que vinha depois. Animais estávamos. Animais seríamos. Animais fomos. Houve dor, houve sangue, houve pânico.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sua voz subitamente calou-se na penumbra e sua buceta e todos seus pentelhos se prendiam ao meu pau duro que a escavava feito pagador de promessas. Os dobbermans ganiam em minha carne, os cavalos ganharam a pista e dispararam, ferozes. Se havia alguma razão naquele mundo, a razão era o gozo dela que chegava, suas mãos que rezavam, seus olhos branqueados, seu fôlego perdido, os seios cheios de leite e fúria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti então o dilúvio que tomava conta de mim, a porra sendo expelida e a camisinha se enchendo e ouvi aquele urro que saiu de minha garganta, em seguida meu suor invadiu minhas narinas e me dei conta de que gotejava por todo o corpo, dos músculos em frangalhos, da garganta seca e dos lábios mordidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela, de olhos abertos, não reagia. Ela, de pernas abertas, não se fechava. Ela estava lá, comigo dentro dela em frangalhos e parecia não mais ter aquela noção que tinha de si horas atrás. O cheiro de seu gozo misturado à borracha do preservativo nos embalava e ela finalmente conseguiu me dizer "me abraça", molhada inteira ela estava e me puxou em direção aos seios, aqueles seios que intimidavam qualquer um e agora tão cálidos e confortáveis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era silêncio quando recomeçamos. E ela continuava tão menina.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-5194253304890653766?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/5194253304890653766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=5194253304890653766&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/5194253304890653766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/5194253304890653766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2008/09/quatro-da-manh-por.html' title='Quatro da manhã, por aí'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-5205229477525712775</id><published>2008-09-09T00:55:00.009-03:00</published><updated>2008-09-09T01:47:58.544-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Três da manhã, eu acho</title><content type='html'>Ela estava ali, deitada, finalmente, as pernas abertas. Eram pernas longas e nelas havia as ranhuras das meias. Seus olhos se fecharam e os seios eram verdadeiros oceanos, continentes, devaneios. Minha boca alcançou aquele mar leitoso e logo seu irmão de sangue. Era gostoso todo aquele sumo, a sensação de carne e glândulas e nervos sendo consumidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Seu filho de uma puta", ela suspirou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então comecei a descer via diafragma e o umbigo e a linha negra de pelugem não tardaram a surgir. Suas mãos me empurravam mais pra baixo e a penugem ia engrossando, a voz de Muddy Waters dando as ordens no quarto. A buceta era densa, era escura, na penumbra do abajur era breu e tempero. Fui descendo em direção à ela, as pernas se abrindo e o vermelho sangue quase roxo se revelando ao meu olfato. Assim que pousei, ela acusou com a voz e as mãos, que procuraram o travesseiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus lábios se encheram de carne e fúria, pêlos molhados e um cheiro sem final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela passou de um suspiro longo a breves silvos. Os dobbermans mudaram de dono e curcunferenciavam uma naja que me nascia dentro da boca. Eu revidava aquela segurança sobre saltos, aquela vastidão de seios, aquele castigo de olhar. A voz, outrora imperial, logo se tornara serva. Eu lhe mostrava que aquela coluna vertebral que a dividia ao meio podia ser vencida, que suas pernas poderiam se dobrar, que às vezes ela iria sufocar e quase morrer achando tudo muito pouco e quase nada, quase nada e ultrapassava o todo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Seu filho da puta", outra vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não pretendia deixá-la satisfeita antes da refeição principal. Dente por dente, olho por olho. As camisinhas ficaram na calça, caídas no chão da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deu gosto ver aqueles olhos tão abertos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-5205229477525712775?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/5205229477525712775/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=5205229477525712775&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/5205229477525712775'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/5205229477525712775'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2008/09/trs-da-manh-eu-acho.html' title='Três da manhã, eu acho'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-8016994730542660945</id><published>2008-09-08T23:53:00.006-03:00</published><updated>2008-09-09T00:54:12.699-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Quase três da manhã</title><content type='html'>A calcinha era preta, de um algodão impossível. De dentro dela saía uma linha que riscava seu colo até o umbigo de uma pelugem rala. Ela caminhava lentamente em minha direção e Jimi, lá do infinito, destruía castelos de areia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou bem perto de mim e retomou a posse do baseado. Os olhos, tão vastos, agora se sideravam em terras d'além de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com o cigarro entre os lábios foi me rodeando, feito uma dança particular, as mãos por vezes deslizando em mim. Beijou-me a nuca, bafejou-me um ouvido de fumaça, decidiu que a minha camiseta era demais e com jeito, me retirou dela. Deixou o fumo em minha mão esquerda e então me mordeu um mamilo. Mordeu como se pudesse me sorver por ali, mordeu e sorriu e beijou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquele fumo, como se não bastasse, era bom. Eu sabia, àquela altura, que não deveria sucumbir a mim mesmo. Eu sabia que estava bêbado, levemente bêbado, há pelo menos três horas. Dei um último puxo no béque e larguei a ponta na mesinha. Ela se incubia de retirar meus sapatos e meias, eu sentia a piroca tensa, o sangue acumulado, seus dentes mordendo o falo por sobre a calça, que não tardou a se abrir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vieram os dobbermans, vieram aqueles lábios, veio o calor de seu hálito e a sua língua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela fechou os olhos e seus lábios foram deslizando em direção a mim, enquanto eu sentia aquela sala se transformar num mantra. Os dentes relhavam a carne quando ela refugava e uma de suas mãos me assumiu feito quem tem fome, a outra era apenas unhas. A língua sibilava em minha glande e logo ela tornava a me engolir. Ela gostava de chupar pirocas, ela se deliciava com aquilo, ela sabia dominar a situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela obviamente não queria terminar ali de joelhos na sala de calcinha com o rosto cheio de porra. Então, ela me deixou suspenso, em meio às minhas calças e se levantou para se virar sem pressa e adentrar naquele infinito de onde vinha a música. A calcinha de algodão e o par de meias arrastão apareceram na porta do quarto e subi os olhos, ela de costas ligava a luz do abajur.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Se você não tiver camisinha, amanhã eu acordo cedo, tá?", ela disse. Mas eu as tinha e a noite apenas começara.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-8016994730542660945?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/8016994730542660945/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=8016994730542660945&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/8016994730542660945'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/8016994730542660945'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2008/09/quase-trs-da-manh.html' title='Quase três da manhã'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-2683551635456743454</id><published>2008-09-08T17:09:00.014-03:00</published><updated>2008-09-09T00:56:19.280-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Duas da manhã?</title><content type='html'>"Mi casa, su casa, chico".&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Subimos as escadas, degrau a degrau, ela sempre à frente. Subia aqueles degraus com algum tipo de método, pois ninguém haveria de caminhar naqueles saltos com tamanha desenvoltura sem treinamento prévio. Devia caminhar escada acima calculando cada passo, para testar minhas reações.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três andares após a portaria do edifício, ela entrou num corredor e as luzes foram se ligando conforme ela seguia escuridão adentro, até o número 34. Ela me olhou pelo canto daqueles olhos de oceano, eu pendia no corredor feito um bibelô, uma prenda de quermesse. A meia calça arrastão, a saia prendada, a luz da sala.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Mi casa, su casa, chico". Agora havia um sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela deixou eu entrar e ficar plantado feito garoto em casa de estranhos a olhar pra tudo, entrou em outro cômodo, foi acendendo luzes, ouvi o barulho de saltos sendo deixados no chão de madeira. Então surgiu lá do infinito onde ela estava descalçando os sapatos acordes da guitarra de Jeff Buckley. Ela não tardou muito mais a ressurgir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na mão esquerda havia algo que me lembrava sem dúvidas um cigarrilho de maconha. Eu peguei o isqueiro que jazia na mesinha de centro da sala e tomei o artefato de sua mão, para em seguida acender e celebrar a boa nova com uma bela tragada. Ela observou a cena com olhos de lince. A fumaça foi saindo lentamente de minha boca e então os lábios que ela sorria vedaram a fumaça nos meus.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando pude voltar a sentir o chão sob meus pés, ela já caminhava, lenta, cheia de quadris, descalça, o cigarro na mão. As omoplatas, a coluna vertebral que dividia aquela mulher ao meio. Ela se recostou na parede e tragou, a fumaça vazando dos dobbermans.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De súbito, aquela fantasia que lhe cobria o corpo escorregou por mãos invisíveis rumo ao chão. A vastidão dos seios diante daquela parede nua, tão branca. Sua mão esticada me oferecia outra tragada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apanhei o cigarro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-2683551635456743454?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/2683551635456743454/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=2683551635456743454&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/2683551635456743454'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/2683551635456743454'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2008/09/duas-da-manh.html' title='Duas da manhã?'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-2312209849983601525</id><published>2008-09-05T01:18:00.023-03:00</published><updated>2008-09-05T19:17:37.835-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Uma da manhã</title><content type='html'>Seus lábios eram grossos, como se não fossem de carne. De vez em quando, entre eles apareciam dentes alinhados e cruéis feito dobbermans nazistas. E ela era só uma menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"E você, malandro, vai ficar aí só me olhando? Tenho hora pra acordar amanhã."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A voz que escorria entre os dobbermans ganhava meus ouvidos feito água quando mergulhamos no mar. Seus olhos é que tinham o poder naquele rosto, que é o que eu me permitia me fixar neles apesar do farto decote, dos fartos seios, dos fartos sonhos. Os olhos eram vastos, talvez mais vastos do que negros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela se levantou e disse que traria mais uma cerveja após a toalete. "A toalete", gostei disso, acho que foi aí que comecei a pensar com malícia. Ou talvez porque, enfim, ela se levantou. Já havia reparado no conjunto como um todo, mas sem um olhar mais objetivo. E havia aqueles seios que caminhavam com ela, eles desconcentravam o foco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela vestia uma saia prendada, preta. As pernas desciam generosas e desciam, como desciam. Levei severos e dramáticos segundos de meia-calça arrastão grafite até pés postados em saltos, as panturrilhas com destaque nesse tobogã. As costas estavam parcialmente a mostra, da saia subia um vestido como se fosse uma fantasia de fada, que seria inocente em alguém sem aquele corpo. Aquele corpo não tinha muita coisa de inocência a meus olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens que estavam ali em seu caminho prestaram reverência, um deles literalmente tirou o chapéu. Ela tinha o dom, caminhava como se flanasse nos espaços mais límpidos do Senhor, como se nas costas levasse asas e batesse, no lugar das omoplatas. E logo uma guinada à esquerda a retirou de meu campo de visão, ela havia alcançado o pecaminoso toalete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu desafio pré-toalete reverberava naquele meu organismo. Logo ela estaria de volta e me cobraria o resto da noite. Ela, os seios, as pernas infinitas. Os olhos vastos, os dobbermans. Tratei eu mesmo de garantir a próxima rodada. O garçom me serviu com um sorriso malicioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela iria logo voltar ao quadro, e, sem uma decisão, eu seria humilhado. Ela voltaria confiante, os seios agora caminhando em minha direção, a me confundir o pensamento. Seios quase negros dentro daquela morena, fartos, nascidos para o amor. Se eu tentasse fugir dos seios, havia as pernas, a meia-calça arrastão e profundo infinito em seus olhos. Se eu não dominasse a situação, a situação acabaria dando cabo de mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela voltou, soberana, rainha do bar, asas nas costas, a saia ainda prendada. Na mesa, o copo já estava cheio à sua espera. Ela sorriu, desarmou, "Que delícia!". Deu pra ver através da mesa as pernas saindo do cruz e se abrindo, inocentes e discretas. O perfume já se sabia menos secreto de seu dorso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"Vamos?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Haveria resistência? Haveria razão? Me dediquei a pagar a conta e seguir seus passos. Ela rebolava gostoso. Ela mal sabia que a promessa de seus lábios e dobbermans poderiam me fazer o pior dos homens sobre a Terra. Mas ela não era qualquer uma e rebolava gostoso do mesmo jeito.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-2312209849983601525?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/2312209849983601525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=2312209849983601525&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/2312209849983601525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/2312209849983601525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2008/09/uma-da-manh.html' title='Uma da manhã'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-1601340685585020170</id><published>2007-12-01T17:57:00.000-03:00</published><updated>2007-12-01T17:58:38.173-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Anatômico</title><content type='html'>Promessa é dívida&lt;br /&gt;que divido contigo&lt;br /&gt;como seu corpo se divide em vulvas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-1601340685585020170?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/1601340685585020170/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=1601340685585020170&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/1601340685585020170'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/1601340685585020170'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2007/12/anatmico.html' title='Anatômico'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-8301290869033924012</id><published>2007-11-23T14:16:00.000-03:00</published><updated>2007-11-23T14:45:46.848-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>Quase um haicai</title><content type='html'>Com olhos pintados&lt;br /&gt;atravessa o quarto&lt;br /&gt;como se fosse a própria noite.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-8301290869033924012?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/8301290869033924012/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=8301290869033924012&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/8301290869033924012'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/8301290869033924012'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2007/11/quase-um-haicai.html' title='Quase um haicai'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-4536425816009422203</id><published>2007-11-20T01:08:00.000-03:00</published><updated>2007-11-20T00:45:16.317-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Festa de casamento</title><content type='html'>Marinélia casou-se com Otaviano na ocasião em que completava seus vinte e três anos de vida, havia recém ingressado em sua carreira de advogada, legalmente aprovada no exame da Ordem e contratada no escritório de um tio de uma amiga. De modo que ao celebrar a segunda década de união com o engenheiro civil Otaviano Almeida de Castro, Marinélia Afonso Quevedo encontrava-se adentrando em seus quarenta e três anos de vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A experiência de trabalhar como advogada cível e testemunhar como o amor de décadas pode virar ruína e miséria em coisa de uma ligação erroneamente atendida fez de Marinélia esposa fiel e mui bem disposta amante. Temia, mais do que perder Otaviano, que conheceu em seus tempos universitários na militância estudantil, temia o processo que seria essa perda. Viu coisas horrorosas e ouviu palavras impensáveis entre casais que pareciam predestinados à eternidade do amor e da compreensão. Viu a verdadeira face do ódio surgir numa sala por causa de discos velhos, pares de meias e bichos de estimação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em duas décadas de convivência, Marinélia ainda sentia prazer em se deixar sorrir para Otaviano, bigode cerrado e cabelos nem tanto. Marinélia ainda sentia aquele ligeiro frêmito no regaço ao perceber que o marido a procurava na cama durante a noite e ao sentir que não o fazia hipocritamente. O que mais admirava era o carinho que ele sempre tinha por ela e que se revelava em sutilezas que somente um casal pode compreender - Otaviano não acendia um cigarro desde a lua-de-mel, nunca esquecia que ela gostava de tomar seu leite matinal com meia colher de mel e mandou instalar no jardim da casa um pequeno viveiro de periquitos, que lembravam a Marinélia o carinho de seu pai com seus passarinhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na ocasião de vinte anos de casados, o marido providenciou um jantar no restaurante onde havia pedido a mão da recém-advogada em casamento. Isso foi feito com dois meses de antecipação, em segredo e o convite enviado a apenas quatro casais íntimos dos de Castro. Foi quando Marinélia temeu que o marido andava ocultando algo dela, algo que dizia a ambos. Ela reparava que havia uma tensão em Otaviano sempre que alguém da família ou do círculo de amizades mencionava a ocasião que se aproximava, os vinte anos. Por vezes, ele se distanciava da conversa, em outras tentava mudar o rumo da conversa e havia flagrado até uma troca de olhares cúmplice entre o marido e um amigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aquela troca de olhares, um óbvio código de cumplicidade entre dois amigos ofendeu a integridade de Marinélia enquanto esposa dedicada. Duas noites mais tarde, ela percebeu o marido se insinuar através de um beijo a mais antes de deitarem, uma carícia marota em seus lóbulos da orelha. Achou que o marido estava mais firme que o usual, a musculatura retesada de algum esforço físico durante o dia e mesmo uma mordida no ombro esquerdo recebeu de Otaviano. Teve certeza que o marido havia saído do seu notável bom-senso matrimonial e arranjara uma amante que o levava a tal fúria sexual. Quis chorar, mas só conseguiu gozar como não desconfiava mais que fosse acontecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O passar dos dias rumo à data fatal - ela se enchia de certezas que a data que avexava o esposo, das bodas do casal, seria o desfecho de seu casamento - desesperavam mudamente Marinélia, que enxergava naqueles casais que acompanhava definhar melancolicamente um retrato em sépia de seu futuro próximo. Otaviano, de tão bem-disposto, instalara no quarto uma bicicleta ergométrica, decerto para ampliar seu fôlego a fim de dar conta da fogosa amante que iluminava o semblante do quarentão. A duas semanas da comemoração, Marinélia caiu em prantos durante uma audiência. Pediu uma licença de um mês e o escritório concordou, na verdade sua chefia sugeriu dois meses - um dos sócios da banca era grande confidente de Otaviano e acreditava que Marinélia e o amigo sairiam para uma segunda lua-de-mel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Otaviano era pura alegria na manhã da festa. Saiu da cama mais cedo que o habitual e deixou um bilhete que naquele dia precisaria viajar urgentemente a trabalho, com um pedido de desculpas e deixou avisado que o leite com mel estava na geladeira. Também na surdina, Marinélia gania ao perceber que o pior se realizava, o marido fugia sorrateiramente sem nem ao menos fazer menção da data. Ouviu o carro do marido partir em marcha lenta e ganhar a rua. Leu o bilhete mentiroso e viu o copo de leite cínico na geladeira. Decidiu que não suportaria nada daquilo. Ela mesma daria um ponto final. Sabia de tudo, tinha noção das evidências: o vigor físico recém-adquirido, a fúria sexual dos tempos de namoro, a bicicleta ergométrica, a cumplicidade entre amigos, as ligações em códigos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pôs-se a fazer as malas ainda de manhã. Ainda atendeu a ligação do celular de Otaviano, ele combinando que se encontraria com ela para jantarem fora, precisava conversar. Desligou rápido antes de qualquer resposta e pelo resto do dia ela só conseguiu falar com a caixa postal. Ela achava incrível da desfaçatez de Otaviano em marcar no mesmo local onde noivaram aquela conversa abjeta, de confissões de mentiras e de pedidos de separação. Não, não aceitaria tal absurdo. Arrumou suas malas e, como fizera o tarântula, deixou seu aparelho celular fora de área. Ordenou um táxi para o aeroporto e comprou uma passagem no primeiro vôo de ida para Salvador, onde morava a mãe. Não deixou bilhete.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Otaviano não compreendia nada. Esperou até o dia raiar. Seu amigo que era sócio na firma de Marinélia o levou em casa. Contou ao amigo que, havia meses, corria o boato na firma de que Marinélia mantinha um tórrido romance com um trainee. O rapaz era um mulato baiano, as mulheres fantasiam com ele em voz alta pelos corredores. Talvez ela recobrasse a razão e tudo voltasse ao normal. Era uma pena, dizia o amigo, porque aquela seria uma bela festa de casamento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-4536425816009422203?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/4536425816009422203/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=4536425816009422203&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4536425816009422203'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4536425816009422203'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2007/11/festa-de-casamento.html' title='Festa de casamento'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-428266747918217435</id><published>2007-10-04T01:15:00.001-03:00</published><updated>2007-10-04T02:50:43.916-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Sputinik</title><content type='html'>As mãos de Sputinik se espalhavam pelo meu braço que descansava em sua coxa de menina bonita demais para aquela cama desfeita e azul. Não era o azul do mar, do cruzeiro do sul, de uma ilíada a ser contada em língua morta, era um azul manchado - pelo suor, por noites mal dormidas, por sonhos que se perderam ali e nunca mais voltaram pra casa. As mãos de Sputinik exalavam uma inocência que já não havia em nenhum de nós havia tempo, desde antes de nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As mãos de Sputinik não tinham pressa em percorrer aquele azul de mentira, ou meu braço que se deixava invadir pelo frescor da morenice de sua carne, seus pêlos impossíveis, o desenho da coluna rasgando as costas e se dividindo em duas ancas que se demoravam alguns centímetros para se alongarem em pernas. Eu mordia de brincadeira, ela respondia com um riso secreto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sputinik não fazia menção de quebrar nosso silêncio. Preferia se manifestar em suaves movimentos, como um carinho de seus pés aos meus ou apenas ronronar quando minha boca e dentes acertavam um ponto fatal. Como se fôssemos dois estrangeiros em local incerto que temiam a separação. Como se as palavras fossem arrepiar aqueles pêlos que enterneciam sua linha do equador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi em silêncio que Sputinik me olhou com ternura ao perceber meu tesão fisicamente exposto e então deslizou uma de suas mãos para envolver-me, dialogávamos. Ela ofereceu seus mamilos negros, sua macia boca, o umbigo adornado com uma jóia. Os olhos por vezes escapavam entre a vasta cabeleira mas se fecharam quando sentiu era de verdade a promessa que havia nas carícias anteriores, no azul desbotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o silêncio de Sputinik fez-se um pranto de alegria dentro daquela noite entre nós dois.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-428266747918217435?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/428266747918217435/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=428266747918217435&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/428266747918217435'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/428266747918217435'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2007/10/sputinik.html' title='Sputinik'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-5598942936207108803</id><published>2007-07-24T21:14:00.000-03:00</published><updated>2007-07-24T22:54:17.898-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Sobre narizes e suas morenas</title><content type='html'>Quando Juliana me olhava, eu olhava para seu nariz. Havia um piercing nele e além havia toda a graça de um nariz redondo, quase a perfeição em função do aparelho respiratório de Juliana. Acho que ela não desconfiava no geral, tirante uma vez que ela chegou mesmo a perguntar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu nariz tá sujo? Ai, que vergonha!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, Juju, não estava. Nem um pouco sujo. Ela não poderia compreender algo que eu era incapaz de explicar racionalmente. Ela era uma morena de te derrubar com um sopro de seus cigarros mentolados que fumava entre as horas do dias, que eram tantas e não comportavam tudo que ela queria fazer. Tinha mais de 90 de busto e quadris e até samba no pé pra quem quisesse ver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sambava pouco e talvez graças a isso pudemos nos conhecer numa noite. Eu, fui literalmente pescado de dentro de mim e puxado para dentro dela. Havia urgência naquele encontro e nos beijamos como se daquele encontro dependesse o resto do mundo e nos beijarmos fosse a única coisa a ser feita. Naquela festa não tocaria samba pois era uma festa de róque, naquelas que os menos integrados no coletivo se voltavam para si e imaginavam uma guitarra em suas mãos, alguns feito eu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela estava rindo após o beijo, não sei se de mim. Foi aí que reparei no nariz da morena. Ela perguntou meu nome e disse que pensou que eu nunca fosse prestar atenção nela. E disse que seu nome era Juliana. Mais não disse porque queria outro beijo. Assim foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dei por mim após a segunda semana que gostava de adormecer com seu nariz respirando próximo a meu rosto. Ela, dorminhoca, se aninhava em mim e nem se mexia. Eu ficava vendo aquele desenho tão perfeito em seu rosto e pensava que jamais teria outro nariz daqueles, de forma que não precisava de mais nenhum. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela gostava dos dias de verão porque havia mais sol na rua pra ela desfilar. Usava grandes argolas e gostava de flores, nas estampas, nas sandálias, no cabelo. Eu só tinha olhos para seu nariz, acima daquele sorriso branco, acima dos mentolados, acima dos nossos beijos. Num dia de verão a surpreendi com rosas nas mãos e disse que seria dela para sempre, para todo o sempre, bastava que ela dissesse que sim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Verdade seja dita, a resposta ela nunca deu propriamente. Ela se ajoelhou junto a mim e me calou com sua boca e felizmente estávamos em casa, porque no meio da sala sua boca beijou além da minha e vice-versa e coisas mais. Tinha coisa de três meses que morávamos juntos e ali naquele apartamento demos uma festa naquela noite pra comemorar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Felizmente ao juiz de paz ela respondeu que sim, talvez porque preferisse que o beijo coubesse a mim. Eu olhava sua alegria e aquele nariz dono daquela morena. Ela mordia e segredava confissões pela noite, ainda dava pra ouvir os últimos convidados meio de porre na festa lá embaixo. E não havia nada mais bonito naquele quarto, naquela moça, naquela festa do que seu nariz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-5598942936207108803?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/5598942936207108803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=5598942936207108803&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/5598942936207108803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/5598942936207108803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2007/07/sobre-narizes-e-suas-morenas.html' title='Sobre narizes e suas morenas'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-4613749692176191005</id><published>2007-07-02T03:17:00.000-03:00</published><updated>2007-07-02T03:54:55.115-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Animal</title><content type='html'>Havia suor em sua fala, talvez porque naquele instante fodíamos um ao outro como se fosse nunca mais. A ironia é que era nunca mais, ao menos para nós. Ela e seus cabelos negros e a pele morena e as marcas do sol. Ela e a flor gravada acima da anca direita.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- O que você precisa entender é que eu preciso deixar a besta tomar conta de mim antes que eu morra. Você precisa entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela disse lábios nos lábios e quase dentes. Ela enfiou a língua na minha orelha e senti a pulsação que me exigia mais dentro dela. Me exigia todo até que eu não fosse nenhum, até que não fosse nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Se a besta não aparecer, aí eu morro ou me mato. Só a besta me deixa ser eu por inteira. Você precisa entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mão me guiava até um peito e me oferecia a carne, o sumo, o leite. A outra impaciente cravejava de unhas minhas costas. Não havia mais o meu começo e o fim dela, havia o suor que nos unia como se nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- A besta vai abrir meus olhos a qualquer instante e nada mais será o mesmo. Ela devora o que encontra. Você precisa entender.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu a revirei pelo avesso, as costas inteiras, a flor gravada acima da anca direita. A besta-fera à espreita e eu duro como jamais estivera antes. Foi sua impaciente mão quem me agarrou e trouxe de volta para dentro e a sensação de que o segundo que vinha seria nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Você precisa entender que eu te amo. Mas eu sou a besta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com suas mãos ela abria espaço para eu ir mais fundo dentro de seu corpo. De sua boca, vinha a besta ressucitada. Tudo respingava a suor. O cheiro negro em seus cabelos. O sol arquivado em sua pele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Goza dentro, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E entendi que nunca mais.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-4613749692176191005?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/4613749692176191005/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=4613749692176191005&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4613749692176191005'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/4613749692176191005'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2007/07/animal.html' title='Animal'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-1762254912884837273</id><published>2007-06-14T03:06:00.000-03:00</published><updated>2007-06-14T03:09:31.942-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Cachê</title><content type='html'>Lisa não se chamava Lisa realmente, eu acho. Parte do contrato tácito e mudo de sua presença ali era ela adotar o nome que desejasse, aquele que li nos classificados de sábado lado do número de celular e de palavras que acompanhavam seu nome: Lisa, celular, 23 anos, morena, mignon. E mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei pensativo se não deveria simplesmente bater uma punheta e depois fazer algo de produtivo, ver um filme, plantar uma árvore, escrever um livro. Sairia certamente mais barato e seria mais enriquecedor para mim, para minha família, pra o mundo em geral. Mas o nome, Lisa, ficava ali na minha boca, repetindo-se, e derrotando Samantas, Alines, Giovannas. Loira, corpo de violão, boca de céu, oriental exótica, negra felina, topo tudo, tenho amigas inacreditáveis, transexual melhor que mulher. A tudo isso a sutileza de Lisa, 23 anos, morena, mignon derrotara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meus pareciam dedos de aluno de sacerdócio ciscando os números e a voz quase falhou diante da provável voz de Lisa que atendeu a chamada. Perguntou endereço, disse que adorava anal, que era bem discreta e deu o preço. Cento e vinte fora o meu táxi, amor. Você me paga ao final. Você me quer agora? Lisa era uma profissional. Não que eu tenha sido homem de colecionar mulheres, mas eu realmente me impactara com o metal daquela voz. Se ao telefone já me levantava o falo, como seria abafada por ele às portas de sua laringe inchado de sangue e porra. Lisa poderia aparecer o mais breve possível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;Quarenta minutos se passaram e eu ali, em minha sala, o dinheiro separado na mesa, a cama arrumada no quarto, o frio instalado lá fora. Conforme o combinado, ela tocou o interfone e se anunciou, eu abri pelo interfone. Ela já sabia do número do apartamento e subiu sem maiores intercursos. O perfume era forte, vestia um sobretudo de couro vinho, calças jeans bem justas e tinha botas pretas e salto, de camurça. O cabelo negro ainda conservava algum tom da tintura anterior, algo caindo pro bordô, bastante escuro. Sorria parecendo natural a um estranho que oferecera dinheiro cash para possuir seu corpo por um par de horas.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Andou pelo pequeno apartamento de quatro cômodos, deixou seus pertences na mesa e sugeriu um cigarro antes, certamente percebeu a tensão camuflada de poucas palavras e sorriso incerto no estranho. Tinha pouco mais de metro e meio, mas tinha olhos grandes, a voz de lâmina, uma bunda que valia pelo cachê. Foi inevitável me ver penetrando aquela bunda, minhas mãos a segurando pela cintura, seus cabelos descendo as costas e o cu devorando a mim como se fosse o último pedaço de carne do churrasco. Mas para isso, ela nem precisaria ser puta. A diferença é que sendo a imaginação poderia virar realidade ao bolso do freguês. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu permiti o cigarro, ainda que estivesse tentando largar o hábito porque começara a detestar meu hálito pela manhã. Havia cinzeiros pelo apartamento. Havia até um isqueiro que meu subconsciente não deixava ir embora. Fiquei vendo Lisa me acalmar para executar melhor seu serviço, ela era agradável. Fomos para o quarto e ela então beijou aquele homem que jamais vira como se fosse o natural a ser feito. De seu bafo vinha um perfume que lembrava uma antiga namorada que um dia me pedira que eu marcasse minha arcária dentária em suas costas. Minha boca logo descobriu os seios, que não eram de silicone.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Eu estava num dia bom. Não lembro o porquê, mas eu me mostrava à altura dos dotes de Lisa. Ela sorria. Ela miava e rosnava. Ela se pôs de joelhos como em meu delírio e os cabelos descendo as costas e as mãos firmes na cabeceira da cama e seus olhos de soslaio me vendo entrar. Ao final me xingava e pedia força, pedia porra e pedia sangue. Era um ato que executava, ela devia ter um número decorado com deixas preparadas por cada freguês. Quis descansar depois, nua na cama em meu regaço e eu deixei, ela merecia, eu estava outro, novo e desfigurado.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Me liga, gato, foi o que ela me disse ao sair. O telefone celular tocou antes de alcançar o elevador. Ela atendeu e logo percebi que outro iria rapidamente perguntar o cachê.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-1762254912884837273?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/1762254912884837273/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=1762254912884837273&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/1762254912884837273'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/1762254912884837273'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2007/06/cach.html' title='Cachê'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-7107480192750953813</id><published>2007-05-23T00:59:00.000-03:00</published><updated>2007-05-23T01:01:50.987-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Olhos Abertos</title><content type='html'>A última das estrelas morreu no céu. Meus olhos cinzentos na tevê e um filme demasiado pornográfico para ser sexo de verdade. Na rede, uma Lila morena e dorminhoca, nua e santa demais para aquele quarto. A atriz montava no falo e berrava a cada contração de seus quadris. Eu não acreditava em nada. O que me enchia de vontade de sexo era Lila, mas Lila precisava dormir, como eu insistia em não fazer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última das estrelas morreu em vão. Ninguém iria chorar por ela, pelo seu brilho agora breu. Lila não iria acordar por uma estrela morta anos-luz atrás. Lila gostava das coisas quando vivas, dos homens quando sorridentes. Eu deitado na cama sozinho era um homem morto, bem o sabia. Lila dormia em paz porque não sabia, mas eu era um homem jurado de morte. Tente dormir podendo não acordar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última das estrelas não vai nunca saber o que é uma semana sem conseguir fechar os olhos. Nem eu sabia direito, depois do segundo dia, tudo virou mancha e talvez. Lila tentava me resgatar e me colocar para ninar em seu colo. Depois do quarto dia apelei para bolinhas e virei delírio. Em casa, vidrado, a magnun debaixo do travesseiro. Será que alcalço o gatilho a tempo? A mão é fugaz e tenho a porta da cozinha logo na mira. O revólver desliza até Lila, e até a noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última das estrelas é à prova de balas. Eu não sou. Há uma bala fora deste apartamento me aguardando e Lila não sabe disso. O revólver voltou para debaixo do travesseiro e a mulher suga com a força da terra a seus pés todo o sêmem que o homem da tv tem a lhe gozar. Enganei o homem que quer me matar, enganei sua esposa e engano Lila. Lila desperta, me vê morto na cama, cinza. Desliza até alcançar minha boca. E então ressucito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A última das estrelas queimou tudo o que pôde. Lila vai me consumir por todos os seus poros. É uma questão de tempo para que ela vença a bala que me aguarda. Quando grito, ela morde. Respiro, transpiro. Não morri ainda. Não posso fechar os olhos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-7107480192750953813?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/7107480192750953813/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=7107480192750953813&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/7107480192750953813'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/7107480192750953813'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2007/05/olhos-abertos.html' title='Olhos Abertos'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-2872652510037889934</id><published>2007-05-22T17:12:00.000-03:00</published><updated>2007-05-22T17:13:23.846-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Prosa'/><title type='text'>Pau Duro</title><content type='html'>Cheguei em casa muitas horas depois do combinado e ela dormia, cansada feito eu mas provavelmente mais sóbria e mais limpa. Provavelmente. Conferi seu corpo na cama, abraçado a um travesseiro, o abdome respirando, os olhos fechados, o sibilo, os dedos. Veio o perfume como se ela não estivesse mais ali e tivesse me abandonado há anos e aquele cheiro fosse memória ou cicatriz. Fiquei de pau duro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senti o sangue concentrar e logo o pinto inchar e levantar, involuntário, forçando a cueca e logo uma pequena dor, um pequeno enema. Com a mão direita, senti a ereção e a apertei, era uma boa sensação se descobrir homem feito em plena madrugada, a fêmea sem saber, apenas ocupada em respirar. Se eu tivesse a noção do momento, bastava guiá-lo para dentro dela e sentir o pau duro penetrar sua carne aos poucos, rompendo o sono e grandes e pequenos lábios. Não seria a primeira vez.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nidia acordava sempre com tesão porque já estávamos prestes a gozar e não ficava tudo muito claro, se era sonho, se era a morte. Raramente conseguia ter forças ou lógica para falar qualquer frase inteligível e, de qualquer forma, eu estava concentrado demais na minha ereção para entender outra coisa que não meu próprio corpo e logo sua voz aparecia em espasmos, talvez porque substituída pelo seu corpo uma vez desperto. Eu a fodia sempre num silêncio monástico, prendendo a respiração por minutos longos. Meu grande xodó eram seus olhos buscando a mim no breu do quarto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pensava nessa reminiscências enquanto ela, agarrada ao travesseiro, respirava natimorta. Havia sido um dia duro e eu agora estava ausente dentro de minha própria casa, diante de meu próprio corpo. Tirei as roupas para tomar banho, o pau duro, a boca alcoolizada, os passos turvos e me abaixei para dar um beijo no ombro desnudo, no espaço entre o cabelo e a coberta e o céu e então ouvi ela lamentar, sonolenta, "Estou tão cansada" e uma de suas mãos me acariciou o rosto e percorreu o tórax e agarrou o falo. O pau duro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nidia então fez-se manhã em plena madrugada. Adorava meu pau duro.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-2872652510037889934?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/2872652510037889934/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=2872652510037889934&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/2872652510037889934'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/2872652510037889934'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2007/05/pau-duro.html' title='Pau Duro'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-8366875704279039087.post-6716663886919942195</id><published>2007-05-22T17:05:00.001-03:00</published><updated>2007-05-22T17:07:45.131-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><title type='text'>The Last Cigarette</title><content type='html'>I'm gonna save the last cigarette&lt;br /&gt;to my lover&lt;br /&gt;to my sweet honeypie&lt;br /&gt;that sleeps into the dreams&lt;br /&gt;of mermaids and butterflies&lt;br /&gt;and kisses and hugs&lt;br /&gt;and Hank's mad and wonderful&lt;br /&gt;fucks&lt;br /&gt;cause, you already know,&lt;br /&gt;she's my lover and she's&lt;br /&gt;sleeping&lt;br /&gt;anywhere I'm not at&lt;br /&gt;this night.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/8366875704279039087-6716663886919942195?l=palavrasgodas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/feeds/6716663886919942195/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=8366875704279039087&amp;postID=6716663886919942195&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/6716663886919942195'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/8366875704279039087/posts/default/6716663886919942195'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavrasgodas.blogspot.com/2007/05/last-cigarette.html' title='The Last Cigarette'/><author><name>Defunto Autor</name><uri>http://www.blogger.com/profile/04217988909863580223</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_CnW6jTtw7Rc/TIersWbXvlI/AAAAAAAAAxg/krMTbm3kLdo/S220/Godo+013.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry></feed>
